5 dicas para proteger a saúde mental da IA
No Dia Mundial da Saúde Mental saiba como se proteger da fadiga mental causada pelo trabalho diário com inteligência artificial. O fenómeno chama-se AI brain fry.
Se trabalha diariamente com ferramentas de inteligência artificial é provável que já tenha sentido um fenómeno que investigadores do Boston Consulting Group e da Universidade da Califórnia designaram como o AI brain fry. Uma nova forma de fadiga mental causada pelo uso excessivo, interação constante ou supervisão de múltiplas ferramentas de inteligência artificial (IA).
A inteligência artificial entrou nas empresas com a “promessa” de realizar as mesmas tarefas em menos tempo e libertar as pessoas para atividades de maior valor. Contudo, a realidade mostra que a velocidade com que hoje se executa o trabalho pode trazer um efeito perverso, na medida em que o tempo que se poupa, rapidamente é preenchido com novas tarefas, acelerando o ritmo de trabalho.
Por exemplo, um relatório que antes ocupava uma tarde, pode agora ser gerado em minutos — e a tentação é produzir três versões em vez de uma, para depois comparar e rever. Uma campanha multiplica-se em variações quase sem esforço. Ou seja, o trabalho não desaparece, transforma-se. E, sem regras claras, pode mesmo aumentar.
Um estudo da Universidade da Califórnia observou que a introdução da IA generativa levou a uma intensificação do trabalho, com os profissionais a assumirem mais tarefas em simultâneo. E a fadiga que os investigadores chamam de AI brain fry pode estar associada ao aumento de erros, a um maior desgaste na tomada de decisão e à vontade de sair da empresa. O risco é mais elevado entre quem utiliza várias ferramentas em simultâneo ou supervisiona múltiplos agentes de IA.
Como salienta Rita Mexia, Executive Manager Healthcare, Life Sciences & Contact Center da Gi Group, “a inteligência artificial veio para ficar e pode ser uma grande aliada no dia a dia. Mas ganhar tempo não significa acumular mais trabalho. Gerir o próprio ritmo, reconhecer limites e pedir ajuda quando necessário, são competências tão importantes como saber usar a tecnologia”.
É neste contexto que a Gi Group Holding partilha cinco recomendações para quem usa IA diariamente conseguir proteger o seu bem‑estar.
Defina o que é “suficientemente bom”
A facilidade de gerar mais uma versão pode transformar uma tarefa simples num ciclo de revisões sem fim. Antes de começar, decida o resultado de que precisa e pare quando o atingir. Exemplo: limitar-se a duas versões de um texto antes de escolher uma.
Menos ferramentas abertas, mais foco
Cada ferramenta é mais uma fonte de informação a acompanhar. Sempre que possível, trabalhe com uma ferramenta de cada vez e evite ter várias conversas ou agentes de IA a correr em paralelo. Exemplo: escolher uma ferramenta de referência para cada tipo de tarefa.
Proteja tempo de concentração e pausas longe do ecrã
Rever e corrigir o que a IA produz exige atenção constante. Reserve blocos de trabalho sem notificações e faça pausas reais, sem trocar uma ferramenta por outra. Exemplo: uma pausa curta, fora do ecrã, entre tarefas exigentes.
O tempo que a IA poupa não tem de ser logo preenchido
Se uma tarefa passou a demorar metade do tempo, isso não significa que tenha de fazer o dobro. Quando o volume de trabalho começar a acumular, fale com o seu manager para definir prioridades. Por exemplo: perguntar o que pode deixar de ser feito quando surge uma nova tarefa.
Reconheça os sinais
Dificuldade de concentração, decisões mais lentas ou a sensação de “nevoeiro mental” no fim do dia são sinais a não ignorar. Partilhe com a equipa o que funciona e o que está a gerar sobrecarga e, se o cansaço persistir, procure apoio.







