Entrevista/ “Queremos ter em Lisboa equipas focadas em pesquisa, desenvolvimento e programação”

Nádia Pais, diretora global de Recursos Humanos SWVL

A SWVL acaba de anunciar o lançamento do seu primeiro Tech Hub em Lisboa, tendo como objetivo contratar 150 colaboradores até 2020 para posições altamente qualificadas em engenharia e programação. O Link To Leaders falou com Nádia Pais, diretora global de Recursos Humanos da SWVL, para perceber o que levou a scaleup de mobilidade egípcia a escolher a capital portuguesa para operar.

A SVWL foi fundada em 2017 por Mostafa Kandil, Ahmed Sabbah e Mahmoud Nouh, três jovens empresários egípcios, e começou por ter como objetivo mudar a forma como se viaja na região do Médio Oriente e Norte de África. A empresa, considerada um uma scaleup, isto é, uma empresa de alto crescimento que apresenta um aumento de 20% nas suas receitas ou no seu número de funcionários ao longo de três anos consecutivos., disponibiliza um sistema de autocarros baseado numa aplicação. Os utilizadores que se dirigem na mesma direção podem partilhar rotas fixas por uma tarifa única.

Na semana passada, a SWVL anunciou a sua chegada à Europa, tendo escolhido Lisboa para instalar o seu hub tecnológico. Nos planos da empresa está a contratação de 150 pessoas para integrarem os seus escritórios, instalados no LACS Anjos.

Nos últimos dois anos, a scaleup angariou 73 milhões de euros em várias rondas de financiamento e conta, neste momento, com a maior ronda levantada por uma empresa egípcia, no valor de 36 milhões de euros.

Ao Link To Leaders, Nádia Pais, diretora global de Recursos Humanos da SWVL, fala dos planos de expansão da scaleup que está presente em três países e sobre a oferta de talento tecnológico a nível local e internacional.

O que levou a SWVL a escolher Lisboa para lançar o seu primeiro Tech Hub?
Lisboa tornou-se num ponto de referência para as start-ups: é data friendly, o talento é incrível, a cidade é muito competitiva e o tech veio sem dúvida ajudar nesta decisão.

De que forma vê o Tech Hub de Lisboa como um escritório estratégico para a empresa?
O propósito de escolhermos Lisboa é atrair e reter o melhor talento. Esta decisão acaba por ser estratégica, pois planeamos ter um centro de excelência em Lisboa, onde as nossas equipas possam estar focadas em pesquisa e desenvolvimento e também em programação. Estas equipas irão trabalhar globalmente nestas áreas.

“A estratégia passa por contratar um líder que nos possa ajudar a atrair o melhor talento para 150 perfis altamente qualificados”.

Irão contratar 150 colaboradores até 2020. Qual será a estratégia de contratação?
Vamos começar por desenvolver a backend infrastructure e pesquisa e desenvolvimento. A estratégia passa por contratar um líder que nos possa ajudar a atrair o melhor talento para 150 perfis altamente qualificados.

O que vos atrai no talento português?
A educação em Portugal é muito forte e o nível de inglês bastante avançado. Além disso, contamos com universidades de referência que formam e ajudam no desenvolvimento do tipo de talento que procuramos.

Qual é a média de idades das pessoas que contratam? E o que mais privilegiam nas contratações?
A idade não é um factor decisivo, o que procuramos é a motivação para crescer e resolver problemas, fazer a diferença. O ritmo é bastante acelerado e, por isso, procuramos pessoas com uma elevada capacidade de adaptação e que contribuam para o crescimento da SWVL.

“A estratégia passa por contratar uma equipa forte de recrutadores, com experiência internacional, PR, LinkedIn”.

A SWVL opera em três países, seis cidades  e tem planos de expansão para mais cidades em África e sudeste asiático até ao final deste ano. Qual tem sido a estratégia de recursos humanos da empresa?
A estratégia passa por contratar uma equipa forte de recrutadores, com experiência internacional, PR, LinkedIn. A presença em várias feiras de emprego tem ajudado na atração de talento não só local como global.

Quais são as grandes diferenças entre os profissionais que integram as vossas equipas nos países onde estão presentes?
É uma pergunta difícil de responder. Nos países onde operamos, atualmente as culturas são completamente diferentes e torna-se, por vezes, desafiante gerir os hábitos culturais com o trabalho.

De que forma o facto de ser uma empresa jovem, liderada por um jovem de 26 anos tem tido implicações no sucesso da empresa?
A motivação, a energia e a vontade de crescer fazem sem dúvida a diferença. E essa energia acaba por passar para os colaboradores, fazendo com que queiramos crescer cada vez mais.

Onde encontram os melhores profissionais e porquê?
Depende do perfil que procuramos, mas diria que a Índia é um mercado forte ,pois a formação e motivação é bastante elevada, tornando-os profissionais de relevância.

“A Alemanha é uma referência na qualidade dos profissionais, pois aposta no desenvolvimento dos trabalhadores e proporciona as melhores condições de trabalho (…)”.

Qual o país europeu que considera ser uma referência na qualidade dos profissionais e na retenção de talentos?
Penso que a Alemanha é uma referência na qualidade dos profissionais, pois aposta no desenvolvimento dos trabalhadores e proporciona as melhores condições de trabalho, incluindo um equilíbrio trabalho-vida pessoal, algo extremamente importante para a vida de qualquer trabalhador.

O que gostaria de ter implementado na SWVL e ainda não conseguiu?
Um sistema forte de gestão de desempenho, pois inicialmente concentrámo-nos em estabelecer todas as políticas e procedimentos para garantir um bom funcionamento da empresa e que fosse justo e padronizado globalmente. Contudo será implementado neste trimestre.

Qual é para si uma empresa ideal para trabalhar?
Uma empresa em que possamos contribuir diariamente com novas ideias, que tenhamos liberdade e autonomia baseada na confiança. Uma empresa que invista no conhecimento e desenvolvimento do talento dos trabalhadores.

Respostas rápidas:
Principal risco: Crescimento rápido
Maior erro: Não ter uma equipa de RH desde o início
Maior lição: Pessoas importam
Maior conquista: Paquistão – inaugurámos três cidades em dois meses

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