Riscos psicossociais pressionam empresas a agir, alerta estudo

Em 2026, as empresas terão de enfrentar os riscos psicossociais no trabalho, que se intensificam com maiores exigências emocionais, cognitivas e conflitos internos, conclui estudo da consultora Bound Health, que aponta cinco áreas-chave de intervenção.

Primeiros socorros psicológicos, capacitação da gestão intermédia, promoção da flexibilidade e autonomia, redesenho de funções e ambiente seguro e de suporte serão os grandes desafios das empresas durante o ano de 2026. A conclusão é de um estudo da Bound Health, consultora na área da saúde organizacional, que analisou insights de cerca de 11 mil colaboradores, de 60 organizações com quem trabalhou ao longo dos últimos anos, literatura científica atualizada e movimentos de transformação social, económica e organizacional em todo o mundo.

Segundo a empresa, os resultados da análise demonstram um incremento de exigências emocionais e cognitivas, assim como um aumento de comportamentos ofensivos no local de trabalho e trauma vicário. Os desafios são consequência de um desfasamento entre preparação técnica e preparação humana nas organizações.

“Em 2025, os desafios tornaram-se claros. Em 2026, ignorá-los deixará de ser uma opção”, alerta Liliana Dias, fundadora e managing partner da Bound Health.

“Olhando para 2025, evidenciaram-se alguns riscos psicossociais visíveis e persistentes. Estes riscos não emergem isolados: são reflexo de mudanças estruturais sobre a forma como o trabalho é desenhado, gerido e experienciado. Entendê-los é essencial, não só para mitigar os seus riscos, como também para antecipar as áreas de investimento das organizações que querem manter-se sustentáveis, saudáveis e resilientes”, acrescenta a CEO.

Com vista a fortalecer os recursos organizacionais e individuais, a Bound Health partilha cinco tendências.

1. Primeiros socorros psicológicos

Os primeiros socorros psicológicos visam mitigar os efeitos negativos do trauma através de estratégias de prevenção e intervenção. Capacitam colaboradores e líderes para agir em situações críticas, reconhecer limites pessoais e restaurar o funcionamento de pessoas em crise.

A relevância desta abordagem tem sido sublinhada por iniciativas de organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, bem como por entidades nacionais, como a Cruz Vermelha Portuguesa.

2. Capacitação da gestão intermédia

A formação da gestão intermédia é um passo essencial para promover ambientes saudáveis, uma vez que são estas as pessoas que estão na frente, mais operacional, e na ação junto das pessoas. Desenvolver literacia em estratégias de recuperação (pausas estruturadas, regulação emocional, gestão de conflitos) e reforçar competências sociais (empatia, comunicação assertiva, feedback construtivo) permite criar culturas mais colaborativas, transparentes e resilientes.

3. Promoção da flexibilidade e autonomia

Flexibilidade e autonomia são recursos críticos na mitigação do stress relacionado com o trabalho. Quando apoiadas pela liderança, aumentam motivação, satisfação e desempenho, funcionando como amortecedores face a exigências cognitivas e emocionais elevadas.

4. Job design e redesenho de funções

O desenho e redesenho de funções constituem uma das estratégias mais eficazes para criar ambientes inclusivos. A capacidade de adaptar papéis, remover barreiras e introduzir flexibilidade permite que diferentes talentos prosperem.

Uma avaliação organizacional rigorosa é condição essencial para um job design promotor de saúde.

5. Ambiente seguro e de suporte

Fomentar um ambiente de suporte reduz o burnout, reforça o envolvimento e estabelece limites saudáveis. A segurança psicológica é igualmente vital para estimular a colaboração, expressão aberta de ideias e inovação através da assunção construtiva de riscos.

Os dados provenientes de avaliações organizacionais, investigação empírica e análise transversal de setores confirmam que 2026 será o ano em que as organizações terão de investir na compreensão das causas estruturais dos riscos psicossociais, abandonando soluções superficiais.

 

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