No passado recente, a transparência na gestão e nos negócios era vista como um tabu e quanto mais opacas fossem as operações das empresas maiores eram as chances de sucesso. No entanto este cenário está a mudar e o novo paradigma parece querer colocar a transparência como a grande preocupação para todas as empresas.

As empresas que guardam religiosamente os segredos do seu sucesso correm, cada vez mais, o risco de produzir o efeito oposto, fragilizando o espírito corporativo dos seus funcionários e asfixiando o potencial de fidelização de clientes com as marcas que têm no mercado.

Este novo paradigma veio para ficar havendo já bastantes empresas que estão a ter sucesso ao compartilhar informação operacional, custos de produção, valores de remuneração dos seus quadros, lista de fornecedores, etc. Esta estratégia tem trazido ganhos de natureza financeira e de reputação estando os clientes a valorizar cada vez mais a transparência dessas empresas.

Esta nova forma de encarar a gestão empresarial tem ganhos de médio e longo prazo e de natureza variada. A estratégia permite atrair melhores quadros, mais talentos e motivar os funcionários e colaboradores. A transparência promove a confiança e a comunicação, fortalece as relações dentro das empresas estimulando um ambiente de colaboração.

A inclusão de mais transparência e ética na gestão de uma empresa e marca permite também o reforço da cultura corporativa aumentando os níveis de motivação e felicidade da força produtiva, garantindo melhores resultados, o que oferece mais confiança na marca.

Paul A. Pagnato, fundador da “Transparency Global”, expressa muito bem a definição deste novo paradigma quando refere que “Transparência é uma mentalidade que exala Confiança, Verdade, Responsabilidade, Integridade e Honestidade. Essa mentalidade alimenta as Inovações Disruptivas e leva ao crescimento exponencial.”

Aproveitando o que diz Paul A. Pagnato e recorrendo à experiência empírica, parece evidente que as inovações disruptivas têm a tendência natural de levar ao crescimento, que é determinante para evoluir nestes tempos difíceis em que tivemos uma pandemia, temos uma guerra (que leva já seis meses) e estamos a tentar sobreviver a uma inflação que ameaça transformar-se em estagflação no curto-prazo.

A transparência permite uma abordagem mais eficaz ao mercado e um reforço junto da concorrência, mas tem ainda a vantagem de fortalecer a responsabilidade empresarial permitindo que os gestores sejam responsabilizados, possam responsabilizar os seus colaboradores e garantam que em cada fase e passo a sua empresa caminha no sentido certo para conseguir atrair mais e melhores clientes.

Mas para além destes ganhos de causa junto dos colaboradores e dos clientes a transparência estabelece confiança junto dos investidores e esta é para mim uma das principais vantagens deste novo paradigma. Quanto mais transparente uma empresa e uma marca forem com os seus investidores sobre matérias como a situação financeira, as decisões futuras a tomar, os métodos de gestão aplicados, as formas de monitorizar e fiscalizar os processos e resultados do negócio, etc, mais confiança existe e maior será a probabilidade dos investidores continuarem e até reforçarem os investimentos.

Como confirma Eric George, membro do Conselho Empresarial da Revista Forbes, “nada poderia ser mais importante do que a relação entre empreendedores e investidores. Os investidores têm o que os empreendedores precisam: capital e know-how (…) Por outro lado, os empreendedores têm o que os investidores querem: um veículo que oferece potencial de retorno (…). Essas entidades separadas compartilham interesses comuns e conjuntos: crescimento do negócio”.

Com esta abordagem e orientação que assenta na transparência, ética, responsabilização, confiança e compliance conseguimos garantir que, em todos os planos, desde a gestão interna das empresas, passando pela sua relação com os stakeholders e terminando na relação com os investidores ajuda os gestores e as suas empresas a conquistar mais e melhor reputação, aumenta a vantagem competitiva junto da concorrência e conquista mais mercado.

No presente e para o futuro é importante que os empresários, gestores e empreendedores defendam e implementem – cada vez mais –  melhores práticas corporativas, inspirando mais empresas a tornarem-se cada vez mais transparentes e dessa forma promovam os reais benefícios desta prática.

Os nossos gestores devem deixar cair tabus e mitos que têm promovido a opacidade na gestão e que assentam em princípios que consideram que a transparência é inimiga do sucesso nos negócios e é fator de fragilidade em relação à concorrência.

Com este novo paradigma teremos uma garantia que é a de ajudar a elevar os padrões em todo o meio empresarial e nivelar por cima, com os mais altos padrões, o campo de atuação tanto no plano nacional como no plano internacional.

Uma coisa parece certa…esta é, seguramente, uma estratégia win-win e com futuro garantido.

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Sobre o autor

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Rodrigo Gonçalves nasceu em 1974, em Lisboa. Economista, gestor de negócios, empresário, consultor em liderança e gestão de equipas e um empreendedor apaixonado e resiliente. Licenciado em Ciência Política pela Universidade Lusíada, Mestre em Ciência Política, Cidadania e Governação pela... Ler Mais