Ajudar os estudantes internacionais que escolhem Portugal para estudar é a missão do projeto Education Network. A jovem brasileira Michelle Correia, cofundadora da iniciativa, explicou ao Link to Leaders como funciona esta rede de apoio.

Como surgiu o projeto Education Network?
Fundei este projeto com o Tim Vieira [conhecido empresário, investidor e ex-Shark Tank]que identificou uma oportunidade: trazer sul-africanos para estudarem em Portugal. Não só por ter notado o crescimento da necessidade destes em praticarem mobilidade internacional (algo que aumenta a cada ano), mas por considerar Portugal um destino de excelência, seja pela qualidade do ensino, seja pela qualidade de vida.

Eu, por minha vez, desde a faculdade que ajudo os alunos internacionais a adaptarem-se e a integrarem-se quando chegam em Portugal, ainda mais porque passei pelo mesmo quando vim do Brasil. Foi fácil identificar as barreiras e construir um serviço que se adequasse às necessidades dos alunos.

Começamos a desenvolver a ideia em 2017 e iniciamos a nossa atividade em fevereiro deste ano. Neste meio tempo também recebemos muitas contribuições de pessoas que atuavam na área, de forma a saber qual seria a melhor maneira de atrair alunos.

Qual é o objetivo do projeto?
É colocar Portugal no mapa como um destino de excelência no que diz respeito à mobilidade internacional. Neste momento, a maior parte dos jovens não tem conhecimento sobre a qualidade do ensino do país, nem sobre todos os benefícios de que podem usufruir ao viver aqui, o que inclui uma população que, apesar de ter o português como sua língua nativa, se sente extremamente confortável em falar inglês. O intuito é que, quando pensarem em estudar fora, considerem sempre Portugal como uma das primeiras opções.

Quais os serviços que garantem aos jovens que procuram o Education Network?
Apoio na aquisição do visto: o que inclui revisão dos documentos, marcação de entrevistas e coaching (caso necessário); guia na procura de acomodação e descontos em serviços de parceiros; pickup no aeroporto; abertura de conta no banco (o estudante chega com conta aberta e só precisa fazer o primeiro depósito para concluir o processo); apoio na aquisição do NIF e na inscrição no centro de saúde da sua zona de residência; tratamos do passe de transportes públicos, oferecemos um SIM Card carregado para o primeiro mês; contactamos os alunos responsáveis pela integração dos nossos alunos na universidade de forma a perceber se está tudo a correr bem; oferecemos um cartão de estudante internacional que oferece mais 150 mil benefícios em mais de 130 países; e prestamos apoio constante, em qualquer coisa que o aluno precise, desde a hora em que chega até a hora em que se vai embora.

Neste momento apoiam apenas estudantes sul-africanos? Como pensam alargar a vossa ajuda?Começamos a atuar na África do Sul, mas já estamos em contacto com possíveis parceiros na Colômbia e no Brasil.

O que têm feito para dar a conhecer o projeto?
Através de road shows visitamos escolas e parceiros que possam divulgar a oportunidade junto aos seus alunos. Participamos em feiras de carreiras e exposições internacionais, para que os alunos, quando começarem a pensar no seu futuro, encontrem Portugal e as instituições de ensino das quais somos parceiros como boas opções.Temos uma equipa internacional que trabalha diretamente nos locais em que atuamos. Além disso também utilizamos ferramentas de marketing digital e relações públicas internacionais, procurando sempre saber qual é o melhor canal de comunicação de acordo com o local em que atuamos.

Neste momento, quantos estudantes estrangeiros estão no nosso país a estudar com a ajuda do projeto?
Iniciamos a atividade em fevereiro deste ano, quando fizemos o nosso primeiro road show na África do Sul. Os resultados são melhores do que pensávamos, tivemos mais de 15 estudantes em fase final de candidatura, houve alguns que ingressaram em setembro e outros que irão começar as aulas em fevereiro.Tudo depende de quando as aulas terminam no país deles.

Quais as iniciativas que têm previstas para atrair mais estudantes?
Participar, cada vez mais, em feiras internacionais e também organizar um Summer Break em conjunto com escolas dos países de origem, oferecendo um pacote de viagem a Portugal que inclua atividades na universidade e um pouco de diversão nas nossas praias. Acho difícil que eles não queiram mudar-se para cá depois desta experiência.

Fecharam uma parceria com a Nova SBE. Em que é que consiste?
A nossa parceria com a Nova SBE consiste numa apresentação da instituição ao redor do mundo, em todos os eventos que participarmos. Somos responsáveis por fazer a sua divulgação, sempre respeitando a sua forma de comunicação, para que os alunos considerem a possibilidade de candidatura. Até organizamos uma visita com lendas do Rugby da África do Sul ao novo Campus, em Carcavelos, para divulgar a Nova SBE.

Nós angariamos leads, instruímos os alunos quanto ao processo de candidatura e guiamo-los, passo a passo, até estarem admitidos. Nesta altura, por sua vez, passamos a segunda fase e damos seguimento à oferta dos nossos serviços, o que, para o alunos da Nova SBE, é completamente gratuito.

Que outras parcerias estabeleceram?
A Nova SBE e a Oeiras International School são as primeiras parceiras no que diz respeito a instituições de ensino. Fora isso, de forma a construir o melhor serviço de apoio aos estudantes, somos também parceiros da Global International Relocation, Erasmus Life Lisboa, Uniplaces, ISIC e da Pam Golding International. Contamos também com o apoio da Câmara Municipal de Cascais. Fora de Portugal, temos parcerias com aproximadamente 30 instituições, direta ou indiretamente relacionadas com o ensino.

Este é um momento propício para quem tem interesse em estudar em Portugal?
Sim, não só começamos a apresentar cursos lecionados completamente em inglês, reconhecidos e acreditados internacionalmente, o que abre portas ao mundo, como também foram decretadas, no dia 1 de outubro, novas regras para vistos e autorizações de residência para quem deseja vir para Portugal. Agora, o regime para os estudantes está muito mais simplificado e agilizado.

Quais as razões que pesam mais na hora de um estudante estrangeiro escolher Portugal?
No lado positivo, podemos mencionar principalmente a segurança, estar situado na Europa, o clima e o custo de vida baixo. No lado negativo, por falta de conhecimento, muitos alunos acreditam que não vão conseguir viver aqui se não souberem falar português.

Quais as grandes barreiras que ainda se colocam aos jovens que querem escolher Portugal como destino para estudar?
A falta de informação em inglês sobre os procedimentos envolvidos na mudança e a complexidade de alguns processos burocráticos, tal como uma explicação sobre os órgãos públicos portugueses e qual a funcionalidade de cada um deles. Já preparamos um ebook sobre os documentos necessários para vir estudar em Portugal, chamado “Education Network Document Guide” e agora estamos a preparar um “Guia prático para viver em Portugal”, que deve ficar pronto até o fim do ano.

Qual o país exemplo na capacidade de atrair jovens estudantes para as suas instituições de ensino?
Os países que mais recebem estudantes são os Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, França, Alemanha e Rússia. Enquanto que as maiores fontes de alunos que decidem estudar fora do seu país são a China, a Índia, a Alemanha, a Coreia do Sul, a Nigéria, a França e a Arábia Saudita.

Projetos para o futuro do Education Network?
Pretendemos “atacar” mais os países que são fonte de alunos, mas ainda estamos a desenvolver uma estratégia de penetração no mercado.

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