Se há algo que aprendemos com esta situação, é que é nas piores alturas que se vê uma nação. A celeridade com que vários projetos foram criados, desde o SOSVizinho, o Tech4COVID19, entre outros, mostrou-nos que um país não se faz pelos seus governantes, mas sim pelos seus cidadãos.

A situação que vivemos era impossível de prever, mas será que era impossível de preparar? Estamos apenas a vivenciar a ponta do icebergue daquele que será um dos maiores desastres económicos para as micro e pequenas empresas em Portugal. Não vamos generalizar, uma vez que há empresas que se estão a adaptar muito rapidamente ao dia a dia que vamos vivenciando com incerteza.

É em momentos como este que devemos estar unidos e apoiar-nos mutuamente, uma vez que esta “onda” nos apanhou desprevenidos. Mas é também altura de refletir, de pensar e de ponderar sobre a estratégia da nossa organização e para onde caminhamos. Falamos de uma aldeia global, onde passamos de um escritório central para mais de 100 pontos de contacto físicos, de um ambiente formal para um ambiente informal, para nos pautarmos por resultados e não por horários, onde vamos deixar de medir as horas de expediente e passar a medir a performance dos nossos colaboradores.

Esta é também a altura de percebermos que não existe online e offline, existe apenas uma realidade. A realidade do dia a dia das pessoas. Pessoas essas que são os nossos utilizadores, os nossos consumidores.

Está na hora de perceber que o digital é mais do que falar em marketing digital, mais do que falar em redes sociais, em publicidade online ou websites. O digital é uma forma de estar dos utilizadores e faz parte do seu ADN.

Se há um lado bom do COVID-19? O lado positivo é ver o que estamos a aprender com este problema. Trabalhar remotamente para algumas empresas ainda é visto como uma zona cinzenta? Deixou de o ser. Reuniões que demoravam várias horas? Deixou de o ser. Que o empreendedorismo é um mar de rosas e de títulos bonitos? Deixou de o ser. Que nem todas as instituições de ensino tinham aulas em formato e-learning? Deixou de o ser.

Nunca a distância social nos aproximou tanto, e esta é uma frase que para mim faz tanto sentido.

Não é altura de baixar os braços, é altura de repensar a estratégia de todas as organizações que foram afetadas por esta crise (podemos chamar-lhe de uma verdadeira crise). É altura de avaliar o nosso modelo de negócio e de que forma é que a jornada do consumidor pode começar ou acabar no contexto digital.

Continuamos a insistir que não faz sentido estender uma ramificação do negócio para a vertente online, mesmo que nenhum dos meus concorrentes esteja presente? Há questões que nos deviam deixar.

A mudança nos hábitos de consumo, que o COVID-19 trouxe, é apenas uma pequena mudança no paradigma e que trará as organizações para uma reflexão sobre aquilo que o digital pode fazer pelas suas empresas, não hoje, não amanhã, mas quando a próxima grande crise aparecer e que consigamos estar preparados para sobreviver à mesma.

Independentemente do problema, temos de arregaçar as mangas e encontrar um caminho alternativo, um caminho melhor que possa ser medido. É aqui que entra o marketing de braço dado com o digital. Pois só o que é medido é que pode ser melhorado.


Tiago Almeida Nogueira é licenciado pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e pós-graduado em Gestão de Serviços pela Faculdade de Economia do Porto.Trabalha no Grupo Salvador Caetano, numa equipa de aceleração digital, onde trabalha marcas como a Honda, Hyundai, Enterprise, Guerin, entre outras. Anteriormente teve uma passagem de três anos pelo departamento de marketing digital da Prozis.

Também é diretor da Associação de Digital Marketers, onde é responsável pelo evento mensal os Digital Drinks do Porto e por promover a associação na região Norte. A par disso é docente em várias pós-graduações em Marketing Digital, na Universidade Lusófona do Porto, Instituto Superior de Administração e Gestão, Instituto Politécnico de Viana do Castelo e Universidade do Minho. É também docente no âmbito do E-commerce e coordenador científico da formação em E-commerce da D. Dinis Business School e do Programa de E-commerce Avançado para a Internacionalização da Universidade do Minho, em parceria com o AICEP.
Dá formação na Associação Portuguesa de Anunciantes, na EDIT-Disruptive Digital Education, na FLAG, na ANJE, no Instituto CRIAP e é docente internacional no IPOG, no Brasil. Ainda é mentor na Startup Braga.

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