Portugal reforça posição como destino de grandes eventos internacionais
Portugal está hoje entre os destinos mais competitivos do mundo para grandes eventos internacionais. Especialistas no BOOST 2026 destacaram a Fórmula 1 e o Mundial 2030 como exemplos de eventos que trazem impacto económico, notoriedade mediática e legado sustentável ao país.
É “muito fácil” trazer grandes eventos para Portugal. A afirmação é de Nuno Madeira, do Turismo de Portugal, que considera que nunca o país esteve tão bem posicionado para captar iniciativas de grande escala, graças à maturidade do setor turístico, à qualidade das infraestruturas e à capacidade de acolhimento. O responsável participou no BOOST 2026 num painel dedicado ao tema “Guiar o Futuro como na F1: Máxima Velocidade, Máxima Segurança”, moderado por Roberto Antunes, diretor executivo do NEST – Centro de Inovação do Turismo, e que contou ainda com as intervenções de Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, e Vladimiro Feliz, diretor da unidade Smart & Sustainable Living do CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento.
“Eu, trabalhando no Turismo de Portugal, diria o seguinte: nunca foi tão fácil. É muito fácil”, afirmou Nuno Madeira, sublinhando que este cenário resulta do sucesso do turismo nacional e do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos. A boa oferta de alojamento, as ligações aéreas, a segurança e a capacidade de receber bem são, na sua perspetiva, fatores decisivos que colocam o país numa posição altamente competitiva.
Segundo o responsável, eventos como a Fórmula 1, que regressa a Portugal em 2027 e 2028, ou o Mundial de Futebol de 2030, organizado conjuntamente por Portugal, Espanha e Marrocos, são exemplos claros dessa atratividade. Para além da dimensão mediática, são eventos com forte capacidade transformadora. “Contribuem para a notoriedade e para a imagem do destino, reforçam a marca e criam storytelling nos mercados, mas também deixam infraestruturas, estruturam a oferta e os canais de procura e distribuição, com um efeito duradouro no território”, defendeu.
Nuno Madeira destacou ainda que “os eventos serão um dos motores da aceleração do turismo e da qualificação turística nos próximos anos em Portugal”. Nesse contexto, lembrou o papel ativo do Turismo de Portugal no apoio a grandes iniciativas, através do programa Portugal Events. Em três anos, este sistema de incentivos induziu um investimento de cerca de 380 milhões de euros em eventos, com apoios públicos na ordem dos 28 milhões. E anunciou que a aposta vai ser reforçada, com uma dotação 15 milhões de euros por ano nos próximos três anos, orientada para projetos que deixem um legado ambiental e humano.
Um dos exemplos mais concretos desse impacto foi apresentado por Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve. O responsável confirmou o regresso do Grande Prémio de Fórmula 1 ao Algarve, após um processo negocial que durou cerca de um ano a um ano e meio e que culminou com a assinatura do contrato em dezembro. Durante esse processo, destacou o apoio do Secretário de Estado do Turismo, do Turismo de Portugal e do Turismo do Algarve, bem como a atratividade do destino, associada ao sol, mar, segurança e qualidade das infraestruturas e acessos, fatores que permitiram ultrapassar concorrentes como a Alemanha ou a Holanda.
As estimativas apontam para cerca de 200 mil pessoas por evento em 2027 e 2028, com um impacto económico que Jaime Costa considera não ser inferior a 150 milhões de euros por ano, somando efeitos diretos e indiretos. Esta projeção assenta em estudos semelhantes realizados para o MotoGP, que indicam impactos globais na ordem dos 100 milhões de euros. “A Fórmula 1 é muito mais do que isso”, afirmou, acrescentando que a projeção mediática do destino Portugal será “imparável” durante dois a três anos, difícil de alcançar noutro contexto.
A sustentabilidade esteve também no centro da discussão, através da intervenção de Vladimiro Feliz, do CEiiA, que apresentou o Mundial 2030, que se quer posicionar como o mais sustentável da história do futebol. A iniciativa introduz o conceito de “Player 0”, atribuindo aos adeptos um papel ativo na neutralidade carbónica do evento. Através da tecnologia Ayr, será possível quantificar e valorizar as emissões evitadas nas deslocações dos adeptos, induzidas pelos clubes ou seleções, num projeto desenvolvido em parceria com a organização Onda Solidária.
O objetivo é alcançar milhares de milhões de utilizadores a nível global e criar um modelo com impacto ambiental, económico e social, incluindo um potencial de transações associado a créditos ou tokens de sustentabilidade. Antes de 2030, o projeto será testado em contexto real, nomeadamente na Copinha feminina, em São Paulo, e no Mundial feminino de 2027, no Brasil, numa lógica de laboratório vivo que permitirá avaliar a relação entre clubes, adeptos, cidades e grandes eventos.








