Com pouco mais de um ano de atividade, a Replai continua o seu percurso ascendente no mercado dos esports. Diogo Pereira, Head of Marketing da start-up, falou ao Link to Leaders das ambições do projeto.

A Replai é uma jovem start-up que recorre à inteligência artificial para criar short-videos de forma automática, um projeto que foi lançado por João Vieira da Costa e Francisco Pacheco, ambos com já experiências anteriores em mobile gaming e na sua monetização.

Em junho deste ano concluíram uma ronda de financiamento em que participaram, entre outros, a Bright Pixel, Ideias Glaciares, Clever Advertising e Unbabel, e que valeu  à Replai 1,1 milhões de euros. Uma verba que a start-up está a aplicar no desenvolvimento do negócio e na internacionalização para o Reino Unido e para os Estados Unidos. Em entrevista ao Link To Leaders, Diogo Pereira, Head of Marketing da Replai, explicou como  está a ser o desenvolvimento do projeto e dos planos para futuro que passam cada vez pelos mercados asiático e norte-americano.

A Replai acaba de anunciar a abertura da sua plataforma a novos clientes através de um programa de early acess. Qual o objetivo desta iniciativa?
A iniciativa de early access destina-se a introduzir a Replai no mercado para que parceiros da área de esports e gaming possam ter um contacto direto com o conceito e funcionamento da plataforma. Além disso é importante para a equipa que a Replai seja simples e eficaz de utilizar – assim, estando em contacto próximo com os parceiros em early access – conseguimos conhecer as suas opiniões, ideias e comentários sobre como podemos tornar a Replai numa ferramenta cada vez mais indispensável. O feedback inicial tem sido excelente e as métricas de utilização têm superado as nossas expetativas, pelo que o programa de early access tem sido um sucesso.

“(…) a Replai permite multiplicar massivamente a capacidade de produzir conteúdo de alta qualidade adaptado a cada audiência específica (…)”.

O vosso algoritmo de inteligência artificial vai revolucionar a indústria dos esports?
Para lhe responder é necessário entender o contexto: na indústria de esports e também na da gaming em geral, o content marketing tem um papel fundamental: a melhor forma de conquistar novos jogadores e audiências é mostrar os momentos que podem experienciar e assim cativar o interesse dos públicos-alvo e com isso escalar a monetização. Embora esta abordagem já esteja em prática em larga escala, o processo de produção de conteúdos partilháveis de curta duração partilháveis não é escalável: para uma transmissão em direto de três horas é necessário um trabalho manual extenso para recolher os destaques.

Com o crescimento de plataformas de short-video e a constante afirmação de redes sociais como veículos promocionais para atingir novas audiências, a Replai permite multiplicar massivamente a capacidade de produzir conteúdo de alta qualidade adaptado a cada audiência específica. Consequentemente, ao possibilitar que uma empresa da área de gaming ou esports desbloqueie esta barreira de produzir conteúdo que a sua audiência deseja ver, isso fará com que consiga aumentar a sua base de jogadores e/ou espectadores, que por sua vez aumente também o seu valor perante sponsors ou parceiros. Desta forma, acreditamos que a Replai será uma ferramenta revolucionária, essencial para que qualquer empresa da área consiga multiplicar o seu crescimento.

Quais são os clientes target da Replai neste momento?
Neste momento o programa de early access contempla empresas da área de gaming ou esports para os quais conteúdos em vídeo sejam uma componente importante na sua estratégia de marketing. Aqui falamos de, por exemplo, developers ou publishers cujos jogos sejam altamente transmitidos em plataformas como a Twitch; promotoras de esports que transmitem os seus eventos para todo o mundo ou equipas que participem em competições de gaming.

Além destes, o programa de early access encontra-se também aberto a streamers individuais: qualquer pessoa que faça transmissões na Twitch ou outras plataformas é convidado a usar a Replai e a integrar-se na nossa comunidade de Discord.

“Desde que anunciámos a ronda de capital em junho que praticamente todos os dias somos abordados por empresas da área de gaming (…).”

