Com escritórios no Brasil, no Canadá e agora em Portugal, a WEDOIT oferece serviços de implementação de TI (hardware e software) para fabricantes, distribuidores e revendedores. Felippe Siqueira, cofundador e CEO da empresa, quer apostar no talento tecnológico nacional e acredita que Portugal pode ser uma porta de entrada na Europa.

“Em termos estratégicos, vamos focar a nossa atenção nas médias e grandes empresas”, explicou ao Link To Leaders o cofundador e CEO da WEDOIT, empresa brasileira que desde o final de novembro está a operar no mercado português com um escritório local.

Com três anos de atividade, a empresa liderada por Felippe Siqueira quer entrar em mercados europeus “onde falta de mão obra qualificada em infraestrutura de TI é uma realidade” e Portugal é o ponto de partida para a sua estratégia de internacionalização. Aqui quer criar um hub tecnológico com talento local porque, afirma, “Portugal é um país cada vez mais atrativo para empresas internacionais, tem talento tecnológico muito qualificado, fluente em inglês ou espanhol, possui um ecossistema robusto de apoio às start-ups e oferece vários benefícios às empresas de tecnologia que se instalarem em Portugal”.

Quais as ambições da WEDOIT para Portugal? Criar um hub tecnológico?
Queremos trazer para Portugal a nossa experiência e know-how numa área extremamente crítica e exigente – a implementação de infraestruturas de TI – que precisa de técnicos altamente qualificados, certificados e especializados. Este talento, já com experiência e com todas as competências necessárias, não é fácil de encontrar e, como tal, queremos oferecer às empresas nacionais uma equipa com provas dadas em projetos espalhados um pouco por todo o mundo, que vai ser reforçada com talento português. Não queremos servir à distância, queremos apostar no mercado português, criar um hub de serviços com técnicos e gestores de projetos portugueses que irá suportar não só o negócio em Portugal, mas também a nossa estratégia de expansão para a Europa.

Propõem um modelo de negócio inovador face ao que existe no mercado português. Em que consiste?
Somos uma empresa especializada na implementação de projetos de infraestrutura de TI, hardware ou software, com uma equipa de técnicos que responde à  falta de mão de obra especializada. Mas todo o nosso trabalho é feito em nome do nosso parceiro. Trabalhamos de uma forma totalmente transparente com os clientes.
A partir do momento em que entramos num projeto deixamos de ser a WEDOIT. Toda a comunicação, incluindo email e relacionamento, é feita em nome do parceiro. Somos apenas e exclusivamente a sua força de trabalho e braço-direito nos projetos. Esta “independência” é crucial para nós. Não estamos ligados nem limitados a nenhum fabricante ou tecnologia, não temos body shop, não vendemos software ou hardware, não trabalhamos diretamente com o cliente final, não concorremos com nenhum parceiro e seguimos um modelo de negócio de pay-on-demand, ou seja, o cliente paga apenas as horas de trabalho realizadas. Para além disto, asseguramos a presença permanente de um gestor de projeto que garante a qualidade do nosso serviço.

Quais serão as vossas principais áreas de atuação e os clientes alvo em Portugal?
Os clientes típicos da WEDOIT são empresas que vendem infraestruturas de TI (hardware ou software) – os fabricantes, distribuidores e integradores que necessitam de apoio na implementação das soluções que foram vendidas. Em termos estratégicos, vamos focar a nossa atenção nas médias e grandes empresas. As grandes empresas possuem um elevado custo operacional com as equipas técnicas. É aqui que podemos ajudá-las a melhorar as margens dos seus projetos. Já as médias muitas vezes perdem negócios porque não possuem profissionais qualificados para a venda ou para a implementação das soluções vendidas. Neste caso, o cliente foca a sua atenção nas vendas e a WEDOIT implementa a solução vendida. Com esta abordagem todos ganham.

“(…) não somos concorrentes dos nossos clientes, apenas os ajudamos a fazer mais negócio e a melhorar as margens de seus projetos (…)”.

Que mais-valias espera trazer aos clientes portugueses?
Em primeiro lugar, o nosso objetivo é criar uma relação de parceria sólida e de total confiança com os nossos parceiros. Por isso, a transparência e independência são essenciais para nós. Não existimos para o cliente final, apenas para os seus parceiros. Ou seja, não somos concorrentes dos nossos clientes, apenas os ajudamos a fazer mais negócio e a melhorar as margens dos seus projetos, e garantimos implementações “end-to-end” com técnicos experientes e certificados, sempre supervisionados por um gestor de projeto.

Por outro lado, somos agnósticos em termos de tecnologias e fabricantes. Temos uma vasta equipa de técnicos altamente qualificados, certificados e especializados nos mais distintos cenários de implementação de infraestruturas de TI – dos mais simples, aos mais complexos e críticos. Não interessa qual a tecnologia ou o fabricante. Não fazemos vendas de hardware ou software, apenas implementação de projetos.

