Start-ups: a perceção enganadora dos millennials e a dificuldade de manter a cultura da empresa

Os jovens que anteriormente queriam pertencer a grandes empresas são os mesmos que hoje em dia preferem começar a sua carreira em start-ups. Conheça as razões que levam os mais novos a seguir este caminho e a perceção que têm deste novo “mundo”.

O mundo das start-ups está a atrair cada vez mais jovens. No caso dos recém-licenciados nos Estados Unidos, apenas 15% quer fazer parte de uma grande empresa. Se há alguns anos fazia parte das aspirações desta faixa etária tentar começar uma carreira numa organização de nome, hoje a tendência é outra.

A realidade portuguesa não foge à regra e também fomenta este tipo de comportamento. A rara oportunidade de criar uma carreira numa só organização cria a necessidade de optar por enriquecer o currículo em empresas mais pequenas. E é aqui que as start-ups ganham aos “gigantes”. Há uma necessidade de ser versátil, de fazer de tudo um pouco, enriquecendo a experiência e criando mais competências nos funcionários. A falta de fundos destas pequenas empresas faz com que o CFO, por exemplo, não seja apenas um diretor financeiro, mas assuma também a função de contabilista, vendedor, gestor das redes sociais entre tantos outros cargos que numa empresa seriam ocupados por meia dúzia de pessoas.

Comummente chamados de “millennials” ou Geração Y, esta faixa etária, influenciada pelos media, imagina as start-ups como um “El Dorado” das empresas. Sushi de graça, cervejas às sextas-feiras à tarde ou um escritório com uma vista incrível. Esta é a perceção. A realidade, por outro lado, é que a maioria das start-ups não pode oferecer este tipo de regalias aos funcionários. Este tipo de empresa funciona com um orçamento muito pouco flexível, quer por estar a funcionar com dinheiro dos investidores, quer por ainda não ter atingido o ponto de equilíbrio financeiro.

Tudo o que foi mencionado anteriormente não faz parte da cultura de uma empresa, visto que esta se baseia no comportamento coletivo de todos os membros, sendo um reflexo dos valores do que a organização acredita e tenta passar. A cultura de uma start-up deve ser estruturada consoante a sua estratégia. As empresas têm culturas diferentes porque não têm as mesmas estratégias.

Stefan Bruun, colunista da Forbes e fundador e gestor de um fundo de capital de risco, dá o exemplo de uma das suas empresas em relação aos desafios que enfrentou na implementação da cultura. “Não tínhamos tanta cooperação entre as equipas como desejado e os nossos funcionários não tinham tanto orgulho nos nossos produtos como gostaríamos”. Mas segundo Bruun, isto não tem de ser um problema. O investidor acredita que a cooperação e o orgulho dos seus funcionários na sua empresa eram fulcrais para criar um produto de excelência.

Um dos problemas retratados pelo colunista é a dificuldade de manter os laços entre funcionários quando a empresa começa a crescer. “Quando éramos poucos, as pessoas juntavam-se todas e iam almoçar (…) desta maneira todos sabiam no que é que os seus colegas estavam a trabalhar e criavam laços.” Quando a empresa de Bruun começou a crescer, este hábito manteve-se só que em grupos mais pequenos. “As pessoas iam almoçar com quem trabalhavam diretamente em vez de se juntarem aleatoriamente com pessoas doutros departamentos”.

O crescimento da empresa teve efeitos secundários problemáticos, especialmente na comunicação. Para tratar deste problema as tardes de sexta-feira eram dedicadas a apresentações de cada uma das equipas sobre o trabalho que desenvolveram durante a semana seguidas de um espaço de convívio acompanhado de cerveja. Para Bruun, este pequeno evento semanal teve resultados tremendos: “as pessoas estavam mais felizes e a comunicação entre departamentos melhorou”. Através das apresentações, as pessoas que desenvolviam o produto tornaram-se mais interessadas e orgulhosas do seu trabalho.

Pode não fazer parte dos planos de uma empresa dedicar uma tarde por semana a fortalecer os laços entre os funcionários. Nestes momentos, o importante não são as cervejas ou as apresentações numa sexta-feira à tarde, mas sim a maneira como a empresa tenta implementar a cultura e os valores em que acredita nos seus funcionários.

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