Como pode a IA transformar a economia global? Relatório aponta 4 cenários.

Um relatório do Fórum Económico Mundial analisa o futuro do trabalho e como a combinação entre a evolução da IA e o nível de qualificação da força de trabalho pode resultar em quatro cenários.

O relatórioFour Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030”, do Fórum Ecómico Mundial (WEF, na sigla inglesa) explora a forma como o avanço da Inteligência Artificial (IA) ​​e as tendências de talentos, bem como as suas trajetórias potenciais até 2030, podem transformar o futuro do trabalho e da economia global.

Reúne diferentes perspetivas e insights de chief strategy officers, e de outros especialistas, sobre os riscos e oportunidades transversais, além de estratégias para ajudar os líderes a compreenderem as incertezas críticas, a testar hipóteses e aprimorar a capacidade de antecipação para navegar — e liderar — na nova economia.

E há uma constatação que domina: o avanço da inteligência artificial redefinirá o mercado de trabalho até 2030, todavia os efeitos dependerão, sobretudo, da capacidade das empresas e dos governos para preparar os profissionais para essa transição e não exclusivamente da tecnologia.

O relatório revela também que se, por um lado, 54% dos executivos esperam que a IA substitua postos de trabalho, por outro, apenas 24% acreditam que esta seja capaz de criar novos numa dimensão relevante.  A maior parte das empresas aposta em ganhos de eficiência e no aumento das margens de lucro, embora veja impactos limitados nos salários e na inclusão económica.

De acordo com o “Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030”, a combinação entre o ritmo de evolução da inteligência artificial e o nível de qualificação da força de trabalho pode resultar em quatro cenários distintos, que vão desde ganhos expressivos de produtividade, a novos modelos de trabalho, a desemprego estrutural, aumento da desigualdade e instabilidade económica.

O Fórum Económico Mundial sublinha, por isso, o risco de na próxima década a automação poder avançar mais rapidamente que os sistemas de educação, requalificação e proteção social, o que pode ampliar a pressão no mercado de trabalho, aprofundando as desigualdades entre setores e perfis profissionais.

Os dados recolhidos, permitem ao Fórum Económico Mundial avançar com quatro cenários para o futuro do trabalho em 2030:

Progresso acelerado: Avanços exponenciais na IA transformam indústrias, negócios modelos e fluxos de trabalho. A produtividade dispara e a inovação floresce. A ampla prontidão para a IA permite que as pessoas se adaptem a economias centradas em IA e contenham parcialmente o deslocamento. Muitos empregos desapareceram, mas novas ocupações surgem e crescem rapidamente. Redes de proteção social, ética e estruturas de governança lutam para acompanhar o ritmo e a escala da mudança.

A era do deslocamento: O avanço da IA ultrapassa a capacidade da força de trabalho se adaptar. As empresas correm para automatizar como uma solução paliativa, deslocando trabalhadores mais rapidamente do que os sistemas de educação e a requalificação conseguem responder. A IA toma conta dos processos-chave, criando um aumento de produtividade, mas também novos riscos. As economias avançam tecnologicamente, mas fragmentam-se socialmente: o desemprego dispara, a confiança do consumidor deteriora-se e os governos enfrentam riscos e instabilidade social crescentes.

Economia copiloto: a inteligência artificial avança de forma gradual e as pessoas preparam-se ao longo do caminho, redesenhando o trabalho ao longo do processo. Países e empresas que investiram cedo em treino, mobilidade, infraestrutura digital e governança de IA criaram condições para absorver e desenvolver tecnologias emergentes.

Progresso estagnado: O progresso estável da IA ​​encontra uma força de trabalho carente de skills essenciais. O crescimento da produtividade é irregular e as empresas dependem da automação para suprir a escassez de talentos. Os ganhos concentram-se em empresas e regiões com expertise em IA, enquanto outras enfrentam a erosão da competitividade. O deslocamento afeta principalmente funções rotineiras, enquanto o valor de profissões especializadas e ocupações manuais aumenta. A esperança de prosperidade impulsionada pela IA  transforma-se em frustração, à medida que as lacunas de adoção alimentam a desigualdade, criam uma economia bifurcada e limitam o crescimento.

Estes cenários coexistem na economia global, dependendo de como a tecnologia e os profissionais se encontram em cada contexto.

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