A segunda edição do SIBS Payforward começou no início desta semana. Ontem o Link to Leaders foi conhecer o espaço onde as 11 start-ups selecionadas estão a trabalhar para apresentar novas soluções de base tecnológica nas áreas de pagamentos e soluções financeiras.

O universo dos pagamentos tem vindo a mudar abruptamente. Se durante séculos a única maneira de pagar por um serviço ou produto era com dinheiro vivo, nas últimas três décadas vimos a criação de pagamentos online com o PayPal, o nascimento das moedas virtuais, a digitalização dos bancos e a erupção das start-ups fintech dispostas a mudar por completo o jogo.

Apesar dos bancos ainda controlarem grande parte do monopólio da informação dos consumidores, esta realidade está prestes a ser alterada. Isto deve-se à entrada do PSD2, onde os clientes dos bancos –particulares e empresas – podem recorrer a terceiros para gerir as suas contas. Um exemplo genérico sobre este assunto é o facto de os consumidores poderem começar a pagar serviços e produtos com aplicações como o Facebook ou a Google.

Esta nova regulamentação vem abrir espaço no mercado para as start-ups fintech, visto que para haver este novo acesso por parte de terceiros é necessário que os bancos forneçam acesso às contas através de API (interfaces de programação de aplicações) abertas. O desafio atual da SIBS é entrar nesta onda lançada pela União Europeia em 2015, de forma a facilitar os pagamentos e melhorar a experiência tanto dos consumidores como das empresas que utilizam os serviços da tecnológica portuguesa.

Em território nacional, a par da grande generalidade dos países com acesso facilitado a plataformas de comércio online, podemos ver a crescente tendência dos pagamentos online. Neste campo, entre 2016 e 2017, houve um crescimento de 36% dos pagamentos em plataformas de e-commerce. Apesar do desenvolvimento exponencial nos métodos de pagamento, a SIBS revela que, ao contrário das redes sociais, ainda existe uma grande diferença entre as gerações na adoção dos novos métodos bancários, sendo que o público mais velho ainda não se mostra muito recetivo face a estas soluções.

Numa conversa com o Link to Leaders, Maria Antónia Saldanha, diretora de marca e comunicação da holding tecnológica, explicou-nos que o SIBS Payforward veio servir dois propósitos. Por um lado, o facto de querer mostrar a uma série de start-ups e fintechs, que estavam a olhar para Portugal pela primeira vez, que podiam ter na empresa um parceiro de colaboração e uma fonte de informação e de know-how. “Somos especialistas em matéria de soluções de pagamentos e soluções financeiras e sabemos como o modelo colaborativo é fundamental para trabalhar. Portanto, podíamos ser um parceiro óbvio para start-ups e fintechs poderem descolar muitos dos seus modelos e soluções, sobretudo, se quisessem trabalhar ou em Portugal ou noutras geografias em que a SIBS está presente”, referiu.

O outro objetivo era encontrar start-ups ou fintechs cujas soluções ou modelos de negócio pudessem ser complementados às da SIBS. “Isto porque ou nós já tínhamos uma solução e a delas podia encaixar na nossa e de repente nós termos um crescimento de serviço muito rápido, como por exemplo, surgir uma solução que não estávamos a desenvolver agora e que essa start-up já tem. Foi o caso, no ano passado, do nosso acelerador: nós sabíamos que o on boarding dos bancos era um tema incontornável e que estava prestes a ser decretado e a ficar disponível. Queríamos essa tecnologia e podíamos tê-la desenvolvido in house, mas porquê desenvolver se sabíamos que havia imensas start-ups com essa solução tecnológica”, explicou Maria Antónia Saldanha.

Nesta segunda edição do programa de aceleração, das 11 start-ups contempladas, existem apenas duas portuguesas. Questionada sobre o problema da falta de fintechs de origem nacional, que já tinha sido apontado pelo Startup Lead da Microsoft Portugal no ano passado, Maria Antónia Saldanha explicou: “não estabelecemos quotas para start-ups portuguesas. Já no acelerador do ano passado, 80% das candidaturas foram internacionais. Para nós isso também foi muito interessante porque nos permitiu perceber como Portugal é visto e percecionado por fora. Este ano, tendo em conta que focámos o nosso acelerador no PSD2 e no open banking API também se percebeu que havia mais start-ups internacionais que focalizadas para este ecossistema do que se calhar start-ups nacionais. O que nós depois notamos é que as nossas start-ups, pelo facto de já conhecerem o ecossistema português e a forma como ele se implementa, têm uma grande vantagem competitiva”.

Numa altura de grandes mudanças no sistema bancário, mesmo a SIBS, que tem mais de 30 anos de experiência de inovação no setor, está a ser desafiada pelas novas diretivas europeias.

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