ManpowerGroup apresenta as tendências do trabalho para 2026

A crescente adoção de IA, o upskilling e a literacia em IA, o regresso ao escritório e a escassez de talento irão marcar o mundo do trabalho ao longo deste ano, segundo o estudo do o ManpowerGroup.

O estudoA Força da Humanidade foi apresentado pelo ManpowerGroup, no âmbito do Fórum Económico Mundial de Davos, e identifica as principais tendências que irão moldar o futuro do trabalho em 2026. E apesar de se viver numa era marcada pela integração da Inteligência Artificial (IA), pela redefinição dos modelos de trabalho, pela transição energética e por mudanças demográficas e sociais, o estudo destaca o potencial humano como o verdadeiro motor de criação de valor diferenciado nas organizações.

O estudo identifica quatro forçassuper equipas híbridas, reaprendizagem rápida, normas em transformação e crise de sucessão – que se materializam em 14 tendências que refletem a visão do mundo do trabalho a partir deste ano.

O primeiro caso, as super equipas híbridas, refere-se ao facto de que as equipas do futuro irão combinar talento humano, inteligência artificial e freelancers de forma integrada. Assim, à medida que a adoção da IA e da Agentic IA acelera, e as organizações evoluem de um uso casuístico para uma integração mais estratégica e orientada por objetivos, começa a notar-se o impacto na produtividade e na distribuição de tarefas entre humanos e inteligência artificial.

O estudo sublinha ainda que embora algumas funções possam desaparecer, outras serão profundamente remodeladas, sendo importante assegurar que os humanos permanecem no circuito para evitar estrangulamentos ou erros inesperados da IA, assim como a diluição do conhecimento especializado.

Esta evolução está, aliás, a obrigar a uma reflexão sobre os processos de talento, com uma redefinição de funções, num exercício estruturado e colaborativo, que decompõe as funções tradicionais em tarefas de valor acrescentado e atribui essas tarefas a parceiros humanos e de IA, por forma a combinar o melhor das capacidades humanas e digitais.

Desta forma, neste novo contexto, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio administrativo e passa a participar ativamente nos fluxos de trabalho, refletindo o aumento do papel da IA nas empresas, em que agentes inteligentes colaboram com pessoas e entre si para gerar valor estratégico.

Paralelamente, o estudo identifica o risco da automação à força, alertando que a adoção da automação centrada unicamente na otimização de custos e substituição de trabalhadores humanos, sem uma redefinição clara de funções e sem supervisão humana pode conduzir a erros, perda de conhecimento especializado e falhas operacionais.

Já quanto à reaprendizagem rápida (outra das quatro forças identificadas), constata-se que à medida que a integração da IA se intensifica, os trabalhadores serão desafiados a desenvolver novas competências e a adaptar-se rapidamente a funções em constante evolução. Além disso, a literacia em IA tornar-se-á uma competência fundamental, permitindo que os profissionais compreendam, utilizem e implementem sistemas de IA de forma ética e eficaz.

A crescente integração da IA no mundo do trabalho significa também que os trabalhadores terão de reforçar competências que não podem ser facilmente automatizadas, as chamadas competências pré-industriais. Estas incluem não apenas domínios como agricultura, sobrevivência ou trabalho manual e de precisão, mas também competências humanas, como criatividade, empatia, comunicação interpessoal e capacidade de resolver problemas complexos.

A aprendizagem contínua e a atualização de competências tornam-se essenciais na era do upskilling, tanto para trabalhadores a tempo inteiro como para freelancers, trabalhadores a tempo parcial e desempregados, garantindo que ninguém fique excluído da transformação do mundo do trabalho. Será também cada vez mais necessário rever percursos académicos, assegurando uma maior agilidade no acesso às competências e um menor foco em competências técnicas, que são específicas de cada função e rapidamente obsoletas.

As normas em transformação acontecem num contexto marcado por uma crescente solidão social, por disrupções geopolíticas sucessivas e por uma pressão ambiental cada vez mais evidente, começam a surgir sinais de fragilidade nos sistemas sociais, económicos e institucionais em que tradicionalmente confiamos. Esta transformação está a redefinir expetativas, comportamentos e relações de confiança, com impacto direto na forma como as organizações, líderes e profissionais se posicionam e tomam decisões.

A implementação de políticas de regresso ao escritório a tempo inteiro surge como uma das principais tendências, representando um recuo face aos modelos de trabalho híbridos e remotos. Este tipo de modelos rígidos impacta negativamente a atração de talento e pode levar os empregadores a perder os seus melhores colaboradores. Apesar deste cenário atual, o estudo revela também que, com a progressiva evolução dos contextos e modelos de contrato, e em particular o crescimento da economia gig, e com a maior participação da geração millennial, mais precursora, nas lideranças do futuro, as políticas de regresso ao trabalho tenderão a abrandar, e muitos trabalhadores do conhecimento regressarão a modelos de trabalho mais flexíveis.

A crise de sucessão fecha este grupo de quatro forças previstas no mundo do trabalho. Apesar de um contexto que sugere um mercado favorável aos empregadores, muitas organizações já enfrentam dificuldades em encontrar profissionais com as competências necessárias, sobretudo em áreas técnicas e especializadas. Esta pressão obriga as empresas a repensar os seus modelos de atração, privilegiando processos de recrutamento mais humanos, personalizados e orientados para o potencial, em detrimento de abordagens excessivamente automatizadas.

Num contexto de envelhecimento da força de trabalho, as organizações enfrentam ainda um risco crescente de perda de conhecimento crítico. Segundo o ManpowerGroup, mais de metade dos profissionais nunca trabalhou com um mentor na sua empresa atual, evidenciando lacunas na transferência de conhecimento entre perfis séniores e juniores. Para mitigar este risco, as empresas mais preparadas estão a recorrer à Inteligência Artificial para recolher, estruturar e preservar o conhecimento dos colaboradores mais experientes.

Esta fragilidade na retenção de conhecimento contribui diretamente para um declínio da liderança. A próxima geração de líderes é limitada: a Geração X é demograficamente menor e os Millennials, em posições intermédias, enfrentam elevados níveis de esgotamento e desafios para equilibrar vida pessoal e profissional. De facto, apenas 39% dos profissionais da Geração X e 56% dos Millennials ambicionam cargos de liderança, o que exige às empresas uma aposta clara no desenvolvimento de líderes capazes de integrar tecnologia e talento humano, com forte inteligência emocional e capacidade de decisão.

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