O stress no local de trabalho custa milhões às empresas europeias

O stress e o burnout começam a ser uma preocupação cada vez maior no mundo dos negócios. Os números que esta realidade envolve faz com que as empresas europeias estejam a perder milhões de euros.

Níveis moderados de stress podem ser impulsionadores de atividade, contudo este mecanismo de sobrevivência, quando em excesso, pode afetar todo nosso organismo. E a verdade é que, atualmente, Europa  enfrenta um problema de stress excessivo, em parte devido a uma mudança para culturas de trabalho que promovem a agitação e o burnout.

Um dos exemplos, citado num artigo recente do Entrepreneur, é o mercado inglês em que a incerteza do Brexit já é apontado como um dos grandes responsáveis pelo aumento considerável dos níveis de stress entre os  trabalhadores britânicos.  A somar a este fator, as horas de trabalho continuam a aumentar. O tempo tradicional de trabalho no Reino Unido é de 37 horas semanais. Contudo, 20,1% da população ativa tende a trabalhar 45 ou mais horas por semana.

Uma cultura de burnout
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o burnout como um diagnóstico médico legítimo, consequência de “stress crónico no local de trabalho que não foi gerido com sucesso”. A OMS admite que os médicos possam agora diagnosticar doentes com burnout, caso estes apresentem sintomas como exaustão ou de falta de energia, desinteresse do trabalho, sentimentos negativos ou de cinismo relativos ao trabalho e ainda redução da eficiência profissional.

A classificação da OMS especifica que o burnout “se refere a um fenómeno específico do contexto ocupacional”. O problema do stress relacionado com o trabalho é peculiar na medida em que as linhas que separam a profissão da vida pessoal estão cada vez mais ténues.

Europa perde por causa do stress
De acordo com o estudo Labour Force Survey, só no Reino Unido, no ano passado, o número atingiu os 595 mil os trabalhadores afetados com stress, depressão ou ansiedade relacionados com o trabalho. Este fator originou uma perda de dias de trabalho na ordem dos milhões de dias e um custo financeiro superior a 14 milhões de euros.
Ao nível europeu, os números chegam aos biliões de euros. A última análise mais profunda ao tema foi feita em 2002 pela Comissão Europeia e apurou um custo estimado 20 biliões de euros por ano devido a questões de stress no trabalho.

O estudo da Labour Force Survey refere que o stress no local de trabalho afeta a produtividade, sobretudo porque leva ao absentismo, nuns casos, e noutros à desmotivação dos colaboradores que continuam a trabalhar quando deveriam estar a descansar e a recuperar. O estudo aponta ainda que para além de poder originar problemas relacionados com a saúde mental, o stress prolongado também pode desenvolver graves problemas físicos entre os quais doenças cardiovasculares ou musculo-esqueléticas.

Empreendedores podem ajudar a resolver o problema
A prioridade para empreendedores na gestão da equipa deverá passar por adaptar a cultura e a liderança para a promoção do bem estar. Isto significa permitir que os trabalhadores saiam a horas, criar tempos de socialização e implementar subsídios ou outros benefícios.

É igualmente importante disponibilizar ajuda aos colaboradores na área da gestão do stress, quando este se instala. Este fator envolve, frequentemente perceber os sinais de quando o stress se torna excessivo e começa a causar perturbações, e procurar uma solução. Mas para que haja um verdadeiro impacto no local de trabalho, as iniciativas devem ser consolidadas e não apenas pontuais, recomenda o Entrepreneur. Assim, cada empreendedor deverá observar outras regiões da Europa com trabalho desenvolvido na área da gestão do stress e da respetiva prevenção, e adoptar as melhores práticas nesta matéria.

Os países nórdicos, por exemplo, são conhecidos por superarem sucessivamente o Melhor Índice de Vida da OCDE. A Dinamarca, em particular, orgulha-se de registar o melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal do que qualquer outro país no mundo. Não tem uma cultura de longas horas de trabalho o que, só por si, pode ser o antídoto para o burnout. Em média, as empresas dinamarquesas têm dimensões menores e o sistema hierárquico também é simplificado o que contribui para criar um ambiente de confiança na relação com os  funcionários.

Em 2017, também o governo francês concedeu aos trabalhadores o direito de se” desligarem” do trabalho exigindo que as empresas com mais de 50 funcionários estabeleçam horas do dia específicas em que não é permitido enviar e-mails de trabalho. Esta regulamentação foi reforçada um ano depois quando a Rentokil Initial foi condenada por infringir a lei, tendo sido obrigada a pagar uma indemnização de 60 mil euros a um trabalhador.

O papel dos empreendedores nesta matéria é destacado pelo Entrepreneur ao considerar que estes devem contribuir para assegurar equipas saudáveis, o que levará a uma força de trabalho mais produtiva e, consequentemente, a um negócio mais lucrativo.

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