Já foram abordados por alguma empresa de games ou esports para uma eventual compra, parceria, etc…?
Desde que anunciámos a ronda de capital em junho que praticamente todos os dias somos abordados por empresas da área de gaming e não só para perspetivas de parcerias para além de uma relação de cliente. Algumas destas estão já em fase avançada e serão divulgadas brevemente.

Em junho levantaram um investimento de 1,1 milhões de euros, que afirmaram pretender aplicar no desenvolvimento do negócio, no crescimento da equipa e na expansão internacional. Três meses depois, esses objetivos estão a concretizar-se?
Sem dúvida. Desde então já duplicamos a equipa, abrimos um escritório em Londres e temos já a presença internacional bastante mais presente, com elementos da equipa a trabalharem a partir da Ásia e Israel.

Como é que uma start-up com pouco mais de um ano já conseguiu captar a atenção de tantos investidores, nacionais e internacionais, e atingir este patamar? Qual o segredo?
O principal fator que vejo como contribuinte fundamental para o progresso da Replai é uma grande vontade de querer ‘fazer acontecer’ que vejo em todas as pessoas que integram a equipa. Na minha opinião é essencial que uma start-up esteja disposta a adaptar-se rapidamente ao que vê serem necessidades de mercado e das indústrias em que se envolve para conseguir evoluir. Vejo um enorme compromisso de toda a equipa, uma enorme capacidade de arriscar novas formas de pensar sem receio de errar, e também de aprender com erros. A esta enorme agilidade junto também uma liderança eficaz que ajuda a manter sempre a visão e objetivos da empresa em mente.

Afirmaram recentemente que o Reino Unido e os Estados Unidos são os mercados prioritários na vossa estratégia. Estão a conseguir chegar a esses mercados?
Sim, como referi acabámos de abrir o nosso escritório em Londres que centralizará algumas das operações de parcerias para o Reino Unido e Estados Unidos.

Além desses países, algum outro mercado potencial para o vosso produto?
Além destes, o mercado com uma presença clara nestas indústrias é o asiático, e aqui temos já na equipa elementos a estabelecer parcerias no terreno. Outro mercado que demonstra um claro ascendente é o da américa latina (e a tendência será para acelerar à medida que cada vez mais infraestruturas de internet de alta velocidade sejam aí adotadas) e é algo a que nos mantemos bastante atentos.

(…) é um mercado dominado essencialmente por gigantes o que torna a entrada de novos participantes algo até um pouco intimidante (…)”.

Considerando que o vosso produto se direciona para o setor dos esports e do gaming, uma indústria em crescimento, com volume de receitas superior a mil milhões de dólares, em 2019, como tem sido o processo de entrar num mercado dominado por gigantes?
É verdade que é um mercado dominado essencialmente por gigantes o que torna a entrada de novos participantes algo até um pouco intimidante, em circunstâncias normais. Penso que conseguimos dar uma resposta muito boa a este desafio combinando algumas estratégias. Em primeiro lugar, focámo-nos em garantir que desenvolvemos um produto que dá resposta a pain points significativos no mercado, tornando-nos uma solução apelativa e óbvia na indústria. Além disso fomos crescendo a nossa presença na indústria criando relações com contactos essenciais do meio, decisores que ao conhecer a Replai nos ajudaram a alargar o nosso alcance.

“O papel dos advisors foi muito importante em várias perspetivas (…)”.

Qual o papel dos vossos advisors, de empresas como a EA Sports, a Google e o WhatsApp, nas opções estratégicas da Replai?
O papel dos advisors foi muito importante em várias perspetivas, das quais eu destaco a de produto e a de posicionamento no mercado. Do ponto de vista de produto foi/é importante conhecer a forma como alguns obstáculos operacionais foram ultrapassados no lançamento de produtos de sucesso, bem como de opções e priorização de desenvolvimentos. Em termos de posicionamento de mercado foi também muito importante ter esse tipo de perspetiva para nos ajudar a tomar algumas decisões estratégicas sobre como comunicar o produto ou como o lançar a público.

