A chamada indústria do sextechs, que inclui dispositivos e brinquedos sexuais, aplicações e serviços, está atualmente avaliada em 30 mil milhões dólares (cerca de 26,6 mil milhões de euros) e cresce 30% a cada ano.

Mesmo com o elevado volume de negócio e as empresas a direcionarem a oferta para um segmento de elegância e luxo, a indústria do sextech não costuma estar no pódio da lista dos investidores de capital de risco. Isto deve-se em parte porque muitas das empresas de financiamento têm restrições específicas contra esta área, mas também por causa de séculos de estigma social e cultural à volta do sexo. No entanto, este mercado parece estar a mudar.

Nos EUA, vários investidores já colhem os frutos, depois de terem investido milhões em start-ups deste setor como o distribuidor de brinquedos sexuais Unbound e a plataforma de áudio erótico Dipsea. Para os poucos investidores de risco que começam a explorar o sextech na Europa, esta indústria pode chegar aos 3,72 bilhões de dólares (3,3 bilhões de euros) e está a revelar-se um investimento seguro e altamente lucrativo.

Devido ao preconceito associado, as start-ups sextech optam por posicionar-se como soluções de “bem-estar”, em vez de apresentarem os produtos como explicitamente sexuais, com o intuito de trazer este mercado para a luzes da ribalta. Todavia, nem todos os fundadores de empresas da área estão contentes com o facto de terem de se esconder atrás de uma fachada “mais aceitável”. “Em França, é quase impossível encontrar investidores para projetos de sextech, exceto se forem apresentados como projetos na área da saúde”, comenta Christel Bony, fundadora da SexTech For Good, citada pelo Sifted.

“Podemos falar sobre reeducação perineal, mas não podemos mencionar prazer”, comenta a mesma empreendedora. Todavia, os empresários europeus estão a seguir este caminho com sucesso. No Reino Unido, a fundadora da Chiaro, Tania Boler, posicionou intencionalmente a sua start-up para treino Kegel na área da “saúde e bem-estar”, o que, segundo a própria, a ajudou a obter um financiamento de 42 milhões de dólares (37 milhões de euros) da IPGL, Octopus Ventures e Impact Ventures UK.

Do outro lado da equação, estão os investidores em start-ups sextech, como Alan Merriman, responsável pela Elkstone Capital, uma empresa familiar de capital de risco que financiou diversos projetos na área como Chiaro, Mysteryvibe e LetsGetChecked. Para este investidor, é impossível ignorar as oportunidades que aparecem no campo sextech.

A empresa londrina de “tecnologia para o bem-estar” Zinc VC também fez recentemente o seu primeiro investimento na indústria do sextech ao apoiar a Ferly: uma aplicação educacional para ajudar as mulheres a explorar os seus corpos para um melhor bem-estar sexual. A fundadora do fundo, Ella Goldner, concorda que o “bem-estar” permite que os investidores entrem em “tópicos mais complicados”, mas que apresentem produtos tabu de uma forma mais vendável.

No Reino Unido começam também a surgir fundos de risco que procuram especificamente investir em start-ups “tabu”. Um factor interessante sobre as indústrias tabu é que são efetivamente polarizadoras de opiniões, no entanto, quando um investidor está interessado nesse produto também se torna num dos seus principais defensores.

Embora as empresas de capital de risco estejam lentamente a abrir as portas para os investimentos em sextech, as formas de financiamento alternativo ou os business angels ainda são a principal forma de capitalização destas start-ups.

Se no início as sextech eram rejeitadas por sites de crowdfunding, a situação inverteu-se. Os sites de crowdfunding são agora um apoio crucial para as novas tecnologias pioneiras na indústria adulta. Até porque as empresas sextech são, na maioria das vezes, excluídas de competições de pitching, encontros de start-ups ou fundos públicos. E, neste sentido, o crowdfunding oferece a maior oportunidade para alcançar investidores e business angels, garantir fundos e ganhar o impulso que os fundos de investimento querem ver.

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