Os desafios dos últimos meses, o crescimento ainda que moderado das start-ups participadas, o lançamento de um novo fundo e a história de um empreendedor que se torna investidor foram alguns dos temas em destaque no Spe Futuri, Investidores de hoje, que recebeu Alexandre Barbosa, Managing Partner da Faber, e Carlos Silva, cofundador da Seedrs.

Depois de ter lançado há um ano, no Web Summit, o Faber Tech II para start-ups tech no valor de 30 milhões de euros, a Faber Ventures prepara-se para apresentar um novo fundo, revelou Alexandre Barbosa, Managing Partner da empresa, criada em 2012, durante a conversa de hoje do Spe Futuri, Investidores.

Alexandre Barbosa falou ainda de como a sua atividade de investidor foi afetada pela pandemia que o obrigou a adaptar-se e fez um balanço positivo das start-ups participas da Faber Ventures.

Por seu turno, Carlos Silva, cofundador da Seedrs e atualmente também partner da Faber, conta como passou de empreendedor a investidor e partilha a sua experiência como player do ecossistema nacional.

Veja o vídeo desta semana:


Leia alguns headlines.

Alexandre Barbosa, Faber

“Os últimos meses têm sido um desafio creio que para toda a gente. Investimos em equipas e empreendedores apostados em transformar as indústrias onde operam ou os espaços de mercado onde detetam oportunidades através de aplicações práticas de tecnologia, ou seja, tipicamente apoiamos os empreendedores que estão a construir negócios de base de software a partir dos primeiros 1, 2, 3 anos de vida das suas empresas”.

“No nosso caso do ponto de vista do portefólio, as empresas nas quais já participamos são todas elas desenhadas de raiz numa lógica distribuída. Por isso, tipicamente conseguiram ultrapassar rapidamente os desafios destes primeiros meses. São empresas que têm equipas distribuídas à nascença, são empresas que estão a trabalhar em software as a service, infraestruturas todas cloud base. Portanto, em mercados totalmente distribuídos. Por isso, rapidamente transformaram as suas operações e adaptaram-se aos seus desafios”.

“Enquanto investidor, para além dessa prioridade que foi cuidar do portefólio existente e apoiar as equipas a tomarem as decisões de curto, médio e longo prazo para se adaptarem a esta nova realidade, a minha atividade mudou porque o investimento de capital de risco é uma atividade que pressupõe um contacto presencial, um conhecimento mútuo entre investidores e empreendedores para perceber se há fit do ponto de vista de ADN, maneira de estar e de alinhamento sobre como o investidor pode apoiar essa equipa e se faz sentido um investimento para longo prazo”.

“Estamos no last mile de estruturação de um novo fundo e ao longo destes meses foi um desafio completar este processo, apesar de todas as restrições. Felizmente, quer em termos de portefólio, quer de fundraising as coisas correram-nos melhor do que as primeiras perspetivas (…)”.

“A relação da Faber Ventures com a Seedrs nasce de uma forma muito natural. O Carlos e eu conhecemo-nos há 15 anos ou mais (…). Quando o Carlos lançou a Seedrs passado algum tempo auscultou o mercado para perceber que tipo de investidores nacionais poderia fazer sentido juntar-se a uma das rondas iniciais da Seedrs. Na altura, a Faber estava precisamente a estudar como poderia fazer os seus primeiros investimentos fora de Portugal para criar relações de coinvestimento nos mercados mais maduros, nomeadamente Reino Unido e Alemanha. E houve um encontro de vontades”.

“Fomos o primeiro institucional português a apoiar as rondas iniciais da Seedrs. E deste então que temos vindo a manter a relação de parceiro de investimento na Seedrs – através da qual começámos a fazer mais investimentos aí já como leading investor de VC em empresas que se apresentavam na plataforma para reestruturar as suas rondas de investimento com a crowd”.

 

Carlos Silva, Seedrs

“Comecei como empreendedor em 2008/2009 quando decidi fazer um MBA em Oxford já com a ideia de lançar o meu próprio negócio. Na altura tinha algumas potenciais ideias para arrancar pós MBA, mas todas empancavam um pouco na fase de fundraising e à medida que fui aprendendo mais sobre fundraising, quais eram os modelos tradicionais apercebi-me que havia espaço para melhorar esse processo e para o tornar mais eficiente e mais meritocrático”.

