Trabalhou na L’Oréal como responsável pelas marcas de Haircare e pela implementação do site da Garnier. Estudou Gestão de Empresas na Universidade Nova de Lisboa e E-Business na London School of Economics. Hoje, é sócio fundador da Learn to Grow, da Boost Your Digital, da Convert e da Emotion Films Production. Em entrevista ao Link To Leaders, Martim Oliveira fala-nos de como criou, em cinco anos, um grupo de quatro empresas.

A Learn to Grow, empresa de formação direcionada para B2B, nas áreas de Vendas, Comportamentais, Recursos humanos e Marketing Digital, foi a primeira aposta de Martim Oliveira. Seguiu-se a Boost Your Digital (BYD), uma agência de Marketing Digital, focada em aumentar as vendas e os resultados dos seus parceiros.

Depois de quatro anos a trabalhar no digital, percebeu que havia espaço para criar uma empresa que fizesse o trabalho anterior à implementação de Marketing Digital. Surge então a Convert, uma consultora de Marketing Performance. E, em 2018, cria a Emotion Film Production, para suprir as necessidades do vídeo nas estratégias digitais.

Em cinco anos, o grupo de Martim Oliveira passou de 2 para 30 pessoas, com faturações que atingem os 3 milhões de euros. Ou seja, um crescimento médio anual de 68%. E promete não ficar por aqui: dentro de um ano o processo de internacionalização será o principal foco.

Learn to Grow, Boost Your Digital, Convert e Emotion Films Production ? O que distingue, e aproxima, estas empresas criadas por si?
A Learn to Grow foi a nossa primeira aposta. Uma empresa de formação direcionada para B2B, essencialmente nas áreas de Vendas, Comportamentais, Recursos humanos e Marketing Digital. A certa altura percebemos que existia um gap no mercado de agências orientadas para resultados. Em Portugal existiam agências criativas de grande qualidade, mas faltavam empresas que tivessem um foco em performance. É assim que nasce a Boost Your Digital (BYD), uma agência de Marketing Digital, com ADN 100% digital e muito focada em aumentar as vendas e resultados dos nossos parceiros.

Depois de quatro anos a trabalhar no digital, percebemos que havia espaço para criar uma empresa que fizesse o trabalho anterior à implementação de Marketing Digital, uma empresa que analisasse o negócio do cliente e que desenhasse a estratégia como um todo. Ou seja, pensar no conjunto e a longo prazo. Surge então a Convert, uma consultora de Marketing Performance. Como o vídeo é cada vez mais um formato crucial para uma estratégia digital a necessidade foi aumentando e os nossos parceiros começaram a não ter capacidade de resposta e a falhar com prazos de entregas. Por isso, em 2018 decidimos criar a Emotion Film Production.

“Procuro rodear-me de pessoas de qualidade, com elevadas competências técnicas e comportamentais, o que me permite estar em várias frentes ao mesmo tempo, sem comprometer a qualidade do trabalho”.

Como estão estruturadas as empresas, em termos de gestão, equipas, áreas de atuação?
Cada uma das empresas tem uma equipa e um responsável que lidera todo o negócio. Eu acabo por acompanhar as diferentes empresas, coordenar a área financeira, desenvolver new business e acompanhar alguns dos principais clientes. Procuro rodear-me de pessoas de qualidade, com elevadas competências técnicas e comportamentais, o que me permite estar em várias frentes ao mesmo tempo, sem comprometer a qualidade do trabalho. O objetivo é que que cada empresa seja especialista na sua área, porque quem quer fazer tudo acaba por não fazer bem. A estratégia é esta, criar empresas autónomas, com valências diferenciadas e diferenciadoras, mas que se complementam em termos de serviços ao cliente.

Há sinergias entre elas? De que forma?
As empresas são complementares. A Convert é hoje em dia o principal angariador de negócio para a BYD, já que desenha toda a estratégia e plano de negócios, e depois acaba por sugerir e entregar à BYD a implementação da estratégia Digital. A BYD é o maior angariador de negócio para a Emotion, pois qualquer estratégia digital vive hoje em dia de conteúdos multimédia.

