95% das empresas com tecnologia de ponta pretendem estabelecer parcerias com as grandes empresas, mas apenas 57% o consegue fazer, avança um estudo da Hello Tomorrow e do The Boston Consulting Group.

Juntar a inovação e as tecnologias mais recentes à forma de pensar das grandes empresas é um dos grandes desafios que enfrentam as start-ups nos dias de hoje. No entanto, consegui-lo é, no entanto, uma tarefa árdua, segundo o estudo “What deep-tech start ups want from corporate partners”, elaborado pelo Hello Tomorrow e pelo The Boston Consulting Group. e que teve o contributo de 400 start-ups com tecnologia de ponta.

O estudo refere como os quatro principais desafios que enfrentam as mais recentes empresas tecnológicas a dificuldade na captação de investimento (80%), ajuda do ecossistema empreendedor no acesso aos mercados (61%), conhecimento técnico (39%) e conhecimento e experiência de negócio (26%).

Para que consigam alcançar o conhecimento técnico necessário, o estudo aponta a necessidade destas start-ups colaborarem com empresas e universidades. Embora 95% das novas empresas estejam interessadas em fazê-lo, apenas 57% o consegue.

Na origem desta discrepância está a inadequada preparação por parte das start-ups, a falta de uma clara proposta de valor, aplicação e prova de conceito, a falha de ambas as partes na definição clara da parceria desse o início, que inclua um acordo sobre a visão a seguir, negócio, conhecimento e objetivos ao nível do capital humano, desalinhamento no calendário de processos e implementação, com uma lenta e complexa tomada de decisão corporativa, falta de definição clara do cargo e papel desempenhado pela start-up na grande empresa, inexistência da atribuição de um elevado patrocínio pela grande empresa à start-up no arranque da parceria e falta de comprometimento e empenho no negócio por parte da grande empresa.

Para ultrapassar este desafio, o estudo sugere que as grandes empresas encontrem um equilíbrio entre as suas próprias ideias e inovações e as das start-ups. A adoção de um ambiente de trabalho flexível é igualmente apontada como uma das formas de facilitar o trabalho entre ambas.

Existem já grandes empresas a dar passos em prol da adaptação da sua estrutura às mais recentes evoluções tecnológicas. É disso exemplo o financiamento total das grandes empresas de biotecnologia, setor que chegou aos 7900 milhões de dólares (cerca de 7 mil milhões de euros) de investimento em 2016, quando em 2011 tinha sido de 1700 milhões de dólares (cerca de 1500 milhões de euros).

A realidade aumentada e a realidade virtual, bem como as empresas especializadas em drones e investigação espacial também despertaram o interesse destas grandes empresas. Estas tecnológicas acumularam mais de 3500 milhões de dólares (cerca de 3100 milhões de euros) de financiamento conjunto em 2015, quando em 2011 tinham investido 104 milhões de dólares (cerca de 93 milhões de euros).

Outro dos problemas avançados pelo estudo é o facto do lançamento das start-ups com tecnologia de ponta ser mais dispendioso do que o de uma start-up digital. Entre os pontos de diferenciação foi referida a necessidade de obtenção de uma maior base de investigação e tempo de desenvolvimento, bem como um desafiante modelo de negócio e maiores necessidades de investimento a longo prazo.

Mais de 20% das start-ups que participaram no estudo apontaram uma previsão de 3 anos de trabalho até ser possível colocarem um produto no mercado, sendo que 50% não conseguiram fazer uma estimativa temporal até à entrada no mercado.

O estudo destaca ainda a dificuldade na definição comercial do produto no decurso do processo de criação. Um dos casos avançados foi o da tecnologia do blockchain, desenvolvida como uma solução específica para o Bitcoin que veio abrir a porta a um novo segmento financeiro que não tinha sido previsto pelos seus criadores.

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