Existem inúmeras definições mais ou menos elaboradas sobre os dois termos, mas para a abordagem que pretendo ter deixo-vos estas: Transformar – Alterar, variar, tornar diferente do que era; e, Transmutar – Mudança de uma coisa em outra. (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).

A palavra transformar, ou transformação, está, a meu ver, gasta, tendo perdido todo o seu fulgor devido ao uso abusivo que fazemos dela, eu próprio terei contribuído para esse facto, principalmente quando associada ao “Digital”.

Embora muitos considerem que a transformação digital se iniciou nos finais dos anos 90, as correntes mais puristas defendem que se iniciou em 1703, quando Gottfried von Leibniz explicou e imaginou o conceito que seria conhecido como “digitalização” na sua publicação “Explication de l’Arithmétique Binaire”. Contudo o sistema foi desenvolvido e complementado por estudiosos ao longo de mais de 200 anos tendo sido George Stibitz, durante a década de 1940, o primeiro a usar o termo ‘digital’ neste contexto, contudo, penso que bastará, manter presente que o desenvolvimento de computadores pessoais são bem anteriores à década de 90, o Simon em 1950, o Apple II em 1977 e o IBM PC em 1981.

Então afinal de contas o que é a Transformação Digital? Para mim, é, sobretudo, a introdução de tecnologia em processos e métodos de trabalho por forma a torná-los mais rápidos e eficientes.

Mas a transformação digital não resolve o problema de fundo da competitividade das empresas, o facto de trocar máquinas de escrever por computadores, por exemplo, não faz uma empresa tornar-se tecnológica ou digital, como se de magia se tratasse.

A introdução de websites e aplicações móveis, enquanto uma camada digital, sobre uma empresa analógica e antiquada de nada serve, muito pelo contrário, acrescenta custos, introduz entropia e gera ineficiências.

É por isso que defendo que é essencial transmutar as empresas analógicas ao invés de as transformar, as empresas têm que se propor, e planear, ser uma outra empresa, na forma como trabalham, nas aptidões que precisam e na forma como comunicam com os clientes e parceiros.

E ainda assim não é suficiente,  é absolutamente essencial preparar a transmutação de aptidões profissionais, ainda existem muitos cursos superiores a prepararem pessoas para carreiras que não existem mais, a aceleração digital que vivemos vai reduzir, senão mesmo acabar, com muitas das profissões que hoje conhecemos, se olharmos para as necessidades de competências profissionais de muitas indústrias e negócios de há 25 anos, nem é preciso mais, facilmente percebemos que muitas áreas foram reduzidas ao mínimo pela via da introdução de sistemas digitais, principalmente as áreas de suporte. As equipas financeiras, de marketing ou de recursos humanos, por exemplo, estão hoje, dependendo da dimensão das empresas, reduzidas ao mínimo, tendo, pelo mesmo motivo, as equipas tecnológicas crescido exponencialmente.

Sem programas de reconversão de aptidões, que algumas empresas felizmente desenvolvem, o mercado de trabalho vai ficar com muitos profissionais competentes, mas desatualizados, sem colocação, que dificilmente servirão às empresas do futuro. As próprias empresas terão que começar a criar condições para que os seus trabalhadores possam atualizar as suas aptidões, e é importante que as pessoas queiram, obviamente.

Senão, acho que, vai levar uma ou duas gerações até que se consiga resolver naturalmente esta evolução, pelo simples facto que muitos dos profissionais ativos de hoje não nasceram digitais tal como as novas gerações, felizmente digo eu, porque a simbiose que hoje temos é incrível, quem já teve o privilégio de trabalhar com as novas gerações, os “Millennials”,  e até “Zoomers” que já começam a entrar no mercado de trabalho, não pode deixar de ficar deslumbrado com a capacidade inata de adaptação, inovação, disrupção e sede de conhecimento.

São eles que vão transmutar as empresas, porque estou cada vez mais convicto que nós, os mais velhos, já só as conseguimos transformar.

Por isso a transição tem que ser efetuada de forma conjunta, e agora, porque está na geração mais velha a resposta a muitas das perguntas que eles têm, a explicação da viagem, e dos erros que já foram cometidos.

É da fusão da experiência com a irreverência que o mundo se vai transmutar num outro mundo, para o bem das empresas, mas sobretudo das Pessoas.

Hoje deixo-vos um livro com uma visão disruptiva, provocante e inovadora sobre as aptidões do futuro, “A Nova Inteligência” by Daniel H. Pink.

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Sobre o autor

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Alberto Jorge Ferreira é um gestor executivo de renome internacional, que já liderou a transformação e renovação de empresas em 14 países e nos quatro continentes, sendo especialista na restruturação e transformação digital de organizações com as mais diferentes culturas... Ler Mais