“(…) acredito que a BYD irá terminar o ano com uma faturação superior 3 milhões de euros, a Convert com uma faturação a rondar os 500 mil euros e a Emotion acima dos 200 mil euros”.

Qual é atualmente a empresa que mais contribui para a faturação do grupo?
A empresa com maior contribuição para o grupo é a BYD. De acordo com os números alcançados até agora, acredito que a BYD irá terminar o ano com uma faturação superior 3 milhões de euros, a Convert com uma faturação a rondar os 500 mil euros e a Emotion acima dos 200 mil euros. A faturação da Learn To Grow andará por volta dos 200 mil euros.

Quais as perspetivas em termos de faturação e crescimento de equipa para este ano?
O crescimento médio anual ronda os 65%. Gosto de pensar que tenho uma gestão conservadora, e que isso faz com que o crescimento, mesmo que acelerado, tenha sido controlado. Em termos de equipa, apostamos na progressão interna, investimos na formação e desenvolvimento dos colaboradores, temos pouca rotação, mas com o crescimento do volume de trabalho, é inevitável a contratação de novas pessoas. Por norma recrutamos para a base, pessoas novas e recém-licenciadas que trazem novas formas de pensar e trabalhar.

“Temos atualmente mais de 90 clientes e das mais variadas áreas em regime de avença que trabalham regularmente connosco. No entanto, anualmente são mais de 200 clientes distintos”.

De que áreas são os vossos principais clientes?
Temos atualmente mais de 90 clientes e das mais variadas áreas em regime de avença que trabalham regularmente connosco. No entanto, anualmente são mais de 200 clientes distintos. Temos clientes com a dimensão de uma L’oréal, Teleperformance, Mbway ou Mundicenter, mas também clientes em fase de crescimento como um Chickinho ou o Lx Boutique Hotel. E as nossas áreas de atuação vão desde a saúde à maquinaria industrial, hotelaria ou beleza.

Quais foram os projetos mais marcantes desenvolvidos até agora?
Temos vários casos de sucesso, mas podemos dar dois exemplos. A MBway, um cliente que trabalhamos há mais de dois anos, sendo responsáveis por toda a estratégia digital da aplicação que é atualmente utilizada por quase 2 milhões de portugueses. A Teleperformance, empresa que ganhou o prémio “Fasttest Growing Company” em Portugal e que tem mais de 10 mil trabalhadores em Portugal. Somos responsáveis pela área digital com um foco muito grande na estratégia de recrutamento global, direcionada para 65 diferentes países.

O que caracteriza efetivamente o marketing performance que as suas empresas preconizam? O que é que esta abordagem pode fazer pelo sucesso de uma empresa?
Para mim, Marketing Performance é uma vertente do Marketing que mostra onde cada euro é investido, com que resultados e qual o espaço de melhoria. Analisamos o negócio dos nossos clientes, desenhamos e implementamos estratégias (essencialmente digitais) que permitam melhorar os resultados das empresas.

“Não existem quotas, doutores ou cargos aqui, somos mesmo uma equipa onde a opinião de cada um conta por igual.  Sinto que ainda estou no começo de uma grande aventura”.

Qual a receita para aos 36 anos, e apenas em cinco anos, ter criado este grupo de quatro empresas?
Eu não criei nada sozinho, criámos um grupo de quatro empresas. A receita é essa mesmo, ter a capacidade de me rodear das pessoas certas. Acho que tenho essa capacidade, sou conservador, mas ao mesmo tempo positivo e acredito que essas caraterísticas ajudam a conseguir vender e a atrair as pessoas certas para os projetos. Dou-lhes autonomia e responsabilidade para desenvolverem o seu trabalho, sempre com total transparência e máxima abertura. Não existem quotas, doutores ou cargos aqui, somos mesmo uma equipa onde a opinião de cada um conta por igual.  Sinto que ainda estou no começo de uma grande aventura.

