Web Summit: 4 dias, mais de 71 mil participantes de 160 países, 2296 start-ups e 1081 investidores

Estes são os números que marcaram a 7.ª edição do Web Summit, em Lisboa. O Parque das Nações foi pequeno para receber os mais de 71 mil participantes, oriundos de 160 países, que este ano responderam em força ao desafio da organização da cimeira tecnológica. O Link To Leaders faz um balanço destes últimos quatro dias.

Terminou ontem a edição de 2022 da Web Summit, que fica marcada pelo maior número de participantes de sempre, assim como de investidores e start-ups.

O espaço foi esticado ao máximo e este ano superou os 204 mil metros quadrados. A área de exposições cresceu 57% relativamente a 2019 para mais de 8478 metros quadrados para acolher 2296 start-ups, 342 parceiros de 94 países e 1081 investidores, de 60 países. A edição deste ano contou ainda com a participação de 1050 oradores que animaram os vários palcos do evento.

Tendo em conta o panorama geopolítico que se vive na Europa de Leste, a Ucrânia foi o centro das atenções. Nos discursos sobre aquela que é “a guerra mais tecnológica de sempre”, tanto a primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, como o vice-primeiro-ministro Mykhailo Fedorov, foram ovacionados pelos participantes.

Reveja alguns dos momentos que destacamos na edição deste ano.

Web Summit pode avançar para África em três ou quatro anos
Paddy Cosgrave, cofundador e CEO do Web Summit, revelou a sua ambição de levar o evento a outros pontos do globo. Depois de Lisboa, e das edições regionais do Brasil e de Tóquio, planeia levar o WS para o continente africano, sem referir localização exata, talvez em 2025 ou 2026, numa estratégia de tornar a marca cada vez mais global. A capital chinesa, Pequim, pode ser também um local para, no futuro, realizar uma iniciativa sob a umbrela WS.

Brasil e Ucrânia em peso no WS
Estes dois países tiveram uma presença de peso na edição deste ano. Aliás, segundo o CEO do evento, o Brasil e a Ucrânia foram dos países que registaram um recorde no maior número de participantes. O Brasil, que em maio do próximo ano vai receber a sua 1.ª edição do WS, fez-se notar quer pela forte presença da Apex Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, quer pelo stand da cidade do Rio de Janeiro, a que se juntaram as inúmeras start-ups que apresentaram os seus projetos/soluções na zona de exposições.

A par do espaço ocupado num dos pavilhões do WS, a Ucrânia teve também um grande número de participantes e start-ups (cerca de 70), de acordo com a organização, bem visível no terreno onde a elevada presença ucraniana não passou despercebida.

Figuras mundiais
Nem só de empreendedores, empresas e investidores se fez esta 7.ª edição. Foram também várias as figuras mundiais, do universo político por exemplo, que marcaram presença para, também elas, falarem da importância da inovação e da tecnologia. Foi o caso da primeira- dama da Ucrânia Olena Zelenska, a grande surpresa do primeiro dia de WS onde confessou que, no que à “alta tecnologia” diz respeito, é apenas uma utilizadora. Lembrou que “habitualmente ouvimos que as inovações tecnológicas movem o mundo”, mas acha que é mais do que isso. “Têm o poder de determinar a direção para a qual esta guerra irá”.

Também o Mykhailo Fedorov, vice-primeiro ministro da Ucrânica, que participou num painel sobre “Construir uma Ucrânia melhor”, lembrou que “esta guerra é tecnologicamente a mais avançada de toda a história”, e realçou que, além de ser importante no campo de batalha, a tecnologia as também ajuda a salvar vidas e mantém a economia a funcionar. Apelou ainda  às empresas presentes na Web Summit para que contribuíssem  com soluções tecnológicas para o combate às tropas russas.

A rainha Rania da Jordânia também marcou presença na cimeira com um discurso em que destacou o tratamento diferenciado dado aos refugiados, e apelou para que as pessoas passem menos tempo em frente a ecrãs e usem a tecnologia na melhoraria da vida das populações mais vulneráveis no mundo.

Start-ups distinguidas
A iniciativa Road 2 Web Summit, da Startup Portugal, distinguiu a portuguesa Musiversal como prémio de start-up mais promissora, e a Windcredible como prémio de start-up com melhor desempenho no Bootcamp. A primeira é uma plataforma que permite que os músicos produzam os seus trabalhos com músicos de todo o mundo, e segunda apresenta uma tecnologia de micro geradores eólicos para explorar a energia do vento ideal para aplicações urbanas, industriais e rurais.

Já a start-up da Geórgia Theneo, fundada por Ana Robakidze,  foi a vencedora do concurso Pitch do Web Summit com uma ferramenta de IA que gera documentos de API do tipo Stripe. Disputou a final com a austríaca Biome Diagnostics, criada por Nikolaus Gasche, e que desenvolve diagnósticos e terapêuticas de microbioma, e ainda com a GATACA , uma start-up espanhola, fundada por Chiara Casoni e que atua na área da cibersegurança.

Apoios e financiamentos
A Web Summit foi ainda palco para o anúncio, pelo ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, de um pacote financeiro de 90 milhões de euros para, nos próximos quatro anos, apoiar três mil start-ups. Um pacote com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PPR), que visa apoiar start-ups com modelos de negócio digitais amigos do ambiente. Será lançado ainda um pacote para apoiar os “custos operacionais” das incubadoras de empresas.

Também a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, anunciou estar a ser preparado um programa medidas de atração e apoio direcionado para nómadas digitais, não só para os centros urbanos mas, sobretudo, para o interior do país.

Tendências
Com mais de duas dezenas de temáticas em foco nas centenas de conferências realizadas nos quatro dias de cimeira, houve algumas tendências tecnológicas que se destacaram: o universo da Web3, o metaverso e a cibesegurança.

No encerramento da cimeira, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, congratulou-se com a forma como o evento deste ano conseguiu superar as expetativas e ultrapassar as dificuldades inerentes aos dois últimos anos de pandemia. E identificou aqueles que considera serem os grandes desafios do próximo ano. Encontrar Paz é o primeiro desses desafios, em segundo lugar reconstruir a Ucrânia, em  terceiro recuperar muitas economias e sociedades que estão a sofrer inflação e crises económicas à volta do mundo.

O quarto desafio destacado pelo presidente da República é a necessidade de acelerar a transição energética e, como desafio final nunca esquecer acções para o clima. “E para todos desafios que temos de enfrentar precisamos do digital. O digital faz a diferença, muda a vida, ajuda-nos a mudar o mundo”, afirmou.

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