O que o futuro reserva à indústria dos alimentos? Estas start-ups de Chicago respondem.

Desde uma start-up que recorre à fermentação microbiana até a uma empresa que criou uma proteína nutricional à base de fungos de um micróbio com origem no Parque de Yellowstone, nos EUA, conheça os negócios que estão a revolucionar a indústria dos alimentos e que estiveram em destaque na Chicago Venture Summit Future-of-Food.

A indústria de processamento de alimentos e bebidas de Chicago é a maior dos EUA: gera 9,4 mil milhões de dólares (8,7 mil milhões de euros) anualmente em produção e emprega mais de 65 mil pessoas, de acordo com o Chicago Business Bulletin divulgado recentemente pelo Centro de Pesquisa do World Business Chicago.

Além disso, as start-ups de inovação alimentar desta cidade norte-americana têm despertado o interesse dos investidores. No ano passado levantaram 723 milhões de dólares (6,75 mil milhões de euros) em capital de risco, o que representa um aumento de 508% em relação a 2019. Só no primeiro trimestre deste ano, as start-ups já angariaram 111 milhões de dólares (104 milhões de euros) em capital de risco, segundo dados do Pitchbook.

A indústria tem assistido a um crescimento acelerado com o lançamento de novos produtos e serviços para responder às necessidades dos consumidores. Como centro de inovação alimentar, Chicago conta com mais de 2.800 empresas no seu ecossistema. Dentro desse ecossistema está uma rede de start-ups, incubadoras, investidores e empresas, como McDonald’s, Mondelez, ADM, Congra e Kraft Heinz – para citar alguns exemplos.

O World Business Chicago organizou em maio o Chicago Venture Summit Future-of-Food, a principal conferência de start-ups e investidores da cidade que reuniu mais de 600 fundadores, executivos e investidores, e que deu a conhecer a próxima geração de empreendedores que está a transformar a indústria global de alimentos e agricultura. Conheça algumas das start-ups que estiveram em destaque.

AgTools é uma plataforma SaaS que reúne dados governamentais e institucionais de todo o mundo em tempo real de mais de 500 culturas e commodities. Destina-se a profissionais de agronegócios, agricultores e distribuidores. Martha Montoya identificou que a cadeia de abastecimento agrícola e alimentar é fragmentada e criou o AgTools para fornecer uma solução mais abrangente. No ano passado, a AgTools foi selecionada para participar do Illinois AgTech Accelerator, na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign.

Recorrendo a fermentação microbiana, a Aqua Cultured Foods desenvolveu as primeiras alternativas aos frutos do mar com qualidade de sushi a partir de corte de músculo inteiro. Os seus produtos são ricos em proteínas e fibras, livres dos 10 principais alérgenos, livres de antibióticos, veganos, não transgénicos e possuem uma fração das calorias dos frutos do mar tradicionais. As cofundadoras Anne Palermo e Brittany Chibe levantaram 2,1 milhões de dólares (1,96 milhões de euros) no final de 2021. Na conferência Future-of-Food Chicago Venture Summit, Anne Palermo partilhou como a empresa desenvolveu fórmulas para atum, peixe branco, lula e camarão.

Feita com ingredientes e sabores exclusivos de 17 países da África Ocidental, a AYO Foods é uma marca de soluções de refeições premium que oferece pratos artesanais da África Ocidental. Os cofundadores Perteet Spencer e Fred Spencer criaram o negócio de alimentos congelados para trazer produtos étnicos para o setor de congelados. A AYO Foods está presente em retalhistas como Kroger, Whole Foods e Safeway.

Criada na Universidade de Chicago, a BiomeSense está a transformar a capacidade de alavancar o microbioma humano para uma melhor saúde. Os cofundadores Kevin Honaker e Jack Gilbert começaram a desenvolver um novo biossensor e uma plataforma de análise para monitorização diária do microbioma intestinal.

Também a Kadeya tem dado que falar. A start-up oferece soluções sustentáveis ​​que são facilmente reutilizáveis em toda a cadeia de suprimentos de garrafas de água. Kadeya é um serviço de venda automática de água em circuito fechado alimentado por garrafas de água reutilizáveis ​​conectadas digitalmente. A empresa fornece água de qualidade e de baixo custo que reduz a pegada de carbono e digitaliza o consumo de água aos utilizadores. Recentemente, a CEO e fundadora Manuela Zoinsein foi destaque na lista “100 Rising Latinx Founders to Watch List” da Inicio Ventures, que apresenta negócios latinos com sede nos EUA e que estão a fazer a diferença no mercado.

Cofundada por Thomas Jonas e Matthew Stronginm, a Nature’s Fynd – um unicórnio com sede em Chicago – descobriu uma tecnologia de fermentação inovadora. A empresa criou o Fy, uma proteína nutricional à base de fungos de um micróbio com origem nas fontes geotérmicas do Parque Nacional de Yellowstone. A proteína Fy é transformada em produtos que estão disponíveis em mercearias selecionadas. A Nature’s Fynd recebeu em maio 4,7 milhões de dólares (4,38 milhões de euros) em financiamento da fundação Bill e Melinda Gates para expandir o seu produto tecnológico para proteínas alternativas em países em desenvolvimento.

À medida que os restaurantes enfrentavam novos desafios devido à pandemia, Andy Freivogel, Luisa Castellanos e Ken Tsang criaram a Science On Call para disponibilizar suporte técnico 24 horas por dia, 7 dias por semana aos restaurantes. Como uma plataforma de suporte técnico baseada em assinatura para restaurantes, o Science On Call ajuda com pontos de venda, internet, Wi-Fi, pedidos on-line, e-mail, telefones, entre outros. Esta start-up foi uma das empresas a participar no “Techstars Farm to Fork Accelerator” em 2021 e foi apoiada pela Food Foundry em 2020. A Science on Call levantou 1,6 milhões de dólares (1,49 milhões de euros) em financiamento pré-seed em fevereiro passado, mostrando o impulso das start-ups de alimentos em estágio inicial em Chicago.

Depois de criarem o PeaPod e o ItemMaster, Andrew Parkinson e Thomas Parkinson usaram os seus 30 anos de experiência em mercearia para criar a Sifter, a plataforma do setor em Naas (Nutrition as a Service ). Durante a conferência, a Sifter anunciou a sua ronda de financiamento de 5 milhões de dólares (4,7 milhões de euros). O financiamento ajudará a acelerar o crescimento da sua plataforma Naas e lançará as suas Sifter Retailer Solutions. A tecnologia revolucionária da empresa, os dados dietéticos em conformidade com as regulamentações e o conjunto de soluções personalizadas permitem que os supermercados ajudem os consumidores a fazer com sucesso – e de forma saudável – as suas compras.

A Planting Hope Company desenvolve e lança marcas exclusivamente inovadoras de alimentos e bebidas à base de plantas. Fundada por Julia Stamberger e James Curley, a Planting Hope é uma empresa gerida e liderada por mulheres. A empresa abriu o seu capital na Bolsa de Valores de Toronto. Em abril passado, a Planting Hope também anunciou uma grande expansão nos principais retalhistas de supermercados dos EUA.

Por último, a Vital Proteins é outra start-up que tem dado cartas no setor e que esteve em destaque no Chicago Venture Summit Future-of-Food. Trata-se de plataforma que oferece suplementos, bebidas e produtos alimentícios à base de colagénio. Fundada em Chicago, a empresa foi criada para fornecer produtos de colágeno premium para todos os tipos de estilo de vida e disponibilizar ferramentas para uma rotina de bem-estar. A Proteins foi adquirida recentemente pela Nestlé Health Science.

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