Entrevista/ “Todos temos um papel importante na economia circular e os nossos telemóveis entram neste ciclo”

Luísa Vasconcelos e Sousa, Country Manager da Swappie

 “Os portugueses já estão a considerar hábitos mais sustentáveis”, assegura a country manager da Swappie, empresa que comercializa tecnologia recondicionada. Luísa Vasconcelos e Sousa revela que Portugal é um dos cinco países com melhores resultados e que em 2024 prevê crescer, percentualmente, em dois dígitos.

Nascida na Finlândia há sete anos, a Swappie expandiu a atividade e, atualmente, está presente em 25 mercados, entre os quais Portugal, onde chegou em 2020. Luísa Vasconcelos e Sousa, country manager da empresa, explica que tem verificado um aumento no número de clientes da marca, que já alcançaram 1 milhão, o que revela, afirma, que “a tecnologia recondicionada é, cada vez mais, uma opção para os consumidores portugueses”. Destaca a mudança nos hábitos de consumo dos portugueses, o “que está também a permitir que opções mais sustentáveis, como os recondicionados, ganhem destaque e sejam consideradas por uma grande parte dos compradores”, e embora apenas 40% das pessoas considere comprar tecnologia usada, reconhece que “há um grande espaço de crescimento e oportunidades de transformarmos este segmento”.

Do conjunto dos mercados onde opera, Portugal é um dos cinco países com melhores resultados para a Swappie, o que, “dada a dimensão do mercado nacional e apenas em três anos de atuação no país”, nos mostra um panorama muito positivo de crescimento”, afirma.

Continuar a promover a informação e a desmistificação do que são estes aparelhos recondicionados, tornando-os a opção preferencial na hora de comprar um novo telemóvel, é um dos objetivos para 2024 porque “todos temos um papel importante na economia circular e os nossos telemóveis entram neste ciclo”, conclui Luísa Vasconcelos e Sousa.

O conceito de compra de telemóveis em segunda mão (recondicionados) já entrou nos hábitos dos portugueses?
De acordo com um estudo que realizámos este ano com a Kantar, conseguimos concluir que cerca de 60% dos portugueses já conhece o conceito de “recondicionados”, revelando confiança nestes produtos que atravessam um processo de tratamento rigoroso para voltarem a estar operacionais. Além disso, a grande maioria conhece também a diferença entre telemóveis recondicionados e telemóveis em segunda mão, que, por sua vez, são muitas vezes vendidos diretamente entre consumidores e sem qualquer tratamento especializado.

Percebemos também, neste estudo, que mais de metade dos portugueses está a comprar mais artigos usados agora do que há cinco, com 40% dos consumidores a revelar que o fator de sustentabilidade é o que mais pesa na hora da compra.

Este é um cenário animador e que nos mostra como os portugueses já estão a considerar hábitos mais sustentáveis. Sobretudo considerando a ameaça que o lixo eletrónico representa neste momento, com um estudo do E-Waste Monitor a alertar para 75 milhões de toneladas geradas a nível mundial até 2030, vemos aqui um panorama positivo e de esperança por um futuro mais sustentável.

“(…) a tecnologia recondicionada é, cada vez mais, uma opção para os consumidores portugueses”.

Há quanto tempo a Swappie está no mercado português e como tem sido a adesão aos vossos serviços?
Estamos no mercado português desde junho 2020 e temos verificado um aumento no número de clientes da marca (desde que abrimos já alcançámos 1 milhão), o que nos mostra como a tecnologia recondicionada é, cada vez mais, uma opção para os consumidores portugueses. Ficamos satisfeitos por perceber como a mudança nos hábitos de consumo está também a permitir que opções mais sustentáveis, como os recondicionados, ganhem destaque e sejam consideradas por uma grande parte dos compradores.

E qual o perfil do vosso cliente-tipo?
Podemos considerar como cliente-tipo tanto homens como mulheres, entre os 18 e os 35 anos. Conseguimos compreender que são as camadas mais jovens quem está mais aberto ao consumo de tecnologia recondicionada e que, por extensão, leva outros consumidores mais velhos a considerar estas opções.

