Por um lado, a visão de quem tem mais de 29 anos de experiência na gestão de negócios e, por outro lado, a inovação da Winegrid, que rastreia digitalmente a produção de vinho desde a prensa até ao engarrafamento. Esta semana, falámos com Pedro Cruz, business angel e CEO da Gallo Worldwide, e Rogério Nogueira, CEO da Winegrid, no Spe Futuri, Investidores, e fazemos agora um resumo desta conversa.

Da próxima vez que degustar um bom vinho, saiba que por detrás pode estar a tecnologia WineGrid, anteriormente conhecida como Watgrid.

A empresa foi criada em 2014, no seguimento de trabalhos iniciados em meio académico por Rogério Nogueira e Lúcia Bilro. Desenvolviam tecnologia para monitorizar líquidos e, inicialmente, estudaram a viabilidade do produto para aplicação em água. Mas à medida que o projeto evoluía, perceberam que tinha características interessante que poderiam ser aplicadas no mercado do vinho. “Daí surgiu o nome WineGrid”, contou Rogério Nogueira no Spe Futuri, Investidores desta semana, ao falar do lançamento da empresa que recebeu investimento de Pedro Cruz.

O business angel e CEO da Gallo Worldwide esteve também à conversa com Ricardo Luz, onde evidenciou a importância da WineGrid, que, ao disponibilizar “uma ferramenta que dá o instrumento aos enólogos que lhes permite criar aquilo que eles querem criar, mas que faz o controlo daquilo que eles querem fazer, e que permite que o consigam fazer em simultâneo com outros projetos ou processos, é algo único”.  Além disso, reforça, “é uma oportunidade de negócio global”.

Leia alguns headlines: 

Pedro Cruz, Business Angel

“Aquilo que eu sempre quis foi fazer este trabalho de criar empresas juntamente com outras pessoas. Isto decorre também de eu fazer parte do painel da Portugal Ventures que me permite analisar várias propostas de investimentos. E deparei-me com a proposta da Winegrid e que achei que era, de facto, uma oportunidade muito interessante”.

“De outros investimentos que faço ligados a outras start-ups na Europa e no Brasil – neste último onde tenho uma ligação maior -, aquilo que eu vejo a desenvolver-se muito são as fintech, motivadas pela revolução dos meios de pagamento que ocorreu na China. Já vemos um grande passo no sentido da substituição dos meios físicos de pagamento. Não estou a ir tão longe com as criptomoedas, mas refiro-me às app de pagamento integrados (…)”.

“Também existe um outro fenómeno que tenho assistido e que está ligado à parte da cibersegurança que está muito desenvolvido – eu particularmente não estou muito ligado a esse . E há ainda um terceiro, onde estamos a procurar oportunidades, que está relacionado com a logística e com a otimização das rotas de entrega, sobretudo a parte final dessa área (…) São áreas que olho com muita atenção, tal como olhei para a Winegrid. Na altura, estava na Grécia a fazer a avaliação da empresa”.

“A oportunidade da Winegrid é uma oportunidade global e eu enquanto investidor não olho para oportunidades que sejam locais”.

“Tive a possibilidade de ajudar o Rogério [Rogério Nogueira, CEO da Winegrid] e a equipa a entrarem com mais facilidade em alguns mercados através de contactos. Uns casos tiveram sucesso e outros nem tanto. Mas foram contactos que rapidamente ajudaram a empresa a ir para geografias onde provavelmente teria mais dificuldade”.

Rogério Nogueira, cofundador e CEO da Winegrid

“A Winegrid tem uma história que não começou com o vinho. Foi fundada por mim e pela Lúcia Bilro. Vínhamos do meio académico, tínhamos desenvolvido em conjunto sensores aplicados a líquidos de uma forma geral e acabámos na altura por apostar em sensores para a água. Tanto que a empresa era originalmente Watgrid. Em determinado momento, descobrimos que o vinho era melhor que a água porque era um mercado mais interessante do ponto de vista de capacidade de decisão e também porque tínhamos uma tecnologia que se aplicava bem a esta área da digitalização da produção de vinho”.

“Temos um elemento diferenciador que é a parte tecnológica e conseguimos digitalizar diversos processos da produção de vinho, desde a prensagem, quando a uva é esmagada e convertida no sumo da uva, no processo de fermentação, onde temos sensores desenvolvidos por nós, com tecnologia proprietária e temos sensores mais à frente que digitalizam a parte onde o vinho depois de fermentado vai estagiar em barricas de madeira. Oferecemos uma oferta integrada de digitalização, desde a uva até à garrafa”.

