Start-ups europeias que estão a inventar a educação

A inovação tecnológica está a moldar a sociedade em múltiplos setores através de ferramentas como internet das coisas, robótica, realidade virtual ou inteligência artificial. A educação não escapa à tendência e muitas start-ups estão a inovar na forma como se ensina e se aprende.

A transformação digital e a inovação tecnológica estão a mexer com o setor da educação. Hoje em dia, com tanta informação acessível a partir da internet, as pessoas confiam cada vez mais na tecnologia para melhorar a sua educação e as start-ups estão a reagir a essa tendência. As chamadas edtech estão a criar um novo futuro e desde a educação infantil, passando pelo ensino de idiomas, aprendizagem online, as ferramentas de estudo ou materiais de cursos, existe um enorme mercado para aqueles que utilizam a tecnologia para fins educacionais.

Na região da União Europeia, os investimentos em edtech estão a crescer significativamente, apesar de esta ser uma indústria ainda relativamente jovem. Entre 2014 e 2018 foram investidos em empresas europeias de edtech mais de mil milhões de dólares (907 milhões de euros). O investimento atingiu um recorde de 450 milhões de dólares (408 milhões de euros) em 2018 em 152 transações, um crescimento de 62% face a 2017.

Perante este crescimento significativo, a EU-Startups reuniu dez projetos europeus que, nas suas respetivas áreas de edtech, estão a  transformar o mundo da educação recorrendo a tecnologias inovadoras.

OpenClassrooms Esta plataforma francesa de educação online oferece cursos específicos para ajudar os formandos a obterem a formação adequada para encontrar alguns dos empregos mais procurados do mercado. Desde cursos de desenvolvimento Web até gestão de projetos digitais, as aulas personalizadas respondem às necessidades formativas do mercado. Fundada em 2013, a OpenClassrooms obteve uma ronda da Série B de 51 milhões de euros, em maio de 2018, o que permitirá à empresa fortalecer sua posição de liderança no mercado de cursos online.

Lingvist – Com presença em Londres e Tallinn, a plataforma de ensino de idiomas oferece cursos online rápidos que usam algoritmos de machine learning. Com seis anos de atividade a start-up pretende criar uma forma adaptada e matematicamente otimizada, orientada pela tecnologia, de aprender um novo idioma. O sistema foi projetado para calcular o tempo mais apropriado para ajudar o aluno nas suas aulas. Em 2015, obteve 8 milhões de dólares (7,2 milhões de euros) de financiamento de Série A da gigante japonesa de e-commerce e serviços online Rakuten, da SmartCap, da Inventure e ainda de Jaan Tallinn, cofundador da Skype.

Pi-Top – Esta start-up de Londres está focada no ensino de STEM (o acrónimo inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) de modo interdisciplinar e aplicado. Tem como objetivo ensinar as crianças a programar através de uma gama de produtos inovadores e divertidos, incluindo drones ou laptops. Criada em 2014, recebeu 16 milhões de dólares (14,5 milhões de euros) de financiamento de Série B. Em janeiro último apresentou o seu novo produto, o Pi-Top 4, uma nova plataforma de computação programável que ajuda estudantes e educadores a programar juntando computação física e aprendizagem fundamentada em projetos através de um sistema de utilização fácil.

Teacherly – A solução da Teacherly destina-se a professores que pretendem melhorar as suas competências de ensino. A plataforma permite aos professores prepararem lições com ferramentas interativas (questionários, brainstorming, atividades extracurriculares, etc.), colaborarem com outros professores nessas aulas e acompanharem a evolução de um só aluno através de ferramentas analíticas. Criada em 2015, em Londres, a Teacherly recebeu uma ronda de financiamento semente de 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros), com o apoio de investidor Shorooq Partners.

Ironhack  – Com sede em Madrid, e escritórios em Miami e Amesterdão, a Ironhack disponibiliza bootcamps de programação e webdesign para formar analistas de dados, designers de UX / UI e programadores web. Com mais de 600 parceiros, nove campus e mais de 2.500 formados, criou uma rede para empreendedores de tecnologia e pessoas que desejam trabalhar nesta indústria. A Ironhack oferece cursos intensivos de nove semanas a tempo inteiro ou 24 semanas em part-time, e liga os alunos a uma forte rede de empresas. Fundada em 2013, obteve 4 milhões de dólares (3,6 milhões de eros) para expandir a sua atividade à escala global.

Zen Educate – Esta start-up  deseja resolver o problema do recrutamento educacional, ligando os professores às vagas nas escolas. Em diversos países, as escolas têm autonomia para recrutar diretamente professores, e muitas vezes usam empresas de recrutamento que cobram comissões. Por isso, a Zen Educate disponibiliza uma plataforma online que junta os professores às vagas escolares. O professor preenche informações sobre o seu percurso e as suas necessidades e a plataforma procura a posição apropriada. Fundada em 2017, esta edtech de Londres teve uma ronda inicial de 6,7 milhões de euros para melhorar o algoritmo e serviços.

Klaxoon – Esta start-up francesa desenvolve aplicações que facilitam a colaboração durante reuniões através de questionários, pesquisas e atividades de brainstorming, que representam 30 a 50% do tempo de trabalho de um funcionário numa empresa. Recebeu um financiamento de 50 milhões de dólares (45,3 milhões de euros) da Idinvest, Bpifrance, Sofiouest e do fundo americano White Star Capital. Fundada no final de 2014, em Rennes, por Mathieu Beucher, a Klaxoon já tinha recebido 5 milhões de euros no final de 2016. Esta nova ronda deve ajudar a start-up na investigação e desenvolvimento e reforçar a presença na América do Norte.

DataCamp – Oferece cursos interativos em R, Python, Sheets, SQL e shell. Os alunos podem aprender data science, estatística e machine learning com uma equipa de professores especializados, com aulas de vídeo e desafios e projetos de programação. Com uma comunidade de quase cinco milhões de alunos em todo o mundo em empresas líderes, a DataCamp emprega 205 pessoas e tem escritórios em Cambridge, EUA e Leuven, Bélgica e  Londres. Em dezembro de 2018, obteve 25 milhões de dólares (22,6 milhões de euros) para personalizar os cursos online.

Touch Surgery – Criada por Jean Nehme e Andre Chow, a plataforma Touch Surgery tem como objetivo preencher uma lacuna de formação no que diz respeito à cirurgia. Trata-se de simulador cirúrgico interativo projetado para ajudar os profissionais de saúde, ao fornecer um guia realista e detalhado de todas as etapas de um procedimento cirúrgico. Os utilizadores aprendem como realizar a cirurgia e podem até treinar antes de uma operação. A Touch Surgery possui uma plataforma de gestão de vídeos sobre cirurgia com IA que permite aos utilizadores recuperar informações confidenciais no uploads de vídeo. Com um financiamento total de 20,3 milhões de euros desde a sua fundação, a Touch Surgery leva a formação em cirurgia para o mundo da realidade aumentada.

Primo Toys – A Primo Toys é uma start-up de edtech que visa ensinar as crianças a aprender, criar e brincar utilizando a tecnologia. O seu produto de maior sucesso é o Cubetto, um brinquedo de programação sem ecrã para crianças entre os 3 a 6 anos de idade. O Cubetto consiste em blocos, mapas e livros de histórias que permitem que as crianças aprendam de forma interativa e sejam criativos. Desde que foi fundada, a empresa obteve 1,1 milhão de euros para expandir sua gama de produtos.

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