Qual o modelo de negócio da Swappie em Portugal?
O modelo que seguimos em Portugal é semelhante ao que temos nos outros países onde operamos. Com atuação em 25 mercados, damos primazia à compra e venda online, sendo que, em 2023, abrimos um novo centro de logística em Leipzig, na Alemanha, para conseguirmos responder com maior rapidez e agilidade ao crescimento na Europa.

“(…) o nosso foco está orientado para tornarmos a experiência de compra online o mais simples, direta e positiva possível (…)”.

A presença de lojas físicas é uma hipótese?
Neste momento, temos apenas uma loja física na Finlândia, onde a Swappie nasceu em 2016, e o nosso foco está orientado para tornarmos a experiência de compra online o mais simples, direta e positiva possível para todos os clientes. Ao mesmo tempo, estamos a desenvolver e a testar um outro modelo de compra e venda de iPhones, através de máquinas tipo multibanco, disponíveis em diferentes pontos estratégicos e onde os clientes podem comprar ou entregar um telemóvel, mas que para já ainda não está disponível em Portugal.

Por fim, estamos a trabalhar também na proximidade com os clientes numa ótica de compra dos seus telemóveis antigos, promovendo a sua reciclagem e revitalização e evitando o acumular de lixo eletrónico. De acordo com o estudo que realizámos, percebemos que cerca de 80% dos portugueses não sabe ou não considera vender de volta os seus aparelhos antigos e queremos contribuir para reverter esta situação. Há um grande potencial nos telemóveis usados, antigos e até estragados, que no seu todo ou em partes podem ser recondicionados e ver a sua vida útil prolongada.

“(…) entre os 25 mercados onde operamos, Portugal é um dos cinco países com melhores resultados para a Swappie (…)”.

Que impacto tem o mercado português no conjunto dos mercados em que a Swappie está presente? Mais vendas, menos vendas…
Na realidade, e entre os 25 mercados onde operamos, Portugal é um dos cinco países com melhores resultados para a Swappie, o que, dada a dimensão do mercado nacional e apenas em três anos de atuação no país, nos mostra um panorama muito positivo de crescimento, reconhecimento e confiança dos consumidores na nossa marca.

O cenário de consumo tecnológico sustentável em Portugal está verdadeiramente a mudar? O que falta fazer?
De acordo com o estudo que realizámos, assim como outras pesquisas no mercado, percebemos que está a ocorrer uma verdadeira mudança nos hábitos de consumo dos portugueses. Embora apenas 40% das pessoas considere comprar tecnologia usada, sentimos que há um grande espaço de crescimento e oportunidades de transformarmos este segmento. O fator sustentabilidade está a ganhar peso no consumo português, além do fator poupança que a tecnologia recondicionada representa para a carteira dos portugueses.

Há uma maior consciência para a necessidade de cuidar e prolongar a vida útil dos aparelhos, contribuindo para a redução do lixo eletrónico e da pegada carbónica associada à produção de novos aparelhos (um recondicionado, por exemplo, evita a emissão de 78% de CO2 para a atmosfera precisamente porque substitui a necessidade de produzir um novo telemóvel).

É fundamental continuar a investir em medidas e informação junto da sociedade civil, de consumidores individuais e de grandes empresas, para fomentar não só este consumo mais consciente, como também a forma mais correta de descartar aparelhos fora de uso ou estragados. A reciclagem e o aproveitamento de peças são essenciais para a atividade de recondicionamento, assim como para evitar a poluição associada a componentes tecnológicos tóxicos que vão para aterro.

“(…) queremos continuar a promover o conhecimento dos consumidores (…) sobre o importante papel da reciclagem de tecnologia para prolongar a vida útil destes aparelhos (…)”.

Qual a estratégia da Swappie para continuar a ser um motor da economia circular?
Enquanto parte essencial da nossa missão, a generalização do acesso a opções recondicionadas tem orientado os nossos esforços para conseguirmos, cada vez mais, apresentar um leque que apele a todos os consumidores. Ao mesmo tempo, queremos continuar a promover o conhecimento dos consumidores não só sobre o que é tecnologia recondicionada, desmistificando este segmento, mas também sobre o importante papel da reciclagem de tecnologia para prolongar a vida útil destes aparelhos. A economia circular faz-se desta intervenção ao longo do ciclo, assim como do uso e da compra de tecnologia mais conscientes.

