No Radar: as prioridades do CEO da Simplefy até ao final do ano

Foto: Rui Lopes, CEO da Simplefy

Num contexto marcado pela volatilidade económica e pela aceleração da inteligência artificial, Rui Lopes acredita que um dos maiores desafios da liderança é saber escolher o que realmente importa. Até ao final de 2026, o CEO da Simplefy quer consolidar a estratégia de crescimento da empresa, reforçar a preparação dos seus Financial Partners e garantir que a expansão não compromete a proximidade com as pessoas.

Qual é a prioridade que vai concentrar mais a sua atenção nesta reta final de 2026?

Executar o plano estratégico 2026-2028 que traçámos e, ao mesmo tempo, afiná-lo com o Plano 2027 que estamos a desenhar. Vivemos tempos de enorme volatilidade e a tentação é reagir a tudo. Prefiro ter o discernimento para parar, olhar para o mercado com calma e decidir como nos queremos posicionar. Um plano a três anos só vale alguma coisa se tivermos a coragem de o rever todos os anos.

“Este ano percebi que, com a aceleração da IA, o maior risco já não é ficar para trás, é dispersar”.

Que aprendizagem de 2026 está hoje a influenciar mais a forma como lidera?

Que fazer menos pode valer mais. No ano passado havia uma vontade tremenda de transformar e automatizar tudo. Este ano percebi que, com a aceleração da IA, o maior risco já não é ficar para trás, é dispersar. Hoje faço a mesma pergunta a cada projeto, isto melhora o negócio dos nossos Financial Partners ou faz crescer as nossas pessoas? Se não fizer nenhuma das duas, fica na gaveta.

Qual é a decisão mais importante que ainda terá de tomar até dezembro?

Decidir o que fica de fora de 2027. Temos mais projetos em cima da mesa do que capacidade para os fazer bem e todos parecem urgentes. A decisão difícil não é escolher o que fazer, é escolher o que adiar, ordenando cada iniciativa pelo impacto real que terá no dia a dia dos nossos Financial Partners. Dizer não a boas ideias é das coisas mais exigentes de quem lidera.

“Há seis meses falávamos de volume, hoje falamos de resiliência”.

Que tema ou tendência está hoje no seu radar e não estava há seis meses?

O regresso da pressão da inflação e das taxas de juro, a par das alterações às medidas macroprudenciais do Banco de Portugal. Tudo isto pesa diretamente na aprovação de crédito às famílias e, por arrasto, na atividade dos intermediários de crédito da Comunidade Simplefy. Há seis meses falávamos de volume, hoje falamos de resiliência. O nosso papel é antecipar e dar aos Financial Partners as ferramentas, a formação e uma oferta mais diversificada, do crédito ao consumo aos seguros, para atravessarem um mercado mais exigente.

Qual considera ser, neste momento, um dos maiores desafios para quem lidera?

As pessoas. Foi sempre assim e vai continuar a ser. O desafio é mantê-las preparadas para um mercado e uma tecnologia que mudam a uma velocidade que nenhum plano de formação acompanha sozinho. As novas gerações são mais inquietas e ainda bem. Essa inquietação obriga-nos a dar propósito, espaço para crescer e razões concretas para ficarem. Quem não aprende a liderar a inquietação acaba a gerir saídas.

“Os números contam, mas são as pessoas que os tornam possíveis”.

Complete a frase: Até ao final do ano, quero…

…ter tempo de qualidade para parar e celebrar, com quem trabalha comigo todos os dias, os resultados e as metas que alcançámos em 2026. Os números contam, mas são as pessoas que os tornam possíveis.

Em poucas palavras: 

Uma oportunidade a acompanhar: Os Financial Partners Simplefy evoluírem para verdadeiros consultores financeiros das famílias.

Um risco a não perder de vista:  Crescermos ao ponto que eu deixe de conhecer pelo nome quem trabalha connosco. Nesse dia deixaremos de ser uma comunidade.

Uma ideia que merece mais atenção: Investir na formação dos nossos Financial Partners como se investe em tecnologia. Uma ferramenta nova dura poucos meses, um profissional bem preparado faz a diferença uma vida inteira.

Uma palavra para definir esta reta final do ano: Clareza.

A pergunta que me ocupa: Como continuamos a crescer sem perder a proximidade que nos trouxe até aqui?

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