“Conseguimos que um processo altamente tradicional, já milenar, feito ainda de forma muito manual possa passar a ser feito de forma digital, mantendo ainda a matriz criativa do enólogo”.

“Quando introduzimos uma inovação em qualquer lado, temos vários tipos de receção: os early adopter que estão ávidos de ter uma nova abordagem; os followers e ainda aqueles que nunca na vida, ou seja, os últimos mesmo, é uma inevitabilidade pelo que terão de a adotar. Nós temos tido um misto entre clientes de renome internacional que vêm ter connosco porque começámos a receber alguns prémios e visibilidade (…)”.

Reveja as conversas anteriores:

António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit.
João Brazão, CEO da Eureekka e business angel, e João Marques da Silva, CEO da CateringAssiste.
Francisco Horta e Costa, managing director da CBRE, e Ricardo Santos, CEO da start-up Heptasense.
João Arantes e Oliveira, fundador e partner da HCapital Partners, e Nuno Matos Sequeira, diretor da Solzaima.
Tim Vieira, CEO da Bravegeneration, e Pedro Lopes, fundador da Infinitebook.
Luís Manuel, diretor executivo da EDP Innovation, e Carlos Lei Santos, CEO e cofundador da HypeLabs.
António Miguel, fundador e CEO da MAZE, e Guilherme Guerra, fundador e CEO da Rnters.
João Amaro, Managing Partner da Inter-Risco, e Carlos Palhares, CEO da Mecwide.
Pedro Lourenço, administrador da Ideias Glaciares, e Pedro Almeida, fundador e CEO da MindProber.
Alexandre Santos, diretor de investimento na Sonae IM e cofundador da Bright Pixel, e João Aroso, cofundador e CEO da Advertio.
Francisco Ferreira Pinto, partner da Bynd Venture Capital, e Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill.
Basílio Simões, business angel e fundador da Vega Ventures, e Gustavo Silva, cofundador e CMO da Homeit.
Manuel Tarré, presidente da Gelpeixe, e Nuno Melo, cofundador e sócio da Boost IT.
José Serra, fundador e managing partner da Olisipo Way, e Tocha Serra, Partner & Startup Spotter da Corpfolio.
Stephan Morais, fundador e diretor-geral da Indico Capital Partners, e André Jordão, CEO da Barkyn.
Ricardo Perdigão Henriques, CEO da Hovione Capital, e Nuno Prego Ramos, CEO da CellmAbs.
Pedro Ribeiro Santos, sócio da Armilar Venture Partners, e Jaime Jorge, CEO da Codacy.
Miguel Ribeiro Ferreira, investidor e chairman da Fonte Viva, e João Cortinhas, fundador e CEO da Swonkie.
Cíntia Mano, investidora que está ligada à REDangels e à COREangels Atlantic, e Marcelo Bastos, fundador da start-up Sizebay.
Diamantino Costa, cofundador da Ganexa Capital, e Nuno Almeida, CEO da Nourish Care.
David Malta, Venture Partner do fundo de investimento Vesalius Biocapital, e Daniela Seixas CEO da TonicApp.
Sérgio Rodrigues, presidente da Invicta Angels, e Ivo Marinho, cofundador e CEO da StoresAce.
Alexandre Barbosa, Managing Partner da Faber, e Carlos Silva, cofundador da Seedrs.
Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto, e Nuno Brito Jorge, cofundador e CEO da GoParity.
Paulo Santos, managing partner da WiseNext, e Hugo Venâncio, CEO da Reatia.
João Matos, administrador executivo do dstgroup e presidente e CEO da  2bpartner, e Bruno Azevedo, CEO da AddVolt.
Luís Quaresma, partner da Iberis Capital, e Vasco Portugal, cofundador e CEO da Sensei.
Isabel Neves, business angel, e Rita Ribeiro da Silva, cofundadora da Skoach.
Pedro Tinoco Fraga, fundador da F3M e acionista da Braintrust, da BrainInvest e da BrainCapital, e César Martins, fundador e CEO da ChemiTek.
Roberto Branco, CEO da Beta Capital, e Luís Moreira, cofundador da Bullet Solutions.
Carlos Brazão, business angel,e Ricardo Mendes, cofundador da Vawlt Technologies.
Inês Lopo de Carvalho, partner da Crest Capital Partners , António Brum, diretor-geral do grupo Penta.
Luís Santos Carvalho, cofundador, partner e CFO da Vallis Capital Partners, e Óscar Salamanca, CEO da Smile-up.

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