Quem nunca usou a expressão – “se não perguntares, nunca saberás!” ou “se perguntaste é porque vais fazer algo com a resposta!”

A verdade é que fazer perguntas, boas perguntas, é conhecer, aprender e fazer alguma coisa com as respostas, mas pela minha experiência, é muito mais do que isso.

Fazer boas perguntas é uma ferramenta muito poderosa e, quando corretamente, usada pode mesmo ser uma excelente ferramenta de liderança de equipas e pessoas.

Os “líderes-coach” empregam-nas com muita frequência em processos de resolução de problemas, troca de ideias, aprendizagem, criatividade e inovação. Este tipo de liderança, abandona em alguma medida o “comand and control” e opta claramente pelo “ask and advise”.

Esta atitude ou paradigma permite aumentar o grau de confiança entre os membros de uma equipa, principalmente, na resolução de problemas mais complexos.

Normalmente, um problema tem mais do que uma solução, e estas só emergem em ambientes que promovem culturas de grande abertura e partilha de ideias. É precisamente aqui que a mestria de fazer boas perguntas, e estimular o seu uso, faz magia.

Fazer perguntas cria ligações emocionais, demonstra o sentimento genuíno de que quem as coloca, e atribui realmente importância. Fazer perguntas coneta as pessoas, porque, acabamos por encontrar “terrenos comuns” de interesses e, todas as partes ganham.

Mas o que faz uma boa pergunta?

Simples: faz a pessoa parar. Parar para pensar e refletir. Uma boa pergunta é uma questão que não tem direção ou aponta para uma direção. É por esta razão que os “líderes-coach” se focam em fazê-las ou invés de dar as soluções “certas” ou apresentar a solução para tudo.

Uma boa pergunta é “curiosa” e “exploratória”. Por essa razão, são normalmente perguntas abertas (por oposição a perguntas fechadas sim/não).

A chave está na arte de fazer boas perguntas e transformá-las numa conversa. Na verdade, a chave de uma boa conversa, está precisamente na colocação de boas perguntas e de uma escuta atenta, centrando todo o foco no outro e não em nós próprios. Ser e estar genuinamente interessado.

Voltando à obra de Dale Carnegie, da qual partilhei convosco no meu último artigo – “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, cito uma excelente passagem:

“…para ser interessante, torne-se interessado. Faça perguntas a que as pessoas adorarão responder. Encoraje-as a falarem de si próprios e daquilo que fazem…falar em função dos interesses da outra pessoa acaba por compensar ambas as partes…”

Note-se, contudo, que as conversas são profícuas para ambas as partes quando levam a ações concretas. Idealmente conduzem a um plano concreto, a uma intenção clara – resolver um problema, implementar uma nova ideia ou solução. Agir!

Se quiserem aplicar “A Arte das Perguntas” ao mundo das tecnologias de informação, aviso-vos, por experiência própria, de que é uma excelente ferramenta para criar ligações com bons candidatos, desenvolver conhecimento e relação com candidatos mais passivos. Da mesma forma, poderão aplicar, na captação e retenção de clientes, assim como na retenção de talentos dentro da organização.

Podem treinar a formulação de boas perguntas usando “O Quê/Porquê?”, “Como?”, “Quem?”.
Deixo vos aqui três exemplos (simples) que podem aplicar:

De que forma colocar perguntas abertas, poderá ajudar a encontrar o verdadeiro problema?
De que forma colocar perguntas abertas, poderá ajudar a trazer soluções inovadoras para o negócio?
De que forma colocar perguntas abertas, pode despertar o interesse de um candidato passivo?

Agora é a sua vez! Comece a aplicar e verá os bons resultados que poderá ter nas suas equipas e nas pessoas que lidera. Não se esqueça de ser coerente e consistente na sua aplicação. Meça os resultados e analise o que os mesmos lhe demonstram.

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Sobre o autor

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Sónia Jerónimo tem mais de 20 de experiência na área da gestão e liderança de empresas ligadas às tecnologias de informação. Após a sua licenciatura em Economia, iniciou a sua carreira no mundo académico como professora nas áreas de Economia... Ler Mais