A ascensão da organização baseada em equipas teve um impacto profundo no papel do gestor, exigindo-lhe que seja não apenas um supervisor de trabalho, mas também um líder de equipas.

O líder de equipas deverá ser o catalisador da flexibilidade dos trabalhadores, deverá envolver os colaboradores na resolução criativa dos problemas e deverá canalizar a energia competitiva para se concentrar nas oportunidades externas. O líder tem que saber aproveitar a dinâmica da equipa para gerar valor, para fazer a diferença entre o sucesso e o desempenho medíocre. Como conseguir pôr a equipa a jogar em conjunto?

Eu defendo quatro aspectos determinantes para dinamizar as equipas.
1 – Ouvir, ouvir, ouvir. É talvez um dos aspectos mais importantes pois ouvir implica que nos descentremos do nosso próprio ponto de vista para poder alcançar os pontos de vista dos outros. Conversar com os membros da equipa de modo a conhecer as preocupações das pessoas e qual a contribuição estratégica que a equipa, como um todo, pode dar à organização.
2 – Construir uma visão partilhada. Criar uma visão partilhada implica o diálogo com os diferentes pontos de vista e a sua conciliação.
3 – Não estar à espera do plano perfeito. Muitas vezes o mais importante é começar a agir e não estar sempre à espera do Master Plan, agir e depois ir fazendo ajustes.
4 – Lidar directa e discretamente com relações difíceis (conflitos). Conversar em particular com cada um dos membros da equipa pode revelar-se determinante para melhorar as tensões e problemas entre as pessoas.

Os processos psicossociais que mais permitem a realização de um trabalho em equipa eficaz são a coesão e a cooperação. Somente num clima de confiança e cooperação o trabalho em equipa vai ser mais que a simples soma de partes, implicando um potenciamento dos recursos.

Que tipo de líder consegue melhores resultados na dinamização de equipas? Há evidências de que os estilos inspiradores de liderança estimulam a inovação em equipas multidisciplinares, o que não será surpreendente se considerarmos que a liderança inspiradora se foca na comunicação de uma visão convincente promovendo a atividade dos colaboradores para a realização dessa visão na promoção da inovação .

Ao inspirarem através da sua visão motivadora, os líderes promovem o humor positivo das equipas sendo que este humor positivo (positive mood) tem a capacidade de aumentar ou diminuir a capacidade de inovação em equipas multidisciplinares. Desta forma, o humor positivo do seguidor age de forma a mediar o caminho entre a liderança inspiradora e a inovação. Ao aumentar o humor positivo da equipa, os líderes inspiradores podem, potencialmente, fomentar um pensamento mais flexível e aumentar a inovação, no entanto, este processo não é linear pois a ativação do humor positivo também pode aumentar a dependência do processamento heurístico da informação (processamento simplificado de informações), minando desta forma o potencial inovador.

* Leonor Almeida, professora associada, coordenadora do Mestrado em Gestão do Potencial Humano do ISG.

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