Gregor Gimmy, fundador da BMW Startup Garage, unidade de negócio de investimento do grupo BMW, defendeu na Mobile Talks, em Madrid, a importância das start-ups no desenvolvimento das empresas.

O desenvolvimento empresarial depende em grande medida da inovação e esta requer a conjugação do trabalho de empreendedores e intraempreendedores. “As empresas precisam de inovação no seu interior e de trabalhar com start-ups. São ações complementares e necessárias para avançar”, afirmou Gregor Gimmy, fundador da BMW Startup Garage, na primeira edição da Mobile Talks, um fórum impulsado pelo El País Retina e pela Mobile World Capital Barcelona,que foi realizado em Madrid no final do ano passado.

O fenómeno das start-ups continua em alta e graças às oportunidades de negócio que oferecem. 68% das 100 empresas mais importantes da revista Forbes Global 500 têm investimentos nestas novas empresas, segundo a escola de negócios francesa INSEAD. Um dos casos analisados na Mobile Talks foi o da Telefónica: “Trabalhamos com mais de 115 start-ups. É uma felicidade que empresas tão inovadoras trabalhem connosco”, assegurou Javier Placer, diretor executivo da Open Future Telefónica.

No Fórum também foi apresentado o caso do Grupo BMW e o seu projeto Startup Garage, que começou há ano e meio. Gimmy, responsável da área que trabalha com novas empresas e as incorpora na inovação e desenvolvimento de produtos, foi contundente: “Trabalhar com novas start-ups ajuda-nos a melhorar as nossas estratégias de I&D, não se trata de fazer marketing. Nós não ajudamos estes negócios, são eles que nos ajudam a nós”.

Esta tendência na qual empresas tradicionais ou grandes companhias incorporam o trabalho das start-ups aumenta cada vez mais. Assim, 61,7% das start-ups valorizadas em mais de 1.000 milhões de dólares – as chamadas unicórnios – têm investimento de pelo menos uma empresa tradicional, segundo o INSEAD. Isto explica-se pelo valor adicional com que contam. “Estes novos negócios só têm êxito se forem melhores do que os que existem no mercado”, salientou Gimmy. As companhias, para introduzir estas mudanças, necessitam de realizar também uma transformação digital. “São 80% de transformação e 20% de digital”, calcula Aleix Valls, diretor executivo da Mobile World Capital Barcelona.

Para o Grupo Amadeus, é muito importante que as empresas trabalhem com start-ups, para além da existência de trabalhadores na companhia dedicados à inovação. Assim afirmou Katherine Grass, líder de inovação da Amadeus IT. Claudia de Antoni, diretora de investimentos no Grupo Virgin, concordou com Grass: “É necessária a interação entre empresas tradicionais e novos negócios”.

De facto, as 100 melhores empresas da lista Forbes Global 500 trabalham duas vezes mais com start-ups do que as últimas 100 da classificação. Isto deve-se ao facto de estes novos negócios “resolverem problemas” que não eram capazes de serem solucionados nas empresas, como reconheceu Gimmy no caso do Grupo BMW. Apesar disso, esta relação não tem que acabar com a absorção da nova empresa. Por exemplo, na Telefónica mantém-se a independência da start-up. “Para nós é importante reconhecer o valor acrescentado que nos dá e a sua independência”, salientou Javier Placer.

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