Para onde estão a canalizar os vossos investimentos? Comunicação, desenvolvimento da plataforma…?
Estamos focados no desenvolvimento da experiência do consumidor, com cada vez mais opções pensadas e desenvolvidas localmente, para conseguirmos responder às necessidades e expetativas dos clientes em cada país. Distribuição local, métodos de pagamento preferidos ou apoio ao cliente em língua portuguesa são alguns dos pontos onde investimos ativamente para proporcionar uma boa experiência de compra, assim como esclarecer todas as dúvidas associadas ao processo e aos produtos.
Além disso, queremos também continuar a monitorizar e otimizar todos os nossos processos rumo à neutralidade carbónica da nossa operação, de forma a promover a sustentabilidade em toda a cadeia de valor.

“(…) a consciência ambiental e preocupação com a sustentabilidade nas compras tem crescido e vai continuar a marcar as opções dos consumidores (…)”.

Acredita que a escolha preferencial dos consumidores pelos equipamentos recondicionados será uma tendência? Porquê?
Será, sem dúvida, uma tendência no consumo, pelos diferentes benefícios e impacto que apresenta. Por um lado, e como verificamos no estudo sobre hábitos de consumo em Portugal, a consciência ambiental e preocupação com a sustentabilidade nas compras tem crescido e vai continuar a marcar as opções dos consumidores. A tecnologia recondicionada responde precisamente a essa exigência, ao valorizar aparelhos e componentes eletrónicos para uma vida útil prolongada, evitando a produção poluente de novos equipamentos. Por outro, estes produtos representam uma poupança considerável para a carteira dos consumidores – no caso da Swappie, economiza-se cerca de 40% em comparação com um telemóvel novo.

Numa era em que todos utilizamos os nossos smartphones ao longo do dia, para fins pessoais, de lazer, de estudo e de trabalho, o telemóvel é um elemento essencial. Opções que apresentam qualidade, sustentabilidade e preço acessível vão continuar a ganhar destaque.

Que tendências antevê para o vosso setor de atividade?
Conseguimos perceber que a procura por tecnologia recondicionada continuará a crescer, ao mesmo tempo que mais concorrentes surgem no mercado também para responder a esta necessidade. À medida que mais consumidores começam a considerar estas opções, as marcas devem explorar soluções que respondam às preocupações levantadas, melhorando o leque disponível e percebendo onde é preciso inovar.

Temos também prestado atenção aos motivos que levam, ainda, alguns consumidores a não considerar a compra de telemóveis recondicionados, e é notória uma preocupação com a segurança do processo, qualidade final do produto e serviço pós-venda, com a garantia, as trocas e as devoluções a encabeçarem a lista. Acreditamos que estas preocupações vão também motivar as marcas a apresentar serviços e produtos com cada vez mais rigor e qualidade, elevando assim a fasquia para todos os players no mercado.

“Queremos continuar a promover a informação e a desmistificação do que são estes aparelhos recondicionados, tornando-os a opção preferencial na hora de comprar um novo telemóvel”.

O que idealiza para a Swappie em 2024?
Queremos continuar a investir nas opções preferenciais dos clientes em Portugal, apostando numa experiência de compra positiva desde a pesquisa pelo telemóvel ideal, à receção e utilização deste. Prevemos crescer, percentualmente, em dois dígitos.

Adicionalmente, pretendemos também continuar a investir no conhecimento e análise das tendências de consumo tecnológico em Portugal, de forma a percebermos como podemos continuar a inovar nos produtos, serviços e abordagens junto dos consumidores nacionais. Por fim, e como referido anteriormente, queremos reforçar o nosso reconhecimento enquanto marca que compra, também, telemóveis usados aos consumidores, potenciando ainda mais a economia circular ao aproveitar estes aparelhos. Somos já o líder europeu na venda de iPhones recondicionados e ambicionamos liderar também a compra destes aparelhos junto do público.

Todos temos um papel importante na economia circular e os nossos telemóveis entram neste ciclo. Queremos continuar a promover a informação e a desmistificação do que são estes aparelhos recondicionados, tornando-os a opção preferencial na hora de comprar um novo telemóvel.

Comentários

Artigos Relacionados