Portugal está no top 20 dos países que oferecem a melhor “vida digital”

Um relatório publicado recentemente revela quais os países europeus melhor e pior posicionados quando se trata de vida digital. E se o país no topo da lista poderá não causar surpresa, o último classificado europeu provavelmente irá surpreender. Portugal é um deles.

Devido à importância das comunicações digitais para a sociedade como um todo, mas particularmente quando se trata de expatriados, a InterNations, a primeira e maior rede social internacional de expatriados, lançou recentemente o relatório “Digital Life Abroad: An Expat Insider Topical Report” onde analisa esta temática em diferentes países.

No relatório pode ler-se que nos últimos anos “tornou-se impossível imaginar um mundo sem comunicação digital, especialmente para pessoas que se deslocam globalmente: manter o contato com os entes queridos; dominar os desafios administrativos num novo país, ou trabalhar remotamente como um nómada digital – as necessidades digitais dos expatriados são muito diversificadas”.

Fatores em análise
Na sua análise da vida digital – uma pesquisa que contou com a participação de 18 mil pessoas, que vivem em 187 países,  representando 178 nacionalidades – o relatório contempla aspetos como a disponibilidade e a utilidade dos serviços governamentais on-line, o acesso à Internet de alta velocidade e a ponderação de quaisquer restrições ao uso de serviços on-line. A facilidade de comprar um serviço de telemóvel e pagar sem dinheiro foram outros dos fatores tidos em conta pela pesquisa.

A Europa está fortemente representada já que quatro dos cincos países com melhores condições de vida digital são europeus. A Estónia está na melhor posição, seguida da Finlândia, Noruega e Dinamarca. Um outro país europeu – a Holanda – está entre os dez primeiros. Entre os 20 melhores países europeus incluídos estão a Suécia, Reino Unido, Luxemburgo, Suíça, Portugal e Áustria.

Superioridade digital da Estónia
Para os habitantes do estado Báltico não será surpresa que o país tenha ficado em primeiro lugar no relatório. A pequena nação europeia há muito que empreendeu uma estratégia digital, com o objetivo de tornar o país uma das sociedades digitais mais avançadas do mundo.

Aliás, há já algum tempo que a Estónia implementou um sistema de identidade digital para que os seus cidadãos possam aceder os serviços governamentais on-line facilmente. A velocidade de internet no país está muito acima da média europeia e com poucas restrições em termos de utilização e acesso. Não é surprende, por isso, que 86% dos entrevistados tenha afirmado que o acesso a serviços on-line não poderia ser melhor.

Todos os países nórdicos apresentam bom desempenho por razões relativamente semelhantes. A Estónia acompanha todos os estados nórdicos em termos da facilidade de pagamento sem dinheiro. Isso certamente não é uma surpresa quando se trata da Suécia. Neste país a utilização de “dinheiro vivo” é uma das mais baixas do mundo e, provavelmente, será uma das primeiras nações do mundo a deixar de usar moeda física.

Retardadores europeus da “vida digital”
Enquanto alguns países europeus estão no topo da lista, alguns dos países com as economias mais estabelecidas do mundo estão entre os que têm a pior performance em termos digitais. França, Alemanha e Itália ficaram, respetivamente, em 35.º, 53.º e 57.º lugares.

A França teve um mau desempenho no que toca à facilidade de aquisição de um número de telemóvel local e no acesso à Internet. Porém, ficou melhor classificada em termos de acesso a serviços governamentais on-line e facilidade de pagamento sem dinheiro. No entanto, nesses dois casos, a França ocupava apenas a 30.ª posição.

A Alemanha foi o segundo pior país europeu neste estudo. É pouco competitivo quando se trata de facilitar o acesso a serviços governamentais on-line e a pagamentos sem dinheiro.

No entanto, o pior resultado europeu, de acordo com o relatório, é a Itália. Ficou em 57.º lugar, num total de 68 países. Mas, para além de ser o mais atrasado no contexto europeu, também ficou atrás de países em desenvolvimento como o Quénia, a República Dominicana, o Cazaquistão e o Vietname.

E Portugal?
Eleito o segundo melhor país do mundo em qualidade de vida, Portugal ocupa uma respeitável 18.ª posição entre 68 países do ranking. O estudo revela que conseguir um número de telefone local é uma tarefa muito simples (95% de satisfação versus 86% globalmente), com sete em cada dez entrevistados (73%) a dizer que não poderia ser mais fácil (contra 58% globalmente). Neste campo Portugal ocupa o 7.º lugar no ranking mundial.
Os expatriados em Portugal também desfrutam de fácil acesso à Internet de alta velocidade em casa (87% afirmaram-se satisfeitos versus os75% globalmente) e estão satisfeitos com o acesso sem restrições aos serviços on-line: mais de nove em dez (93%) classificam positivamente este último aspeto, o que é 13 pontos percentuais a mais que a média global (80%).

A facilidade para fazer pagamentos sem dinheiro foi o domínio digital com pior classificação em Portugal ao ficar apenas em 35.º lugar.

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