Start-ups, empresas, empreendedores, investidores…estes são alguns dos muitos participantes na Web Summit 2019. E foi exatamente com dois investidores internacionais, um norte-americano e um brasileiro, que o Link To Leaders falou para perceber o que esperam do evento, o que os motiva e para que setores vão as suas apostas.

Começou a contagem decrescente para mais uma edição da Web Summit, a quarta realizada em Portugal. Inicia-se hoje, ao final do dia, e até quinta feira vai ser um espaço privilegiado para se falar de empreendedorismo, tecnologia, tendências, em suma, de tudo o que se prende com o ecossistema de start-ups.

Inevitavelmente os investidores de todo o mundo vão estar de olhos postos nas novidades tecnológicas e nas boas oportunidade de negócio. É o caso do norte-americano Alex Golod, investidor na Chicago ArchAngel, e o brasileiro Marco António Raimundo, investidor na Blue Investment, dois dos muitos investidores que vão marcar presença na Web Summit e que partilharam com o Link To Leaders, para além da forma como encaram a atividade de investidores, as suas expetativas relativamente ao evento.

“Estar em contacto com as novidades do mercado e entender melhor as novas soluções e tecnologias”. Estas são as motivações de Marco António Raimundo, o investidor da Blue Investment que começou a sua atividade como “um dos F’s (family, friends and fools)”, e que vai marcar presença em Lisboa até ao final da semana para assistir à Web Summit.

Para Alex Golod, da Chicago ArchAngel, esta é a primeira participação na Web Summit. Contudo, nos últimos dois anos foi presença assídua na Collision, a conferência norte-americana “irmã” da WS, uma referência que o leva a esperar “um evento de conteúdo rico, muita energia, um ecossistema de start-ups de muita qualidade e, claro, muitas oportunidades de networking”, afirma.

Mas como avaliam os investidores as start-ups em que apostam? As abordagens dos nossos interlocutores são distintas. “Em geral, subscrevo a noção de que é melhor apostar no jockey do que no cavalo. Por outras palavras, um fundador experiente, motivado e uma equipa forte são mais importantes do que qualquer outra coisa. No entanto, também sou bastante exigente quanto ao mercado e à tração do produto / serviço. Prefiro as start-ups centradas na tecnologia B2B com presença global. As start-ups que demonstram tração inicial e prontas para ronda seed são interessantes para mim. Obviamente, não há regras sem exceções”, explica o investidor norte-americano.
Neste ponto, Marco António Raimundo afirma que quando avalia numa start-up para um potencial investimento “são as pessoas que compõem seu quadro e as soluções que pretendem levar ao mercado” que o motivam.

O que esperam ver num pitch?
O investidor brasileiro não hesita em afirmar que espera ver o perfil e o histórico das pessoas envolvidas no projeto. “Observo em alguns pitches um otimismo em excesso nas projeções. Daí, e como muito provavelmente haverá uma frustração com esses números, surge um desgaste entre investidores e investidos”, esclarece.

Por sua vez, o investidor da Chicago ArchAngel não é fã de pitches rápidos, preferindo pré-qualificar as start-ups e ouvi-las mais profundamente, em pitches de 7 a 10 minutos, com tempo para perguntas e respostas. “Há três fatores principais que são o mercado, a equipa e o produto, e se um deles estiver totalmente desarrumado, isso, na minha opinião, torna inviável o investimento na empresa”, explica.

Áreas de investimento em destaque
Questionado sobre quais as áreas mais interessantes para investir no futuro, Alex Golod não se considera um futurista por isso está, sobretudo, a observar as tendências de curto prazo e escolhe as áreas que mais gosta e que percebe melhor. “Fintech e insuretech são certamente as minhas áreas favoritas e também sou otimista quanto ao marketing/adtech e à saúde relacionada com a tecnologia. A agrotech também é um tema quente, mas não é algo que eu conheça suficientemente bem. Property tech também deve continuar a crescer no futuro próximo”, explica.

Também o investidor brasileiro acredita que entre as áreas mais interessantes para investir no futuro estão setores como agrotech, fintech, saúde, big data e inteligência artificial. Por outro lado, não deixa de referir que “as soluções para o quotidiano das pessoas (acesso à moradia, formas de locomoção, como se alimentam, como procuram médicos, etc.) são áreas bem interessantes e que ratificam as mudanças comportamentais que as gerações têm enfrentado”.

Quanto aos países ou zonas geográficas que podem destacar-se ao nível do talento, Marco Raimundo refere que a “Ásia tem-se destacado”, enquanto Alex Golod acredita firmemente que “o talento das pessoas está em todo o lugar, pois existem pessoas talentosas que trabalham duro em todo os países e continentes”. Refere, contudo, que a questão é saber como desbloquear esse enorme potencial humano e dar a todas as pessoas hipóteses de sucesso. “Até agora, visitei cerca de 50 países e estou animado para adicionar Portugal a esta lista! Vi pessoas interessantes, start-ups emocionantes e o desejo de ter sucesso em muitos países.”

Lembra, no entanto, que especificamente quanto ao talento tecnológico, a questão já é diferente. Mais uma vez, destaca que o talento existe em todo o lado, mas a escala e a qualidade são certamente diferentes.”Tenho que ser subjetivo e mencionar que tenho mais experiência a trabalhar na América do Norte e na Europa Oriental, onde o talento técnico é muito forte.Também estou impressionado com a qualidade e profundidade do talento técnico na América Latina e na Europa Ocidental”, acrescenta.

Quer tornar-se business angel? Os investidores aconselham
“Procure conhecer e entender as pessoas em que está investindo. Ao longo do processo acontecem várias mudanças no plano de negócios e, muitas vezes, o que está dando resultado e/ou teve aderência no mercado, é uma solução muito distinta do escopo inicial. Para colher frutos nesse meio, é importante ter paciência e resiliência. Dessa forma, invista apenas o montante que lhe for confortável perder já que a taxa de sucesso é baixa”. Este é o conselho que o investidor brasileiro partilha com quem está a pensar tornar-se business angel.

Também Alex Golod deixa  algumas sugestões: “Primeiro que tudo, deve ser um adulto responsável e não investir a maior parte do seu portefólio em investimentos alternativos, pois isso representa um risco muito alto. Precisa cobrir todos as bases e necessidades financeiras, antes de tudo. É por isso que acho que as regras que limitam o risco para os investidores não credenciados fazem sentido. O investimento não é crowdfunding e o processo, disciplina e tolerância a alto risco são ingredientes necessários”.

O investidor norte-americano acrescenta ainda que é melhor investir nas áreas pelas quais se é apaixonado e que se entende. Também é uma boa ideia juntar-se a um grupo de investimento ou tornar-se partner de um fundo.  Isso ajuda a simplificar o processo e a minimizar um pouco o risco, além de poder aprender muito com outros investidores mais experientes e ouvir diversas perspetivas. Quando estiver pronto, não espere muito tempo por um sinal, é hora de entrar!”, aconselha Alex Golod.

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