Cinco anos depois da sua fundação, a Advertio assumiu uma nova identidade “porque a empresa cresceu para além da marca”. Agora chama-se Leadzai, mas a base que a move é a mesma: “apoiar os nossos clientes a crescer de uma forma sustentável e sem risco”, assegura João de Sousa Aroso, CEO da Leadzai, em entrevista ao Link To Leaders. Com o recente financiamento de cinco milhões quer acelerar o desenvolvimento de produto.

“Desde sempre que tivemos em atenção que independentemente do valor no cheque estamos a gerir dinheiro de terceiros. Temos uma obrigação de acima de tudo conseguir gerar valor para quem acredita em nós desde o primeiro dia”, explica o CEO da Leadzai (ex-Advertio), ao Link To Leaders, a propósito da relação com os 17 investidores no projeto que lidera. A par de um financiamento de cinco milhões de euros que fechou na semana passada, João de Sousa Aroso anunciou também a mudança da start-up que cofundou, a Advertio, para Leadzai.

Agora, já pensa na investigação e desenvolvimento de produto e espera começar a abordagem ao mercado norte-americano, paralelamente à aposta na Europa e América Latina. Este ano, espera fechar com um volume de faturação mínimo de seis milhões de euros.

Porquê esta alteração de designação?  O que implica na estratégia da start-up? O que muda em termos práticos?
Por vezes as empresas decidem fazer um rebranding como um marco de uma mudança sistémica na empresa e na sua abordagem ao mercado. Outras vezes a mudança deu-se antes, naturalmente, e a empresa entende que cresceu para além da marca. O nosso caso foi claramente o segundo.

Há cinco anos quando nascemos a nossa ambição era gerir publicidade. Entretanto a nossa capacidade tecnológica e mais importante o mercado, levaram-nos a entender que a nossa missão era muito para lá da publicidade. A publicidade é um meio para atingir resultados para os nossos clientes. Hoje usamos publicidade apenas, amanhã podemos evoluir para outras ferramentas, mas a base que nos move é sempre a mesma: apoiar os nossos clientes a crescer de uma forma sustentável e sem risco.

“Os saltos de qualidade no que entregamos aos clientes vêm da tecnologia. Assim o nosso investimento vai ser essencialmente alocado a investigação e desenvolvimento”.

Afirmam que o vosso principal fator de diferenciação é a mais fácil aquisição de clientes. De que forma vão reforçar essa estratégia?
Da mesma forma que a Uber é uma empresa tecnológica que o valor que acrescenta aos seus clientes é ir de A a B de uma forma mais simples, a Leadzai é uma empresa tecnológica que ajuda os seus clientes a em encontrarem clientes novos de uma forma simples e direta. Os saltos de qualidade no que entregamos aos clientes vêm da tecnologia. Assim o nosso investimento vai ser essencialmente alocado a investigação e desenvolvimento.

O reposicionamento agora divulgado envolveu alguma alteração ao nível da equipa diretiva/fundadora?Ao longo do último ano tenho tido o prazer de recrutar uma equipa de gestão incrível que lidero. O reposicionamento é também uma consequência do trabalho dessa equipa. Neste momento temos uma equipa de gestão sénior, internacional com quatro nacionalidades a viver em três países diferentes e que coordena todo o crescimento da Leadzai.

Acabam também de captar 5 milhões que, afirmam, irão servir “para acelerar desenvolvimento de produto e reforço da equipa”. Esses planos são já para 2022?
Sim. Já tínhamos um grande pipeline de contratações. Somos fiéis à velha máxima de contratar lentamente e despedir rapidamente. Os nossos processos de contratação são longos e extraordinariamente exigentes. Numa empresa pequena como é o nosso caso o impacto de cada membro da equipa é enorme. É fundamental garantir que temos uma equipa de excelência.

Falou em duplicar a equipa até ao final de 2023. Em que áreas em concreto?
Essencialmente engenharia de software e análise de dados.

“Se alguém quer trabalhar de casa, da praia ou do campo, a escolha é deles”.

Trabalho presencial ou teletrabalho? Qual o vosso posicionamento nesta matéria?
A Leadzai é fundamentalmente liberal em todas as suas políticas de recursos humanos. Acreditamos que contratar pessoas inteligentes e depois obrigá-las a trabalhar de uma forma definida por nós é contraproducente.

No caso do teletrabalho, a nossa política é não ter qualquer obrigação. Se alguém quer trabalhar de casa, da praia ou do campo, a escolha é deles. Não nos parece que nos compita a nós saber onde cada um se sente melhor e é mais produtivo. Aliás considerando que temos pessoas da Colômbia à Turquia nem podia ser de outra forma.

