Os líderes estão por norma sujeitos a muita pressão e a críticas frequentes, vindas de todos os lados. Mas e quando é a autocrítica que entra na equação? O mindfulness pode dar uma ajuda.

Para muitos líderes o controlo contínuo das emoções e uma postura assertiva são a melhor maneira de atingir os objetivos. Aliás, muitos consideram ser esta a única forma de atingir as metas. Por vezes, esses líderes, sejam eles CEO’s, chefes de departamentos ou supervisores, até podem ser excelentes a mostrar compaixão para com os colaboradores, colegas ou famílias, mas “lutam” com eles próprios e com as suas emoções.

Kasia Olszko, coach de mindfulness para empresas e indivíduos, considera que é importante os líderes entrarem em contacto com este outro lado e serem também os seus maiores apoios e amigos. Numa recente entrevista ao site Quartz, a coach, sediada em Barcelona, considera que o primeiro passo nesse sentido é uma prática de mindfulness chamada auto-compaixão.

Olszko explica que mindfulness se trata de um processo psicológico que ajuda a destacar as experiências que ocorrem no presente sem julgamento sobre o ocorrido. Pode ser desenvolvido, por exemplo, através da prática de meditação e nos últimos tempos sido cada vez mais apontado como uma forma de reduzir o stress na vida profissional.

Usado na gestão, o mindfulness apela a estilos de liderança mais solidários e humanitários, onde o reconhecimento das limitações e fraquezas poderá ser uma forma de fortalecer essa mesma liderança. Kasia Olszko lembra que é fácil reconhecer a importância de prestar atenção a nós próprios, porém, quando se atingem cargos de grande responsabilidade, é difícil pôr esses princípios em prática.

Em declarações à Quartz, Kasia Olszko refere que após ultrapassar os obstáculos iniciais, esta abordagem traz mais crescimento pessoal, maior criatividade e capacidade de lidar com problemas aparentemente insolúveis, como por exemplo o medo de falar em público.

A coach de reflete que um ambiente de trabalho onde a liderança está focada no perfeccionismo, embora possa produzir bons resultados de trabalho, cria um ambiente profissional com elevada pressão e não deixa a equipa feliz e construtiva. Considera ser importante evitar erros, mas a empresa não deve criar uma cultura onde qualquer falha pareça fatal. Ao tornar o ambiente mais descontraído, menos punitivo, as equipas tornam-se mais criativas e produtivas.

“Não mostrar fraqueza ou sentimentos” são requisitos de liderança?
Socialmente existe uma pressão para “ser forte”, que se manifesta de forma diferente para líderes femininos e masculinos. No caso dos líderes masculinos a pressão incide em parecer poderoso e bem-sucedidos, todavia no caso das líderes mulheres existe um peso social para esconder as emoções de forma a que não sejam rotuladas como dramáticas ou desequilibradas. Bloquear a manifestação de emoções negativas não faz com que estas desapareçam. A “autocompaixão” ajuda a aceitar e a assumir todas essas emoções. Encarar rapidamente essas emoções é um sinal de força enquanto líder e pode torná-lo mais empático face às outras pessoas da equipa, aconselha Kasia Olszko.

Para dar o primeiro passo na “autocompaixão”, o líder deve iniciar uma meditação positiva sobre aqueles com quem se relaciona, por exemplo amigos, família, colegas de trabalho, em conjunto com uma espécie de mantra. Finalmente, no caso do processo ser liderado por um coach de mindfulness  esse pensamento deve direcionar-se para o próprio gestor e neste caso substitui o mantra por palavras de encorajamento e auto-louvor. Porém, esta segunda parte pode ser extremamente difícil de realizar, pois  caso o controlo de emoções seja prolongado e forte, poderá despoletar reações intensas.

Algumas sugestões “faça você mesmo”

No caso do gestor não ter a possibilidade de ser acompanhamento por um coach, há alguns passos que pode realizar sozinho. Kasia Olszko sugere três para realizar este objetivo:

Tomar consciência do diálogo interno – Para começar o líder deve registar todos os momentos em que toma consciência que está num diálogo interior e quais os sentimentos que esse diálogo desperta. Fazer anotações é mais eficaz do que simplesmente tentar memorizar esses momentos. Este procedimento deve decorrer durante uma semana.

Aproveitar a auto-compaixão – Qualquer pessoa tem momentos em que sente emoções penosas. Durante essas circunstâncias, ou logo após a experiência, deve-se tirar um momento para reconhecer o sentimento e admitir que não há problema em experimentar a emoção. Ou seja é uma oportunidade para tomar consciência de que o líder está a ter aquele sentimento, e que milhares de pessoas em todo o mundo podem estar a sentir exatamente o mesmo, o que permite pôr a situação em perspetiva.

Desenvolver um mantra – Este passo é muito simples. Pode ser uma frase de encorajamento e apoio como “Está tudo bem” ou algo mais elaborado. O mantra deve ter as palavras de apoio e consolo que alguém diria para animar um amigo próximo. O mantra deve usado em alturas de stress, para auto-encorajamento

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