Saúde feminina: uma área de investimento ainda pouco explorada, revela relatório

O Women’s Health Investment Outlook, do Forúm Económico Mundial, revela lacunas críticas na compreensão dos fluxos de investimento na saúde da mulher, oportunidades de mercado e necessidades ainda por preencher.

Apesar das mulheres e meninas constituírem quase metade da população mundial, a saúde feminina recebeu apenas 6% do investimento privado em saúde e as empresas focadas exclusivamente na saúde feminina capturam menos de 1% de investimento. O financiamento continua limitado e restrito, historicamente confinado à saúde reprodutiva e materna.

A conclusão é do Women’s Health Investment Outlook, um trabalho do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla inglesa), realizado em parceria com o Boston Consulting Group, que alerta para o facto da saúde da mulher representar uma grande oportunidade, mas subfinanciada na área da saúde global.

O relatório, que contou com a contribuição de mais de 25 organizações da comunidade de investimentos, da indústria, de instituições filantrópicas e de outros setores, aborda lacunas, oportunidades de mercado e necessidades não atendidas e para quantificar os fluxos de investimento privado em saúde da mulher, nos últimos cinco anos, apresenta o Índice de Investimento em Saúde da Mulher.

São múltiplas as áreas em que há necessidades e oportunidades que não têm resposta, com destaque para doenças de alta prevalência e grande impacto que afetam as mulheres de forma única, diferenciada e desproporcional e que têm sido negligenciadas, como, por exemplo, doenças cardiovasculares, osteoporose, menopausa ou Alzheimer.

Uma análise recente do Boston Consulting Group estima que o tratamento eficaz dessas quatro áreas terapêuticas para mulheres nos EUA poderia abrir um mercado potencial de mais de 100 biliões de dólares até 2030.  Montante esse que destaca quer a dimensão desta oportunidade de mercado, quer a importância do investimento na saúde da mulher.

Todavia, o investimento limitado e a consequente falta de produtos e serviços que respondam às necessidades de mulheres e raparigas agravam as disparidades de saúde. As mulheres podem viver mais do que os homens, mas gastar 25% mais das suas vidas em problemas de saúde ou com uma deficiência, um desequilíbrio que influencia o bem-estar e a participação na força de trabalho.

Globalmente, as análises realizadas para este relatório apresentam alguns dados reveladores. Por exemplo, que se trata de um mercado early stage uma vez que 50% do investimento privado em companhias específicas para a saúde da mulher permanecem nas fases mais iniciais (versus 32% em toda a área da saúde). Por outro lado, há concentração de capital porque 80% das situações de financiamento e 90% do fluxo de capital vão para três áreas – saúde reprodutiva, cuidados maternos e cancro – deixando uma lacuna significativa noutras condições específicas das mulheres, como a elevada prevalência, condições que afetam as mulheres de forma diferente e desproporcional.

Quase metade das empresas que tratam de saúde da mulher operam em terapia cruzada ou em áreas funcionais, como diagnóstico, digital, plataformas digitais e farmacêuticas. Regista-se ainda um desequilíbrio geográfico, com a América do Norte e a Europa a dominarem a atividade dos negócios, enquanto os países de rendimento médio estão sub-representados, apesar do elevado peso das doenças.

O relatório destaca ainda seis áreas de elevado potencial que servem como exemplos da atividade atual e com sinais futuros que apontam para oportunidades de investimento: terapêuticas para o cancro feminino; gestão virtual de cuidados de saúde; monitorização remota da saúde materna; plataformas de saúde mental centradas nas mulheres; longevidade feminina em primeiro lugar e serviços de bem-estar; e dispositivos wearables e plataformas para a saúde metabólica.

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