Além das estatísticas globais do mercado europeu, o “Annual Statistics Compendium”2018, da European Business Angels Network (EBAN), também revela os critérios preferenciais dos Business Angels quando se trata de escolher projetos para investir.

Depois de termos analisado os investimentos dos Business Angels europeus no ano passado, impõe-se abordar quais os fatores que estes privilegiam como critérios de seleção na hora de escolher os projetos ou start-ups onde decidem colocar o seu dinheiro. O “Annual Statistics Compendium”, da European Business Angels Network (EBAN), conclui que, mais uma vez, 90% dos BA concentram-se na qualidade da equipa como fator decisivo para efetuar um investimento. Seguem-se o potencial de crescimento do projeto (51%) e a ideia (50%). Já a qualidade do plano de negócios, apesar de ser um aspeto relevante, não parece ser prioritário para os BA tendo em conta que foi referenciado apenas por 24%.

Ainda no campo dos parâmetros que os BA contemplam, destaque também para os fatores que impactam negativamente as decisões de investimento. São os casos, por exemplo, do alto risco dos projetos (87,6%) e das avaliações exageradas (55,1%), duas das principais razões apontadas pela maioria dos BA para não avançar com um investimento. Também são elementos de dissuasão não existirem outros investidores (11,1%), o projeto estar geograficamente distante do investidor (9,8%), não saber como negociar com o empreendedor (9,2%).

Curiosamente, apenas 7% dos entrevistados indicaram o baixo retorno de investimento como razão para não investirem, um dado que pode revelar que a maioria dos projetos apresentados aos BA tem, pelo menos no papel, um potencial aceitável.

Em relação ao perfil de alto risco, estes resultados indiciam que os empreendedores ou desconhecem todos os riscos associados ao seu plano de negócios ou não abordaram adequadamente todos os riscos envolvidos.

Problemas que impedem o investimento
O “Annual Statistics Compendium” 2018 identifica ainda quais são os principais problemas, ou riscos, que tradicionalmente, impedem os BA de investir. Questionados sobre esta matéria pela análise da EBAN, concretamente sobre os principais problemas e razões que os levam a não investir em start-ups de tecnologia e não tecnológicas, as respostas concentraram-se, sobretudo, nos aspetos da procura de mercado, na competição do mercado, na estrutura da equipa, na capacidade de execução e, finalmente, na valorização da empresa

É interessante notar que, enquanto os empreendedores tendem a concentrar-se no produto / tecnologia, os investidores estão mais interessados em saber se há um mercado para o produto / serviço e se a equipa é capaz de executar a sua ideia de negócio. Por isso, se os empreendedores se concentrarem mais no mercado, nos seus planos de negócios e apresentações, podem aumentar as hipóteses de serem financiados.

Quanto tempo dedicam aos projetos
Este ano o Statistics Compendium também contemplou uma avaliação à forma como os Business Angels agregam valor, além do financiamento propriamente dito, às start-ups em que apostam. No ano passado, a EBAN fez uma pesquisa junto de uma amostra de 90 investidores ativos de 11 países da Europa, sobre o número de horas que dedicam às start-ups que integram o seu portefólio e em que tipo de atividades.

Em média, um BA com 12 empresas no portefólio gasta cerca de 23,5 horas por mês para ajudá-los de várias formas. Por exemplo, cerca de 9 horas são usadas em aconselhamento, 3.9 horas em reuniões do conselho de administração, 3.4 horas em operações, ou 2.2 horas em intermediação financeira.

O relatório de atividade dos Business Angels na Europa em 2018 foi revelado recentemente pela European Business Angels Network (EBAN) e fornece informações sobre o mercado, bem como sobre as networks de BA que operam no continente e a visão sobre as suas atitudes de investimento.

Comentários