Os empreendedores devem começar com ideias ou reputação?

Mark Zuckerberg começou com uma ideia, Elon Musk com reputação. Qual será a melhor opção?

Hipoteticamente, com uma ideia brilhante qualquer empreendedor pode sonhar atingir o sucesso. Mas e se começar um negócio com uma reputação pessoal forte e bem consolidada? A sua ideia pode desenvolver-se ainda mais rapidamente e ter sucesso, mesmo que não seja a melhor ideia do mundo.

Os aspirantes a empreendedores têm a hipótese de construir a sua reputação pessoal com uma marca  ainda antes de lançar um negócio. Ou podem trabalhar na ideia perfeita e deixar a sua reputação construir-se a si própria. Então, qual será a melhor abordagem ao mercado?

As Ideias
Mark Zuckerberg. Nesta altura, já toda a gente conhece os fundamentos da história do fundador do Facebook. Foi um projeto que começou num dormitório e que ninguém esperava que um dia chegasse aos 2 biliões de utilizadores. Zuckerberg era um universitário com uma ideia forte mas sem reputação. Nunca tinha gerido nenhuma empresa anteriormente e não tinha nenhuma reputação na comunidade empresarial. De qualquer forma, a ideia foi suficientemente boa para atrair milhões de utilizadores e, quando o conseguiu, atraiu milhões de dólares de VC e começou a crescer até se tornar no gigante que hoje conhecemos.

John Paul DeJoria. A reputação foi importante para seu sucesso. Vale mais de 3,1 bilhões de dólares, mas provavelmente nunca ouviu falar dele. Em 1980, DeJoria era vendedor porta a porta de champôs e  enciclopédias quando se juntou a Paul Mitchell, com 700 dólares e uma ideia, para construir uma empresa de tratamento de cabelos, avaliada num bilião de dólares. Mais tarde John Paul DeJoria criou a tequila Patron embora se possa argumentar que, neste caso, a sua reputação ajudou a ideia a tornar-se um sucesso.

Henry Ford. O fundador da Ford não tinha qualquer reputação empresarial quando fundou a Ford Motor Company. Nem sequer  tinha qualquer tipo de economias. Na realidade, quando começou a sua primeira empresa, os seus parceiros ficaram frustrados com ele porque estava sempre a tentar melhorar os projetos em vez de colocar uma ideia no mercado. Conseguiu reunir alguns investidores para a Ford Motor Company e construiu os modelos A e T que ajudaram a empresa tornar-se um sucesso mundial.

A reputação
Elon Musk. Provavelmente conhece melhor este nome do que propriamente as suas empresas. É o co-fundador da Boring, da Tesla e da SpaceX Musk, mas na verdade, começou a sua atividade de empreendedor/empresário com uma start-up chamada Zip2 que, posteriormente, vendeu para uma divisão da Compaq Computers para se tornar um multimilionário. A ideia era claramente boa, mas foi sem dúvida a reputação de Elon Musk – como inovador e carismático empreendedor – que ajudou estas empresas de tecnologia de ponta a encontrar o seu target e a admiração do público que mantêm hoje.

Boas ideias que falharam. Não é difícil pensar em start-ups que tiveram boas ideias (e às vezes revolucionárias) que acabaram por falhar, especialmente durante o boom dotcom. O “AskJeeves” era um popular mecanismo de busca muito antes do Google e, em 1997, um site chamado “SixDegrees” surgiu como o primeiro protótipo da moderna plataforma de media social.
Então, o que aconteceu com essas e outras start-ups que falharam? Cada falha acontece por diferentes razões. Algumas empresas são empurradas para o chão por má administração, mas muitas simplesmente não conseguem construir awareness junto do cliente em tempo útil.

De qualquer forma, idealmente, ideias e reputação convém que andem de mãos dadas, porque  as evidências atestam que simplesmente uma boa ideia  não é suficiente para ser bem sucedida.

As pesquisas da Fundação Kauffman apoiam a ideia de que a  reputação pode ser bem melhor do que a própria ideia de construir um negócio. Mais de 73% dos empreendedores destas pesquisas consideraram as networks profissionais importantes para o sucesso. Além disso, constatou que os filhos de empreendedores eram mais propensos a tornarem-se empreendedores também. O estudo também sugere que as pessoas que nascem em comunidades empreendedoras, ou aquelas que estão mais integradas nessas comunidades, têm mais chances de atingir o sucesso do que outras pessoas.

Existem algumas dinâmicas interessantes neste processo. Certamente que é possível que uma start-up com uma ideia fantástica seja bem-sucedida, mesmo que o seu fundador não tenha muita reputação, nem seja uma pessoa especialmente conhecida no meio. Assim, como também é possível que uma grande percentagem de empreendedores, com uma reputação consolidada, nunca seja bem-sucedida, a menos que tenham uma ideia decente sobre a qual construir o projeto. No entanto, a realidade comprova que os fundadores já com uma reputação pré-estabelecida têm acesso a muito mais recursos e a um público maior, dois factores que mais facilmente lhe permitem encontrar o sucesso.

Conclusão: tanto a ideia como a reputação são importantes se quiser reforçar as suas hipóteses de sucesso. Por isso, se puder, trabalhe na construção da sua marca pessoal e da reputação dentro da indústria enquanto aperfeiçoa a ideia.

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