Reta final do ano aumenta pressão sobre equipas e eleva risco de burnout
Hays alerta para a importância de gerir cargas de trabalho, prioridades e períodos de descanso nos momentos de maior intensidade laboral.
O Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado hoje, chega numa altura em que muitas empresas entram na reta final do ano, marcada pelo fecho de projetos, cumprimento de prazos e concretização de objetivos. Um período de maior exigência que pode agravar a pressão sobre as equipas e aumentar o risco de desgaste profissional, segundo a Hays.
Os dados do Guia Hays 2026 mostram que o bem-estar tem um peso relevante nas decisões de carreira dos portugueses. Entre os profissionais que mudaram de empresa, 22% apontam o burnout ou a insatisfação como um dos motivos para a saída, enquanto 16% referem a falta de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e 6% uma carga de trabalho incomportável.
Neste contexto, a empresa especialista global em recrutamento e soluções de talento chama a atenção para a importância de as organizações gerirem de forma sustentável os períodos de maior intensidade, através de uma adequada distribuição das cargas de trabalho, da definição clara de prioridades, de uma comunicação próxima entre lideranças e equipas e do respeito pelos períodos de descanso e desconexão.
Enfrentar a reta final do ano de forma sustentável
Os períodos de maior intensidade fazem parte da realidade de muitas organizações, especialmente quando se aproxima o final do ano. O desafio está em impedir que momentos pontuais de maior exigência se transformem numa situação continuada de sobrecarga.
Uma gestão adequada das cargas de trabalho, a priorização de tarefas e uma comunicação clara entre managers e equipas podem ajudar a gerir estes períodos. Para a Hays, é igualmente importante que as lideranças estejam atentas à capacidade de resposta das suas equipas e disponíveis para rever prioridades e expectativas sempre que necessário.
“Nos períodos de maior exigência, o papel das lideranças torna-se ainda mais importante. Gerir uma equipa não passa apenas por distribuir tarefas e garantir o cumprimento de objetivos, mas também por perceber se os recursos disponíveis são adequados, acompanhar de perto as equipas e identificar situações de sobrecarga. Há momentos em que a pressão aumenta e isso faz parte da realidade das organizações. O que devemos evitar é que essa pressão se transforme na forma habitual de trabalhar”, afirma Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal.
Quando a pressão deixa de ser pontual
A pressão associada a períodos particularmente exigentes pode tornar-se problemática quando deixa de estar limitada no tempo e não é acompanhada por condições adequadas de recuperação. Por isso, mais do que olhar apenas para o cumprimento de objetivos, as organizações devem estar atentas à forma como as equipas estão a responder à carga de trabalho e à capacidade efetiva de desligar depois dos períodos de maior intensidade.
Os dados portugueses mostram que esta dimensão tem também impacto nas decisões de carreira. Entre os profissionais que optaram por permanecer nas suas organizações, 33% identificam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal como um dos fatores que mais influencia essa decisão, enquanto 15% destacam a existência de um regime de trabalho flexível.
Esta realidade ganha particular relevância num mercado em que os profissionais demonstram uma crescente capacidade de escolha. Em 2025, 48% recusaram pelo menos uma proposta de emprego, o valor mais elevado desde que este indicador começou a ser analisado no Guia Hays.
Para a Hays, estes indicadores reforçam a necessidade de as empresas olharem para o bem-estar não apenas como uma iniciativa isolada, mas como uma dimensão da própria organização do trabalho e da estratégia de atração e retenção de talento.
Prevenir antes de chegar ao limite
Mais do que atuar apenas perante situações de sobrecarga, a prevenção pode desempenhar um papel fundamental. Rever cargas de trabalho, estabelecer prioridades realistas, promover uma comunicação regular entre managers e equipas e respeitar os períodos de descanso são algumas das medidas que podem contribuir para uma gestão mais sustentável dos momentos de maior intensidade.
A capacidade de desconexão assume também especial importância. Se os períodos de descanso continuarem a ser interrompidos por notificações, mensagens ou pela expectativa de disponibilidade permanente, torna-se mais difícil estabelecer uma separação efetiva entre o tempo profissional e pessoal. Neste contexto, a Hays defende que a desconexão não deve depender exclusivamente da iniciativa individual de cada profissional, devendo também ser promovida através da organização do trabalho e das práticas das próprias lideranças.
Os dados do Guia Hays 2026 mostram ainda que existe margem para reforçar o apoio ao bem-estar nas organizações. Apenas 19% das empresas inquiridas afirmam disponibilizar apoio psicológico e 11% oferecem iniciativas específicas de apoio ao bem-estar. Do lado dos profissionais, 12% afirmam receber apoio psicológico e 7% referem beneficiar de iniciativas de bem-estar.
“Bem-estar e desempenho não devem ser encarados como objetivos incompatíveis. Pelo contrário, uma gestão sustentável das pessoas implica criar condições para que as equipas consigam responder aos momentos de maior exigência sem que estes se transformem numa situação permanente de sobrecarga. Isso exige planeamento, prioridades claras, proximidade das lideranças e uma cultura que respeite verdadeiramente os períodos de recuperação e desconexão”, conclui Paula Baptista.