De que forma as suas experiências profissionais anteriores, nomeadamente na L’Oréal, contribuíram para o que construiu até agora?
Contribuíram e muito. Tive a sorte de começar a minha carreira na L’Oréal e de ter tido dois chefes, o Vasco Luis e a Inês Caldeira, que muito me ensinaram e são grandes responsáveis por aquilo que criei.  A L’Oréal é uma empresa que tendencialmente recruta para a base e aposta muito no desenvolvimento dos trabalhadores. Por norma, os cargos mais elevados são pessoas que fizeram todo o percurso na empresa. A nossa filosofia é muito semelhante, recrutamos pessoas novas e recém-licenciadas e apostamos no seu desenvolvimento. A Marta e o João entraram como estagiários e são neste momento sócios, o nosso responsável pelo departamento de developers começou a trabalhar na empresa com 20 anos e ainda sem ter terminado o curso chefia atualmente uma das equipas mais importantes da BYD.

“As empresas que trabalham B2C já estão mais evoluídas e começam a ter noção do real potencial do digital, mas os negócios B2B ainda estão numa fase de desenvolvimento mais prematura”.

Como analisa a evolução do mercado digital em Portugal?
A área digital está em forte crescimento, é uma tendência global que se reflete em Portugal. O consumidor já está muito enraizado no mundo digital, mas as empresas ainda se estão a adaptar. As empresas que trabalham B2C já estão mais evoluídas e começam a ter noção do real potencial do digital, mas os negócios B2B ainda estão numa fase de desenvolvimento mais prematura. Dentro do mesmo setor encontramos empresas em fases de adaptação ao digital totalmente distintas. De uma forma global, acredito que as empresas portuguesas ainda têm um longo caminho a percorrer.

Na sua perspetiva as empresas portuguesas estão a abordar o mundo online da forma adequada? O que falta fazer?
Não podemos olhar para as empresas portuguesas como um todo. Olhando para a indústria de contact centers por exemplo, vemos a Teleperformance que utiliza o digital como o core de toda a sua estratégia e vemos outros players que ainda têm uma abordagem muito tradicional. Muitas vezes na mesma indústria encontramos empresas com fases de adaptação ao digital totalmente distintas. Concluindo, as empresas portuguesas estão a acordar para o digital, algumas de forma mais rápida e com resultados evidentes.

Que tendências prevê para este setor, globalmente, e em particular em Portugal?
As tendências globais são muito semelhantes às portuguesas. Vemos os conteúdos multimédia com grande crescimento, em especial o formato vídeo, a crescente utilização do formato stories vai continuar a afirmar o conteúdo live como uma das principais ferramentas de proximidade entre consumidores e marcas, a pesquisa de voz vai ser uma realidade em breve, a personalização da publicidade e conteúdo, o foco em estratégia de conteúdos, a massificação do chatbot como forma de engagement e angariação de contactos, a realidade virtual aumentada como ferramentas de Marketing e Comunicação.

“Há uma área que gosto particularmente e para a qual acredito termos uma resposta em breve: a elaboração de conceitos criativos, que vão desde o Branding, à adaptação do espaço de trabalho ou ao desenvolvimento de uma cultura empresarial… Talvez ainda este ano tenhamos notícias nesse sentido”.

E no caso dos seus projetos, mais alguma área de negócio onde queira entrar? Algum novo projeto no horizonte?
O objetivo é alargar a nossa oferta aos clientes atuais com soluções que nos permitam implementar na plenitude a estratégia desenhada. Por isso, acredito que não ficaremos por aqui. Aliás, há uma área que gosto particularmente e para a qual acredito termos uma resposta em breve: a elaboração de conceitos criativos, que vão desde o Branding, à adaptação do espaço de trabalho ou ao desenvolvimento de uma cultura empresarial… Talvez ainda este ano tenhamos notícias nesse sentido.

Qual o peso que a internacionalização tem na sua estratégia empresarial?
2019 está ser um ano de consolidação, estabilização da equipa e acompanhamento dos clientes atuais. O nosso foco principal é trabalhar mais e melhor os clientes que temos atualmente. Já trabalhamos com alguns países como Angola, Colômbia ou Irlanda, mas em 2020 o processo de internacionalização será o nosso principal foco,

Respostas rápidas:
O maior risco: O equilíbrio entre crescimento de negócio e de estrutura.
O maior erro: Uma empresa de Gravatas num país em que até os advogados já não as usam.
A maior lição: Misturar família com negócios não dá bom resultado.
A maior conquista: Os meus sócios.

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