Quais as principais dificuldades de acesso ao investimento para uma start-up? Qual tem sido a vossa experiência nesta matéria?
Este acesso ao investimento é sempre um teste à capacidade de uma start-up e como tal  existe um conjunto de questões que é essencial para conseguir acesso a investimento numa start-up, que se resume à solidez da empresa, à capacidade dos seus produtos ou serviços e do seu plano de negócio. Para isso é essencial ter definida uma visão clara quanto aos objetivos e market-fit, compromisso entre toda a equipa, facilidade de adaptação e agilidade nos processos. Sabemos que só uma percentagem muito pequena de start-ups consegue ser bem sucedida, portanto quanto mais enraizada estiver uma cultura de foco e determinação para realizar o potencial da equipa, maiores as hipóteses de conseguir aceder a investimento.

Uma grande vantagem da Replai durante este processo foi uma enorme importância dada aos valores que nos definiam enquanto empresa, a uma liderança assertiva e à capacidade de adaptação perante novas necessidades que permitiu desenvolver um produto de excelência. A nossa experiência de investimento contou também com um contexto completamente distinto, já que o mundo foi atingido pela circunstância de pandemia da Covid-19 e a consequente incerteza económica durante o processo, que acabou por não ter impacto no nosso trajeto e nos motivou ainda mais para continuarmos comprometidos com a nossa visão.

Quais as vossas expetativas quanto ao crescimento da Replai?
Como referi, estes primeiros meses superaram largamente as nossas expetativas, quer a nível de impacto nos mercados onde nos inserimos, quer a nível de métricas de utilização na fase inicial do programa de early access. No entanto, sabemos que queremos ir muito além do patamar em que nos encontramos. Conseguiremos assegurar o crescimento da Replai se mantivermos a mentalidade que nos trouxe até aqui: dedicação e compromisso da equipa com os nossos objetivos sem perder de vista o que é a nossa visão. Sinto que trabalhamos a um nível extremamente alto e com um enorme sentido de aprendizagem cada dia e nesse sentido as expetativas são ambiciosas.

(…) somos contatados regularmente por VCs que desejam conhecer-nos melhor para esse propósito [Investimento]”

Mais alguma ronda de investimento no horizonte?
Para concretizar a nossa visão e acelerar o nosso crescimento será algo que se encontrará no horizonte, e somos contatados regularmente por VCs que desejam conhecer-nos melhor para esse propósito. Contudo de momento o nosso foco está em tornar a Replai cada vez mais um produto de excelência e alargar a nossa rede de parceiros.

“Queremos tornar a Replai num nome universal dentro da indústria de gaming que facilite o crescimento de cada interveniente”.

Até onde vão os vossos sonhos?
Queremos tornar a Replai num nome universal dentro da indústria de gaming que facilite o crescimento de cada interveniente. O nosso objetivo é que a Replai ajude cada um destas empresas, promotores ou streamers individuais a adaptar-se rapidamente a novas tendências de consumo de media e comunicar com os seus públicos através de formatos extramente apelativos e propensos a momentos virais. Queremos que a Replai seja o nome imediatamente reconhecível na indústria como a plataforma responsável por conteúdo altamente entusiasmante.

Quem são os fundadores da Replai? Com surgiu a ideia de fazer esta plataforma?
A Replai foi fundada pelo João Vieira da Costa e pelo Francisco Pacheco. Ambos tinham já vários anos de experiência na área do gaming em mobile, gerindo a monetização e aquisição de utilizadores. A ideia da Replai acabou por surgir como uma extensão a essa experiência, apercebendo-se que embora a produção e gestão de conteúdos fosse essencial para a aquisição e monetização de novos utilizadores, esse processo era altamente ineficiente e não estava otimizado na devida proporção. A isso juntou-se o proliferar de plataformas de vídeo de curta duração como as Instagram Stories ou o Tiktok.

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