“Vão aumentar os pagamentos M2M, ou seja, Machine-to-Machine. Vai aumentar o modelo de pagamento automático. O humano vai perder menos tempo com essa tarefa. Por exemplo, as lojas autónomas”, afirmou Nuno Breda, Co-CEO da Ifthenpay. Em entrevista ao Link To Leaders, o responsável faz um balanço dos 17 anos de atividade da fintech de Santa Maria da Feira e traça um retrato do ecossistema de pagamentos digitais em Portugal.

17 anos, mais de 3 milhões de euros movimentados e mais de 21 mil entidades aderentes, com a previsão de chegar às 23.500 empresas no final deste ano. A Ifthenpay trabalha em prol da automatização dos pagamentos digitais e com a pandemia viu o seu volume de negócios aumentar.

Fechou o ano passado com um aumento de 27% no volume de pagamentos, ultrapassando os 848,8 milhões de euros e tem agora os olhos postos na internacionalização: “A dinâmica com entidades estrangeiras, essencialmente da União Europeia, é uma aposta. Esta etapa já começou a algum tempo e está a dar passos sólidos”, revelou Nuno Breda, Co-CEO da Ifthenpay, que conseguiu alargar o âmbito da licença de atividade que detém a todos os países europeus.

Que balanço faz dos 17 anos de atividade da Ifthenpay?
Estão a ser muito positivos. Já derivamos de uma outra empresa, denominada IFTHEN, dedicada ao software. Desenvolvemos uma área de pagamentos, tendo sido o primeiro pagamento realizado em 2005 no valor 24 euros, que depois culminou no spinoff da IFTHENPAY. Tem sido muito bom, de muito crescimento. Ao longo destes 17 anos, já temos mais de 3 milhões de euros movimentados.

Que serviços disponibilizam atualmente?
Serviços de pagamentos para entidades coletivas, ou seja, empresas, associações, empresários em nome individual, etc. Oferecemos referências multibanco, MBWay, Cartões Visa/Mastercard, Payshop a estas entidades. O nosso serviço está disponível tanto no ambiente offline, como no ambiente online.

“O facto de não ter de colocar os dígitos da entidade e referência são um fator extra de conversão; contudo, se está num ambiente desktop, a referência multibanco continua a ser muito usada”.

Qual o método de pagamento preferido dos portugueses nas compras online?
Continuam a ser as referências multibanco, mas o MBWay está em grande crescimento. Então se a compra está a ser feita no ambiente mobile, ainda se nota mais. Para o utilizador é muito simples comunicar o número de telemóvel, surgir-lhe uma notificação, ele dar o ok e já está. O facto de não ter de colocar os dígitos da entidade e referência são um fator extra de conversão; contudo, se está num ambiente desktop, a referência multibanco continua a ser muito usada.

O que contribuiu para o crescimento de 28% no volume de negócios no ano passado da empresa?
Em 2021 ainda foi ano de restrições de pandemia. Ainda houve períodos de confinamento e de restrição de ida às lojas. E no mundo do trabalho, uma boa parte das pessoas a trabalhar em home office. Naturalmente, as pessoas estando mais em casa, seja nas compras pessoais ou da empresa, compram online. E pagam online, normalmente com MBWay ou referência multibanco, fazendo aumentar o nosso volume de negócios.

Quais as cidades onde foram processados mais pagamentos?
A nossa movimentação acompanha os principais distritos, ou seja, Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Aveiro, etc. Normalmente, acompanha o tecido empresarial português. Além desta normalidade, também temos clientes de Espanha, França, Alemanha, entre outros.

A pandemia veio impulsionar as vendas online e os canais de pagamentos digitais, tendo em muitos casos substituído os canais mais tradicionais. Como respondeu a Ifthenpay a este desafio?
Creio que tivemos uma boa dinâmica de resposta ao mercado, principalmente no atendimento ao cliente, seja por telefone, seja por email. Os clientes ficam satisfeitos, pois normalmente temos a adesão de forma muito simplificada; caso o cliente envie toda a documentação, é ativado em um dia útil. Sentimos isso, pois tivemos uma grande adesão de clientes como já tínhamos tido em 2020, dado o feedback que recebemos. Com tudo isto, já vamos com mais de 21 mil entidades aderentes e acreditamos chegar às 23.500 no final deste ano.  E, claro, o nosso preço é sempre interessante e competitivo; o cliente apenas paga uma ligeira comissão nas transações que recebe por nós, sendo tudo o resto grátis.

Quais os setores que têm estado mais recetíveis aos pagamentos digitais?
Naturalmente, os negócios online. Tudo o que seja lojas de comércio eletrónico, seja de produtos, seja de serviços. E aqui temos todo o tipo de setores representados, seja em B2B ou em B2C. Mas também muito offline, como faturas de empresas para o mercado nacional ou para exportação, quotas de clubes ou associações, mensalidades de ginásios, colégios, etc. E também publicações, sejam online ou offline, para pagamento das suas assinaturas.

“Colocar os dados do cartão Visa / Mastercard já custa mais às pessoas, pois há muitas notícias de hackers nesse ambiente, apesar de haver uma boa segurança neste contexto”.

Portugal está entre os países onde os consumidores apresentam mais resistência na divulgação de dados financeiros para fazer pagamentos online, segundo um estudo conduzido pela Maru/Matchbox para o PayPal. O que acha que é preciso fazer para mudar este cenário?
Talvez a referência multibanco seja a principal responsável por isso. Notemos que pela referência multibanco não é necessário nenhum dado financeiro do consumidor. No MBWay já é pelo número de telemóvel e existe uma parte dos consumidores que prefere não dar, mas que tem a dinâmica de, sendo no ambiente mobile, ter logo o pagamento realizado.

Colocar os dados do cartão Visa / Mastercard já custa mais às pessoas, pois há muitas notícias de hackers nesse ambiente, apesar de haver uma boa segurança neste contexto. Claro que se estamos a falar de um pagamento de um cliente que é de Espanha, França, Reino Unido, EUA, etc., esta situação já não se coloca, pois esse cliente vai provavelmente pagar com o seu cartão Visa/Mastercard.

Como perspetiva o futuro dos pagamentos online?
Vão aumentar os pagamentos M2M, ou seja, Machine-to-Machine. Vai aumentar o modelo de pagamento automático. O humano vai perder menos tempo com essa tarefa. Por exemplo, as lojas autónomas. Já existe em ambiente de loja piloto em Portugal, onde o cliente entra normalmente, escolhe os seus produtos e sai apenas a ler um QRCode com o smartphone. Depois gera-se um débito automático na sua conta bancária. Creio que no futuro, evoluirá ainda mais.

Quais a previsões de faturação para este ano?
Em faturação, rondaremos os cinco milhões de euros. Em movimentação, contamos com um crescimento de dois dígitos, a ultrapassar os 930 milhões de euros este ano. É um salto significativo, pois parece-nos que a conjuntura a partir de setembro vai ser mais difícil, mas acreditamos que vamos conseguir.

Projetos para o futuro da Ifthenpay?
Claramente, a internacionalização. A dinâmica com entidades estrangeiras, essencialmente da União Europeia, é uma aposta. Esta etapa já começou a algum tempo e está a dar passos sólidos.

Respostas rápidas:
O maior risco:
No final deste ano e em 2023, uma eventual conjuntura muito difícil.
O maior erro: Não ter começado mais cedo.
A maior lição: Um bom atendimento é essencial para uma boa empresa.
A maior conquista: O atingimento de mil milhões de euros movimentados até 2018.

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