As start-ups asiáticas, que tiveram um ano de 2019 relativamente difícil devido às dificuldades de financiamento, podem estar a enfrentar um outro momento complicado com o surto de coronavírus na região.

O ano passado foi difícil para as start-ups asiáticas, em parte devido à tensão comercial entre os EUA e a China. No entanto, outros fatores também influenciaram como o aumento do escrutínio dos investidores antes de investirem em start-ups (posicionamento que também se aplica às start-ups de todo o mundo), apostando naquelas que têm um caminho visível face ao lucro, e alguma desaceleração na economia da China, entre outros.

A Ásia não costuma ser o foco principal do mercado dos fundos de capital de risco mundial. Quando comparados com os resultados de 2018, os investimentos de fundos de risco na Ásia diminuíram mais de 42%, devido à falta de grandes negócios na China em 2019.

Porém, o financiamento das start-ups asiáticas poderá ser afetado por algo que não está ligado ao mundo financeiro: o surto de coronavírus que foi declarado como uma emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Se tomarmos como exemplo surtos virais mortais do passado e como estes afetaram o financiamento do capital de risco em start-ups, o surto de coronavírus também pode seguir o mesmo caminho, avança o Financial Express.

Em novembro de 2002, o surto de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) apareceu na província de Guangdong, no sul da China, e espalhou-se por dezenas de países. Foram relatados cerca de 8.100 casos e o número de mortos chegou aos 774. Durante o período do surto, 2003 e 2004, os investimentos privados na Ásia ficaram em 27% e 29%, respectivamente, abaixo dos níveis de 2002, segundo dados da CB Insights.

A recuperação foi visível no terceiro trimestre de 2004, quando o surto foi dado como contido pela OMS. Um ano depois, os investimentos asiáticos em empresas privadas atingiram um recorde, incluindo o financiamento de mil milhões de dólares (921,6 milhões de euros) ao Alibaba por parte da Yahoo.

Os especialistas consideram que poderá haver um impacto de cerca de 10 a 20%, mas não deverá chegar aos 50%. “A China de hoje é um país diferente do que era há quase duas décadas aquando do surto de SARS. Atualmente, muito do capital para investimento na China provém de investidores domésticos. Os fundos  de capital de risco chineses são financiados pelos LPs (Limited Partners), incluindo bancos, seguradoras e empresas de tecnologia. A questão do impacto do coronavírus no investimento surge quando há fuga de capital”, explicou Brij Bhasin, Diretor Geral do fundo de capital de risco asiático Rebright Partners.

O mercado de investimentos privados em tecnologia e start-ups sofreu uma diminuição com o surto de Zika no Brasil e no resto da América do Sul entre 2015-16. O estado de emergência de saúde pública foi declarado em fevereiro de 2016 e levantado em novembro de 2016. A atividade de investimento em 2016 caiu 50% em relação a 2015, para recuperar uns impressionantes 404% em 2017, segundo os dados do CB Insights.

Tendo em conta os cenários passados, os especialistas avançam que poderá haver uma desaceleração temporária na China, devido agora ao coronavírus. O capital de risco chinês está em desaceleração  desde o segundo trimestre de 2018, quando de um pico 35 mil milhões de dólares (32,2 mil milhões de euros) passou para cerca de 4 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) no quarto trimestre de 2019, de acordo com os dados da Crunchbase. O número de negócios também diminuiu de cerca de 975 negócios no terceiro trimestre de 2018 para cerca de 150 negócios no quarto trimestre de 2019.

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