No meio onde fui “criada”, out of the box deve ser das expressões mais utilizadas – empatada com look and feel – porque todas as campanhas e produtos devem ser originais, divergentes, inovadoras e únicas (outras palavrinhas mágicas para os marketeers e, principalmente, para os clientes).

Acontece que quem está “dentro da caixa” tem vindo a ganhar terreno. Um extenso estudo feito pela Mckinsey & Company revelou que este mercado está a crescer exponencialmente, nos Estados Unidos. E já não é apenas em serviços de streaming, como a NetFlix ou o Spotify – que contavam com cerca de 46% de subscritores, entre as pessoas que fazem compras online –, mas também em produtos de grande consumo, estando o segmento das “box” a ganhar expressão, contando já com 15% dos consumidores online a subscrever pelo menos uma.

Se ainda não faz parte deste grupo, pense numa coisa de que goste muito (vinho, chocolates, chá, o seu cão) e noutra que use todos os dias (meias, escova de dentes, produtos de barbear). A probabilidade de haver uma empresa que lhe entrega uma seleção dos produtos em que pensou, em sua casa, mensalmente é cada vez maior. Estas caixas, compostas por um sortido de produtos relacionados com um tema, são normalmente vocacionadas ou para nichos de mercado, ou para produtos de desgaste rápido. As primeiras, têm como característica principal o facto de serem personalizadas, ajustadas ao seu gosto e preferências. As segundas, têm a vantagem de não ter de se preocupar, porque sabe que terá lâminas de barbear novas à sua porta, antes mesmo das suas terem acabado.

Em Portugal, a oferta ainda é reduzida, mas posso dizer-lhe que, no meu caso, para além de ouvir música e ver séries através de subscrições, recebo regularmente a minha escova de dentes de bambu, vários produtos de higiene biológicos e flores frescas sem ter de fazer nada. Bastou-me uns quantos cliques, responder a algumas perguntas e deixar que debitem o respetivo valor da minha conta. E só não recebo artigos de decoração porque a IKEA ainda não entrou no negócio (fica a dica).

Receber caixas em casa com produtos escolhidos especificamente para nós, a preços competitivos e, muitas vezes, surpresa, é verdadeiramente aliciante. Com o extra das embalagens serem normalmente muito “instagramáveis”. Como era expectável, os principais consumidores são os millennials, para quem as melhores marcas são as que aliam um excelente serviço à experiência que proporcionam, com o extra de os conseguir fazer sentir especiais e únicos.

Não quero com isto dizer que o sucesso do seu negócio está guardado numa destas caixas, e este modelo poderá não fazer sentido em muitos mercados (pelas caraterísticas dos produtos, reduzida dimensão do potencial de consumidores, ou logística envolvida), mas cabe-nos a nós, gestores, olharmos para estas novas modalidades como veículos de fidelização às marcas que gerimos e pensarmos se nas nossas empresas, nos nossos setores, existem formas de aplicarmos os princípios por trás deste modelo, que tanto aliciam a maior fatia de consumidores do mundo: exclusividade, personalização, surpresa, partilha, novas experiências e comodidade. Podemos ainda não ter percebido, mas talvez esteja na hora de procurarmos inovar dentro da caixa.

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Rita Viegas é uma millennial convicta, apaixonada por pessoas e viciada em comunicação. Atualmente é gestora de projetos na OZ Energia, tendo sido anteriormente diretora de marketing da Eastbanc e desempenhado vários cargos em áreas de marketing e comunicação em... Ler Mais