E essas políticas não ficam pelo teletrabalho. Não temos horário de trabalho, excluindo reuniões agendadas e as férias são ilimitadas. É absurdo assumir que todas as pessoas são iguais e que sejam produtivas com o mesmo descanso. Porque quereríamos um colaborador esgotado porque só “não tem mais dias este ano”? Prefiro que descanse o que necessita e volte a 100%.

“Desde sempre que tivemos em atenção que independentemente do valor no cheque estamos a gerir dinheiro de terceiros”.

Que tipo de relação espera manter com os investidores?
A empresa tem neste momento 17 acionistas com perfis muito distintos. Temos desde a Lince Capital e a Portugal Ventures a business angels que escreveram o primeiro cheque a uma start-up com a Leadzai.

Desde sempre que tivemos em atenção que independentemente do valor no cheque estamos a gerir dinheiro de terceiros. Temos uma obrigação de acima de tudo conseguir gerar valor para quem acredita em nós desde o primeiro dia. Acho que essa relação tem-se mantido ao longo do tempo e desenvolvido com os investidores que, entretanto, se juntaram. Claro que, até fruto das próprias organizações que investiram, temos investidores mais ativos e presentes, e investidores mais passivos.

Como define o percurso que fizeram nos últimos cinco anos de atividade? Quais as principais barreiras que enfrentaram?
Acho que como qualquer start-up olhando para trás temos um misto de orgulho e alguma frustração com os erros que cometemos. Acredito que criar uma start-up passa muito por ser suficientemente ágil para experimentar muito e rápido, entendendo o que funcionará ou não.

Nos últimos cinco anos o mercado viveu uma grande abundância de capital, o que para além da evidente oportunidade constitui também indiretamente o nosso maior desafio: a competitividade nas contratações. Hoje o maior desafio de uma empresa como a Leadzai é sem dúvida a atração (e retenção!) de talentos excecionais.

Vão manter o foco no apoio às micro e pequenas empresas para estas colocarem os seus anúncios em plataformas como Google, Facebook, entre outros?
Sim, continuamos com a missão de apoiar a micro e pequenas empresas, que mais que nunca necessitam de modelos sustentáveis para o seu crescimento.

“Acreditamos que estamos no espaço certo e com um modelo de negócios resistente à incerteza que vivemos”.

O abrandamento do mercado, face às atuais circunstâncias económicas e geopolíticas, assusta-vos?
Nenhum líder de empresa gosta de incertezas macroeconómicas e muito menos geopolíticas. No entanto todos os líderes de empresas vivem com incertezas no dia a dia, é apenas mais uma, apesar do seu impacto poder ser bastante maior.

Acreditamos que estamos no espaço certo e com um modelo de negócios resistente à incerteza que vivemos. Posso dar o exemplo da Covid. Foram anos de crescimento para a Leadzai. Claro que vários dos nossos clientes passaram por grandes dificuldades e muitos reduziram os seus negócios brutalmente. Mas como negócio de escala que somos, simultaneamente observamos um outro lado do mercado a crescer e entrar no mercado digital.

Como estão os vossos planos e internacionalização? Quais os principais países/aposta?
Mantemos a nossa aposta na Europa e América Latina e estamos a começar a abordagem ao mercado norte-americano, mais especificamente os Estados Unidos da América.

Quais são atualmente os vossos principais parceiros de negócio, à semelhança do que fizeram com a Revolut?
A nossa maior parceria mantém-se com a Google e acreditamos que vai continuar assim.

Este ano espera fechar com que volume de faturação?
Temos um mínimo de seis milhões e um plano de mais ambição ainda pendente de novidades do último trimestre.

Como definiria a agora nova Leadzai e as suas ambições empresariais?
Como disse, a marca mudou na sequência de uma evolução natural da empresa. Mantemos o nosso statement de missão em “empower 200 millions businesses to thrive effortlessly”.

Os portugueses são naturalmente empreendedores, provavelmente consequência de muitas décadas de necessidade.

Portugal já é um país para empreendedores?
Acho que sempre foi. Os portugueses são naturalmente empreendedores, provavelmente consequência de muitas décadas de necessidade. Atualmente no mercado não vejo grande relevância nas fronteiras geográficas. O enquadramento legislativo, principalmente ao nível fiscal, podia ser mais favorável, claro, mas também temos muitas iniciativas públicas muito boas, como o 200M.

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