O BNP Paribas lançou a aplicação Next Gen Club destinada a ligar os herdeiros de grandes fortunas entre si. Mas não ficou por aqui. Conheça as soluções digitais que o banco criou com a ajuda dos clientes e das start-ups fintech.

O BNP criou para os seus clientes com fortunas (os “HNWI” e “ultra HNWI”) novos serviços digitais, tais como redes sociais exclusivas para os milionários e os seus herdeiros ou aconselhamento financeiro através de chat automatizado. Estas aplicações resultaram de uma ação de construção conjunta com clientes e start-ups fintech.

A “Fábrica” do BNP Paribas Wealth Management no Luxemburgo assemelha-se mais a uma incubadora de start-ups do que a um banco de gestão de fortunas. O banco privado BNP criou duas outras estruturas de incubação de projetos, em Genève e Singapura, e organizou quatro sessões de inovação nas grandes capitais, reunindo equipas pluridisciplinares com start-ups fintech, mas também com clientes.

Segundo La tribune, os clientes particulares com património muito elevado (os mais de 15 milhões de”high net worth individuals” que possuem mais de 1 milhão de dólares, o que corresponde a cerca de 934 mil euros, de ativos para investir, fora a residência principal, e até os “ultra high net worth individuals” que detém mais de 30 milhões de dólares, aproximadamente 28 milhões de euros) são muito exigentes.

Por isso, não basta proporcionar-lhes um atendimento cinco estrelas. “Os nossos clientes são empreendedores, os seus smartphones e os seus tablets fazem parte integrante da sua vida e gostam de ver o seu banco mostrar um espírito de empreendedor”, argumentou Vincent Lecomte, o codiretor do BNP Wealth Management, numa conferência de imprensa no Luxemburgo, citado pelo site francês.

O LinkedIn dos milionários

Para “reinventar a experiência do cliente”, o banco privado BNP, que reclama o estatuto de número um na zona euro com 341 mil milhões de euros de ativos geridos, inspirou-se nos melhores no assunto, desde a Apple à Amazon, passando pela Google, Netflix e terminando no Facebook.

“É preciso ser rápido, porque há uma série de start-ups e de fintech prestes a lançar este tipo de serviços num abrir e fechar de olhos, e é preciso pensar global, porque temos clientes no mundo inteiro”, sublinha o diretor de marketing do BNP Wealth Management, Salvador Vidal.

O banco lançou a aplicação “The Leader’s Connection”, uma espécie de Facebook dos milionários, uma versão ultra-premium do LinkedIn, que seria cruzada com o ficheiro do Rotary. Atualmente em teste, a aplicação, concebida com a empresa francesa de serviços digitais SQLI, será lançada ao longo deste ano.

“Ainda será oportuno investir na robótica?”, “Conhece alguém com quem valha a pena investir na Grécia?” ou ainda “Procuro um coinvestidor para um projeto de imobiliário na Alemanha”. Estas são algumas das perguntas que os clientes da banca privada poderão fazer na “The Leader’s Connection”. Além disso, poderão também enviar mensagens privadas aos seus pares e propor oportunidades de investimento privado (não classificado, private equity, imobiliário).

O Facebook da juventude abastada

Para os filhos e netos de Bill Gates, Liliane Bettencourt e outros Jack Ma do mundo inteiro, o banco BNP lançou, há alguns meses, outra aplicação exclusiva e privada, a “Next Gen Club”, que é complementada com um programa pedagógico e de formação em gestão patrimonial familiar, o “Next Generation Program”, com seminários organizados em Paris ou Singapura que têm como finalidade “aumentar os conhecimentos do seu herdeiro em matéria de gestão financeira e patrimonial”, esclarece o site do banco.

A aplicação Next Gen Club, que é uma newsletter sobre os negócios, as start-ups, mas também sobre a cultura e o lazer, está a ser utilizada por 150 membros (dos 25 aos 30 anos) em todo o mundo.

Biometria e casa-forte digital

Há também o “WhatsApp financeiro”, o myChat&Trade, que visa reinventar a corretagem online, já que permite dar ordens de bolsa com poucos cliques através do smartphone, validando a concretização de uma ordem através de password ou biometria. Ou ainda o conselheiro de bolso robotizado, o myAdvisory, que dá recomendações de compra ou venda, de acordo com as preferências de investimento do cliente, programadas antecipadamente: o cliente pode interagir via chat para pedir mais informações ou recusar. Este serviço está a ser testado na Suíça e vai ser lançado este ano.

Algumas aplicações podem ser abertas a outros clientes do BNP, na banca de retalho. Por exemplo, uma casa-forte digital, onde é possível guardar documentos importantes. A aplicação mySafePlace permite guardar num espaço privado e “altamente seguro” toda a espécie de dados confidenciais (recibos fiscais, títulos de propriedade, testamentos, passwords, números de cartões). Foi concebida em conjunto com a SeeZam, uma fintech luxemburguesa. Criada em dezembro no Luxemburgo, esta aplicação deverá ser lançada brevemente na Suíça, seguida de outros países e complementada com outras funcionalidades como o chat, em direto com o conselheiro, pedido pelos clientes.

Outra aplicação a ser implementada de forma mais alargada pelo BNP é o myBiopass, que permite a identificação através de biometria: autenticação por uma selfie, como já fazem algumas fintech, como a britânica Atom Bank, e validação de uma transação por reconhecimento vocal e impressão digital através do iPhone. A aplicação baseia-se na tecnologia da empresa de software irlandesa Daon Inc.

“Somos o primeiro banco a combinar os três serviços [autenticação por uma selfie, reconhecimento vocal e impressão digital através do iPhone]”, afirma Mariam Rassai, diretora de customer experience no BNP banco privado.

Para usar esta aplicação, o cliente deverá registar-se perante o seu conselheiro, cara-a-cara, para impedir as usurpações de identidade. Os dados biométricos, recolhidos (não “replicáveis” se forem pirateados) e encriptados, serão depois arquivados nos servidores do banco.

“O banqueiro privado continua no centro da relação com o cliente: o digital é um canal para facilitar esta relação e aumentar a satisfação.  Para nós, isso cria uma vantagem concorrencial”, conclui Vincent Lecomte.

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