O segredo para um investimento de sucesso? Apostar em mais do que uma start-up.

Uma pesquisa conduzida por professores de finanças da Universidade de Wharton, EUA, identificou resultados positivos quando as empresas de capital de risco partilham a propriedade/gestão das start-ups onde investem.

Um estudo recente conduzido por uma equipa de professores e estudantes da Wharton e da Universidade da Carolina do Sul, e que culminou num artigo de investigação intitulado “Propriedade comum e eficiência da inovação”, concluiu que quando as empresas de capital de risco investem em mais do que uma start-up num mesmo setor têm mais capacidade de melhorar a eficiência da inovação ao redirecionarem os seus investimentos para aquelas que se mostram mais promissoras. Ou seja, os VC podem deixar de investir nas start-ups menos desenvolvidas, mas continuam a retirar valor delas ao fazer com que mudem o seu foco para outros projetos.

Esta foi uma das conclusões da pesquisa efetuada por estes investigadores, citados no World Economic Forum (WEF). Estudaram, em particular, a partilha de propriedade/gestão no setor da indústria farmacêutica, abrangendo 1.045 projetos conduzidos por 481 start-ups norte-americanas, entre 2015 e 2018, e financiados por 764 empresas de capital de risco.

O estudo constatou que a propriedade comum tem ganhos que vão além dos mais óbvios para as empresas nos portefólios dos investidores já que “pode ajudar-nos como sociedade”, frisou Luke Taylor um dos responsáveis do estudo. Ou seja, referiu, “pode estar a ajudar-nos a reduzir a duplicação de investigação e desenvolvimento em corridas de patentes. Quando as empresas estão a concorrer por patentes, e estão a competir ferozmente umas com as outras, tendem a investir mais em I&D o que é bom para a sociedade”. A pesquisa observou, por exemplo, que as start-ups são importantes para criar inovação e que as apoiadas por VC formam uma grande parte da inovação na economia dos EUA. O lado menos positivo é que a esta situação “pode levar as empresas a competirem menos umas com as outras, e isso pode aumentar os preços para o consumidor.”

Luke Taylor resumiu os três principais resultados do estudo: primeiro, a propriedade comum leva os investidores a reter projetos atrasados. Em segundo lugar, a propriedade comum leva a que esses investidores de capital de risco redirecionem a inovação para as start-ups que ficaram para trás. “Se, em vez disso, as empresas possuem proprietários diferentes, elas não conseguem internalizar as repercussões negativas que impõem umas às outras”, afirmou. “Portanto, o projeto atrasado provavelmente continuará, mesmo que seja socialmente abaixo do ideal.”

O documento faz menção ao caso da New England Associates (NEA), uma empresa de capital de risco que em 2012 investiu em duas start-ups sediadas em Boston, a Intarcia e a Rhythm Pharmaceuticals, que estavam em testes clínicos de fase I dos seus medicamentos para tratar a obesidade. Em dezembro de 2012, o projeto da Rhythm mudou da Fase I para a Fase II, ganhando vantagem sobre o projeto da Intarcia.

Consequentemente, a NEA cortou o financiamento à Intarcia, que abandonou o projeto de medicamentos contra a obesidade e mudou o foco para tratamentos de diabetes. Este caso encaixa-se no padrão geral do estudo: alguns VCs usam uma estratégia de investimento de “corrida de cavalos”, onde investem em start-ups concorrentes próximas, esperam que uma ganhe vantagem e, em seguida, reduzem o financiamento para a start-up atrasada enquanto redirecionam a sua inovação. “Se, em vez disso, as empresas têm proprietários diferentes, elas não conseguem internalizar as repercussões negativas que impõem umas às outras”, constata a pesquisa.

A propriedade comum é muito frequente na indústria farmacêutica, explicou o investigador observando que 39% das start-ups cobertas pelo estudo compartilham um VC com um concorrente próximo. “Se é o fundador de uma start-up farmacêutica, é importante saber se os seus investidores de capital de risco também investem nos seus concorrentes. De acordo com os nossos resultados, a propriedade comum pode influenciar se o seu financiamento será cortado no futuro e se os seus projetos de medicamentos passarão por testes clínicos. ”

O estudo identificou outros resultados quando os VC têm a propriedade comum de uma start-up. Por exemplo, quando um VC abandona uma start-up, outros VC geralmente não intervêm para preencher o buraco de financiamento; os resultados sobre os padrões de financiamento são mais fortes para os VC com maior participação acionista numa start-up, uma vez que têm direitos de controlo mais fortes, tornando mais viável a retenção de projetos; os proprietários comuns redirecionam as atividades de inovação das empresas atrasadas para novos projetos em categorias não sobrepostas e formam alianças de financiamento com grandes empresas nessas categorias.

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