Opinião

Como podem as empresas portuguesas ser mais competitivas?

Luís Madureira, partner da Überbrands

Todas as empresas necessitam de ser competitivas. Hoje, mais do que nunca, além de necessitarem de desenvolver uma estratégia ganhadora a nível nacional, as empresas Portuguesas precisam de ser competitivas a nível global. Como? Fácil… adaptando-se ao ambiente competitivo.

A palavra chave é ‘adaptar’! E é necessário não só compreender como melhor se podem adaptar no presente, mas também como podem prever o que necessitam fazer, para se adaptar ao ambiente competitivo no futuro. Mas será assim tão fácil?

Cada vez mais, os gestores e o C-Suite utilizam o acrónimo VUCA – a volatilidade, a incerteza (do inglês uncertainty), a complexidade e a ambiguidade – para descrever o ambiente competitivo. Note-se, a volatilidade decorrente de acontecimentos como o 11 de Setembro, a incerteza gerada pelo Brexit e Donald Trump ser o novo presidente dos EUA, a incapacidade de identificar singularmente a(s) causa(s) que lhe deram origem, a complexidade dos mercados e dos produtos financeiros, ou a magnitude dos impactos de todos estes acontecimentos.

Neste contexto, e derivada destes quatros fatores, a capacidade de compreensão e previsão do que irá acontecer é quase impossível. E, cada vez mais, os gestores indicam o VUCA como um impedimento para desenvolver estratégias de longo prazo. Mas isto é uma subversão do tema. Uma abordagem digna dos melhores Spin Doctors.

Na realidade, para desenvolver uma estratégia ganhadora, não necessitamos de ter previsões heróicas sobre o futuro. Precisamos, sim, de compreender bem o ambiente competitivo e, se possível, adaptarmo-nos a ele, à medida que o mesmo vai evoluindo. Precisamos apenas de definir um objetivo e desenvolver um plano para o atingir – note-se que é isto a definição de estratégia.

Mas precisamos de mais. Precisamos de um sistema que monitorize o ambiente competitivo em tempo real, que nos indique o caminho mais fácil para atingir o nosso objetivo e, em consequência, que adaptações temos de fazer ao nosso plano, sem mudar a estratégia. Estas adaptações serão feitas para aproveitar as oportunidades e mitigar as ameaças decorrentes do VUCA – da volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade decorrentes da evolução dos acontecimentos.

Mas como? Como prever o que acontecerá aquando da expansão para um mercado externo? Ou, como pode a rentabilidade da nossa indústria aumentar ou diminuir? Ou, como vai o principal concorrente responder ao lançamento do nosso mais recente produto ou serviço? Ou, como vai a minha start-up conseguir ter sucesso no mercado, ganhando quota aos incumbentes, ou simplesmente criar um novo mercado?

Fácil… tendo ao seu dispor o ‘Google Maps’ da gestão. Ou em “português”, Competitive Intelligence (CI). CI é a capacidade de processar dados e informação, de modo a obter insights acionáveis. Literalmente, ser capaz de compreender um determinado assunto, para tomar uma decisão informada e correta, neste caso, sobre o ambiente competitivo – político, económico, social, tecnológico, ambiental, legal, num determinado contexto geográfico, e sobre os concorrentes, a indústria, os clientes e os consumidores.

Como refere Traun Khanna “A maioria das verdades universais sobre gestão resultam de maneira diferente, em contextos diferentes.” Se queremos ter sucesso, temos de conhecer o contexto. O conhecimento, adaptação e antecipação das empresas ao contexto deverá ser como o fluir de um rio, ultrapassando os obstáculos que encontra no seu caminho pela via da menor resistência.

Obviamente que contamos sempre com o proverbial desenrasca, onde somos exímios, mas, por vezes, o desenrasca vem já tarde demais.

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Luís Madureira

Luís Madureira

Luís Madureira é fundador da ÜBERBRANDS, uma boutique de consultoria estratégica que ajuda organizações e os seus líderes a navegar o ambiente competitivo com sucesso. É Chairman da SCIP Portugal e Fellow do Council of Competitive Intelligence Fellows desde 2018. É keynote speaker e professor premiado a nível internacional (PT, US, FR, ES, SI, UK), nomeadamente pelos alunos do Ljubljana MBA por duas vezes consecutivas. Acumula o cargo de Global Competitive Intelligence Practice Lead da Presciant e previamente da OgilvyRed,... Ler Mais..

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