Opinião

Ser criança é ser feliz…

Mariana Torres, national franchisor da Helen Doron Portugal

O direito à felicidade foi reconhecido pela UNICEF como um direito fundamental de qualquer criança e considerado tão importante quanto o direito a cuidados de saúde, alimentação, afeto.

Mas o que é, afinal, ser feliz? O conceito de felicidade é naturalmente lato, quando pensamos em seres humanos adultos, com personalidades e necessidades diferentes. Ao longo da nossa vida, vamos construindo a nossa personalidade e vivendo experiências que condicionam o nosso estado de espírito e nossas expetativas perante a vida. No entanto, nas crianças, a ideia de felicidade torna-se mais fácil de analisar.

Não esquecendo que a personalidade se começa a desenvolver ainda no útero materno, e que cada criança é um ser humano diferente, é bastante mais fácil fazer uma criança feliz. Se pensarmos bem, assumindo que as necessidades básicas de alimentação, educação e afeto estão reunidas, as crianças têm menos expetativas pois ainda não viveram tantas experiências quanto os adultos. Uma ida ao parque, um doce ou um simples abraço podem ser encarados como estímulos óbvios de felicidade para uma criança.

Vários estudos comprovam que crianças felizes têm maior probabilidade de serem adultos bem resolvidos, afetivos, com apetência para o sucesso profissional e com a capacidade de contribuir para a felicidade dos que os rodeiam também.

Mas a felicidade das crianças advém também dos estímulos a que as expomos desde tenra idade. A exposição a experiências novas, imersão cultural, aprendizagem de uma segunda língua, desenvolver do palato, introdução de novas brincadeiras também contribuem para o bem-estar dos mais novos.

Se refletirmos bem, o próprio conceito de brincar também se tem vindo a alterar ao longo dos tempos. Não precisamos de recuar muito no tempo, as histórias das brincadeiras dos meus pais incluem berlindes, piões e subir a árvores. Na minha geração, as distrações já foram diferentes. Maior variedade de brinquedos, preços mais acessíveis, e a globalização de matérias e produtos fez com que crianças em Portugal e na China brincassem de formas semelhantes. O desenvolvimento tecnológico também foi um fator determinante nestas alterações, com tudo o que trouxe de positivo e de negativo. As consolas de jogos, as interações online, a própria escola virtual, remeteram o brincar para um nível menos real, menos verdadeiro e mais imaginário.

Pensando na geração dos meus filhos, de 6 e 3 anos, smartphones, tablets e televisões inteligentes fazem parte do seu quotidiano. Por muito que tentemos limitar ou condicionar, já podem ver desenhos animados em diferentes plataformas, sem ser em tempo real, e até repetir o mesmo episódio as vezes que quiserem. Os próprios brinquedos tradicionais como LEGO, por exemplo já incluem QR Code para instruções de montagem se preferirmos esta versão ao tradicional papel.

Enquanto mãe e profissional da área da educação, não sou fundamentalista quanto à utilização das novas tecnologias na educação e diversão dos mais novos. Como em tudo, acredito que o segredo reside no equilíbrio entre essas atividades e outras mais físicas, que obrigam a uma interação presencial com amigos ou família ou que remetem as crianças para um imaginário próprio. As lutas, brincadeiras de bonecas, construções, puzzles são dinâmicas que não só potenciam o desenvolvimento dos mais novos como obrigam as famílias a estarem juntas, numa era em que o tempo é raro e precioso. Os horários de trabalho em Portugal são dos mais exigentes da Europa, sendo que estamos no ranking de maior número de horas semanais, mas menor produtividade. Assim sendo, os pais chegam tarde a casa e grande parte do tempo com os seus filhos é gasto em logística de banhos, refeições e trabalhos de casa.

Há que arranjar espaço e agenda para brincar, para partilhar, para que as crianças possam ser crianças e consequentemente, serem felizes.

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Mariana Torres

Mariana Torres

Mariana Torres é national franchisor em Portugal da marca Helen Doron English, um método de ensino da língua inglesa que vai desde os bebés com três meses até aos jovens com 19 anos. Em 2012, abriu a sua primeira unidade como franchisada dos centros de ensino de inglês Helen Doron English, em Odivelas. Passado um ano, assumiu o master da marca em Portugal. É também vogal do Conselho de Administração da Fundação Lapa do Lobo. Mariana Torres é licenciada em... Ler Mais..

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