Há algumas semanas, o CEO de uma empresa com cerca de 300 colaboradores, com um perfil eminentemente financeiro, partilhava comigo que, no seu primeiro ano na empresa, tinha atingido excelentes resultados, sobretudo pelo controlo e otimização de custos, mas que, neste segundo ano, estava a ser mais difícil sustentar e crescer em resultados.

No decorrer da conversa, perguntei-lhe como e em que situações comunicava com toda a sua equipa. E a resposta foi surpreendente: em quase dois anos e meio no cargo, nunca se tinha dirigido aos “seus” 300 colaboradores. Confessou-me ainda que “era um zero à esquerda a gerir pessoas”.

Devo dizer que estava perante uma pessoa extraordinária: muito qualificado, com um bom percurso até chegar à função atual e sobretudo com maturidade suficiente para reconhecer que precisava de refletir sobre a sua liderança.

Já de regresso a casa, fui falando “com os meus botões”: como é que um acionista admite um CEO para um projeto já de si difícil, sem que as competências de gestão de pessoas estivessem na sua “bagagem”? Talvez essa nem tenha sido uma questão no processo de seleção. Estou segura de que foi o seu perfil e experiência financeira que ditaram a contratação.

O tema é que nem sempre um bom financeiro é também um bom líder, inspirador de equipas, que sabe alinhar os colaboradores em torno de um projeto.

Então aqui ficam algumas dicas, para que não se sinta um “zero à esquerda” a liderar a sua equipa:

  • Fale frequentemente com a sua equipa: diga-lhes que tem uma ambição, um sonho;
  • Diga-lhes que quer que todos façam parte desse sonho e como o poderão fazer;
  • Mostre interesse por cada elemento da equipa, enquanto profissional e enquanto pessoa;
  • Mantenha a equipa informada e contribua com conhecimentos inovadores para o projeto;
  • Dê feedback verdadeiro, com transparência. Nada nos faz crescer mais do que um bom feedback, sobretudo quando nos dizem que não estivemos bem em determinada situação e como poderemos melhorar;
  • Dê eco às “boas histórias”, contribuindo assim para reforçar e disseminar os comportamentos desejados;
  • No final, agradeça, usando os mecanismos que tem ao seu alcance para dizer “obrigado”;
  • E festeje as vitórias em conjunto, porque as nossas vitórias, enquanto líderes, são sempre vitórias de uma equipa!

Fácil? Não. Exige foco, dedicar tempo, colocar na agenda! E sobretudo criar uma atitude de “estar ao serviço” e não de “ser servido”.

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