“Tive a sorte de interagir com algumas pessoas que me ajudaram muito na altura, nomeadamente duas pessoas que em alturas diferentes me deram exatamente o mesmo feedback. Um é o Reid Hoffman, o fundador do LinkedIn, e Chris Sacca, trabalhou no Google e que hoje em dia é VC nos Estados Unidos. Ambos deram-me o mesmo feedback que é: boa ideia, há mercado, o problema é que do ponto de vista legal tanto quanto sabemos não é possível fazer isto”.

“Em 2012 eramos a primeira plataforma a nível mundial a ter autorização de um regulador de mercado para começar a operar”.

“O meu background é engenharia e eu gosto de resolver problemas, gosto de fazer acontecer, gosto de montar coisas, gosta de estar lá desde o início. Por isso, deu-me imenso gozo lançar a Seedrs, deu-me imenso gozo de fazer chegar a Seedrs até um determinado ponto. Eu não tenho nenhuma paixão particular por criar processos, estruturar a organização, uma fase que vem a seguir à fase inicial e que algumas pessoas fazem muito melhor que eu (…)”.

“Quando saí da Seedrs havia duas coisas que gostava de fazer: uma era arrancar a próxima e passar para o lado do investimento, quer como Business Angel, quer como VC. Por isso, quando o Alexandre me desafiou para eu me juntar à Faber, que tinha uma equipa que eu já conhecia bem, com quem tinha ótima relação (…), e ao mesmo tempo para lançar o próximo fundo, era quase como começar de novo, era um desafio impossível de recusar”.

Reveja as conversas anteriores:

António Murta, fundador e CEO da Pathena, e Renato Oliveira, fundador e CEO da eBankit.
João Brazão, CEO da Eureekka e business angel, e João Marques da Silva, CEO da CateringAssiste.
Francisco Horta e Costa, managing director da CBRE, e Ricardo Santos, CEO da start-up Heptasense.
João Arantes e Oliveira, fundador e partner da HCapital Partners, e Nuno Matos Sequeira, diretor da Solzaima.
Tim Vieira, CEO da Bravegeneration, e Pedro Lopes, fundador da Infinitebook.
Luís Manuel, diretor executivo da EDP Innovation, e Carlos Lei Santos, CEO e cofundador da HypeLabs.
António Miguel, fundador e CEO da MAZE, e Guilherme Guerra, fundador e CEO da Rnters.
João Amaro, Managing Partner da Inter-Risco, e Carlos Palhares, CEO da Mecwide.
Pedro Lourenço, administrador da Ideias Glaciares, e Pedro Almeida, fundador e CEO da MindProber.
Alexandre Santos, diretor de investimento na Sonae IM e cofundador da Bright Pixel, e João Aroso, cofundador e CEO da Advertio.
Francisco Ferreira Pinto, partner da Bynd Venture Capital, e Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill.
Basílio Simões, business angel e fundador da Vega Ventures, e Gustavo Silva, cofundador e CMO da Homeit.
Manuel Tarré, presidente da Gelpeixe, e Nuno Melo, cofundador e sócio da Boost IT.
José Serra, fundador e managing partner da Olisipo Way, e Tocha Serra, Partner & Startup Spotter da Corpfolio.
Stephan Morais, fundador e diretor-geral da Indico Capital Partners, e André Jordão, CEO da Barkyn.
Ricardo Perdigão Henriques, CEO da Hovione Capital, e Nuno Prego Ramos, CEO da CellmAbs.
Pedro Ribeiro Santos, sócio da Armilar Venture Partners, e Jaime Jorge, CEO da Codacy.
Miguel Ribeiro Ferreira, investidor e chairman da Fonte Viva, e João Cortinhas, fundador e CEO da Swonkie.
Cíntia Mano, investidora que está ligada à REDangels e à COREangels Atlantic, e Marcelo Bastos, fundador da start-up Sizebay.
Diamantino Costa, cofundador da Ganexa Capital, e Nuno Almeida, CEO da Nourish Care.
David Malta, Venture Partner do fundo de investimento Vesalius Biocapital, e Daniela Seixas CEO da TonicApp.
Sérgio Rodrigues, presidente da Invicta Angels, e Ivo Marinho, cofundador e CEO da StoresAce.

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