Trabalhar no estrangeiro foi uma hipótese para 35% dos portugueses em 2019

O número de portugueses com disponibilidade para trabalhar no estrangeiro ao longo de 2019 foi menor que nos anos anteriores, revela o Guia do Mercado Laboral da Hays.

“Este ano é marcado pelo valor mais baixo de disponibilidade para emigrar, desde 2010. Sendo que em períodos de crise apontava-se para taxas entre 74% a 80% de disponibilidade para trabalhar noutro país. Estes dados vieram confirmar que Portugal está a passar por uma conjuntura bastante positiva, pois não só temos mais profissionais qualificados a viver em Portugal a querer continuar a trabalhar em Portugal, como também temos mais profissionais qualificados a viver fora de Portugal a querer regressar”. A análise é de Carlos Maia, director regional da Hays Portugal, na sequência do recente Guia do Mercado Laboral 2020, divulgado por esta empresa de recrutamento.

Entre as várias conclusões apuradas por esta pesquisa destaque para o facto de Espanha (49%), Reino Unido (38%), Alemanha e Suíça (29%) e Holanda (28%) estarem entre os destinos de eleição para uma potencial emigração. Quanto aos setores de atividade com maior disponibilidade para trabalhar no estrangeiro, o de retalho, com 50%, é o mais recetivo a essa situação, seguindo-se Banca e Seguros (44%), Life Sciences (40%), Turismo e Lazer (40%) e Legal (39%).

Ao analisar os profissionais que atualmente se encontram a trabalhar no estrangeiro, o Guia refere que, semelhança do verificado em 2018, estes atuam principalmente nas áreas de Engenharia (19%), Tecnologias de Informação (14%) e Contabilidade e Finanças (10%).Os profissionais que deixaram o país eram sobretudo de cidades como Lisboa (43%), Porto (25%) e Setúbal (7%). Brasil (35%), Reino Unido (14%) e Angola (8%) foram os destinos preferenciais destes emigrantes.

Quando questionados sobre os motivos que os levaram a sair do país, 25% dos inquiridos referiram que não ter encontrado oportunidades de emprego em Portugal, 21% indicaram ter recebido uma melhor oferta e 15% alegaram motivos de ordem pessoal.

Quando está em causa o grau de satisfação dos profissionais em Portugal e os que trabalham no estrangeiro, o Guia do Mercado Laboral 2020  revela que estes últimos aparentam estar satisfeitos com a qualidade de instalações (84%), ambiente de trabalho (83%), localização geográfica da empresa (82%), projeto/função (81%) e pacote salarial (80%). Pelo contrário, revelam-se pouco satisfeitos com a perspetiva de progressão (48%), comunicação interna (40%), prémios de desempenho (37%), cultura empresarial (34%) e formação (33%).

Já os profissionais que trabalham em Portugal afirmaram estar satisfeitos com a localização da empresa (79%), com os horários (76%), a qualidade das instalações (75%), a situação contratual (75%) e o ambiente de trabalho (72%).

As perspetivas de progressão de carreira (74%), os prémios de desempenho (71%),  a comunicação interna (62%), o pacote salarial (62%) e e formação (61%) são os indicadores onde se mostram mais insatisfetos.

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