Depois, temos um modelo de negócio onde o cliente paga apenas pelas horas trabalhadas. Isto evita custos superiores com projetos sobredimensionados e melhora as margens dos projetos.

Vão contratar talento tecnológico nacional? Em que áreas?
Vamos contratar técnicos com conhecimento, certificações e experiência em infraestrutura de TI, sejam hardware ou software, dos grandes fabricantes como Cisco, Dell / EMC, HPE, Huawei, VMware, etc. Os profissionais devem ter conhecimento em infraestrutura nas áreas de Virtualização, Networking, Data Center, Colaboração, Cloud e Segurança.

“Inicialmente vamos focar a nossa atenção em Portugal para criarmos um negócio sólido e de confiança, e ao mesmo tempo aprendermos a operar em solo europeu”.

Portugal é uma porta de entrada para eventuais ambições europeias? Será a base para a estratégia de internacionalização da WEDOIT?
Portugal é fundamental na nossa estratégia de internacionalização. Inicialmente vamos focar a nossa atenção em Portugal para criarmos um negócio sólido e de confiança, e ao mesmo tempo aprendermos a operar em solo europeu. Numa segunda etapa, a partir de Portugal, com técnicos e gestores de projetos portugueses, vamos avançar para outros países da Europa. Queremos levar a WEDOIT para outros mercados europeus onde a falta de mão obra qualificada em infraestrutura de TI é uma realidade e uma dor para os nossos futuros clientes, conforme indicam os estudos de consultoras internacionais como IDC e Gartner.

Quais os países/mercado que estão na vossa lista de prioridades?
Países como Inglaterra, Holanda, Espanha, Itália, França e Alemanha estão na nossa lista de prioridades. Como a Europa tem uma realidade muito diversa em termos de carência de mão de obra versus adoção de modelos de outsourcing, vamos avaliar cada um deles antes de tomarmos uma decisão de qual será o próximo país a receber a WEDOIT.

Que semelhanças e diferenças encontrou no mercado português face à realidade brasileira e mesmo face ao Canadá onde também estão presentes?
Iniciámos o nosso primeiro projeto em Portugal apenas em novembro, portanto ainda é cedo para tirar conclusões. Mas as primeiras impressões mostram-nos que os problemas dos nossos clientes aqui em Portugal são bastante semelhantes aos que existem no Brasil e no Canadá. O principal é, sem dúvida, a carência de mão de obra especializada em infraestruturas de TI.

E como está a correr o negócio no Brasil?
A WEDOIT tem apenas três anos, e apesar de estarmos há dois anos a trabalhar um mercado afetado pela pior pandemia dos últimos 100 anos, os negócios estão a correr bem. Já implementamos mais de 50 projetos e alguns com mais de 1.000 horas de trabalho. Temos 45% do nosso volume de negócios feitos com clientes recorrentes, o que demonstra a qualidade do serviço e o nível de satisfação dos nossos parceiros. O nosso volume de negócios tem também crescido de forma positiva ao longo destes três anos.

“Portugal é uma referência enquanto polo de inovação. É um país cada vez mais atrativo para empresas internacionais (…)”.

Nos últimos anos têm sido muitos os empreendedores e empresas brasileiras a instalarem-se em Portugal. O que é que o ecossistema português tem de tão atrativo para os brasileiros?
Portugal é uma referência enquanto polo de inovação. É um país cada vez mais atrativo para empresas internacionais, tem talento tecnológico muito qualificado, fluente em inglês ou espanhol, possui um ecossistema robusto de apoio às start-ups, oferece vários benefícios às empresas de tecnologia que se instalarem em Portugal, e é uma importante porta de entrada para outros países europeus. Tudo isto é fundamental para o negócio e para a nossa estratégia.

Globalmente, como avalia a evolução tecnológica no seu sector de atividade? Quais os países que se têm destacado mais pelo nível de inovação?
Os Estados Unidos e a China são os principais centros de tecnologia e inovação. Mais de 80% dos fabricantes e developers de infraestruturas de TI estão nestes dois países. Mas tecnologias como a Cloud, Edge Computing, IoT, IA, etc. foram desenvolvidas por fabricantes que atuam de forma global. Ou seja, qualquer profissional qualificado pode atuar além das suas fronteiras geográficas. Para nós esta situação é positiva porque podemos responder às necessidade dos clientes de forma global com nossa equipe técnica.

Que tendências antevê para esta área de negócio?
O mundo está cada vez mais conectado. Todos os dias são gerados novos dados, criados novos softwares e tecnologias. Tudo isto exige uma permanente formação ou atualização das competências técnicas. O problema é que o ritmo de desenvolvimento tecnológico é superior ao da formação dos profissionais técnicos, o que significa que acabamos por ter um aumento do deficit da mão de obra qualificada. Este problema irá manter-se nos próximos tempos. O lado positivo é que a crescente aceitação do trabalho remoto irá permitir aceder a recursos em qualquer ponto do mundo.

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