Instalada em Portugal desde novembro do ano passado, a brasileira Sizebay quer expandir o negócio no território nacional e avançar para o resto da Europa. Marcelo Motta Bastos, um dos fundadores do projeto, falou ao Link To Leaders como começou esta ideia de criar uma aplicação que ajuda os consumidores a escolherem o tamanho certo de roupa e calçado.

A start-up Sizebay nasceu no Brasil pela mão de Marcelo Motta Bastos e Janderson Araújo, apresentando ao mercado uma plataforma que ajuda o cliente de lojas online a escolher o tamanho certo de roupa ou de calçado.

Agora instalou-se em Portugal, mas de olho nas possibilidades de crescimento no continente europeu. É também a primeira start-up brasileira investida pela COREangels Atlantic.

A Sizebay apresenta-se como uma plataforma tecnológica que relaciona, personaliza e gera valor para os diferentes intervenientes do mercado da moda. Qual é, em termos práticos, o vosso papel neste processo?
O nosso papel é oferecer ao consumidor a mesma experiência de compra que tem quando compra numa loja física: o direito de escolher o melhor tamanho, conforme as suas medidas e seu gosto pessoal de vestir (mais justo ou mais folgado).

Na compra online, o consumidor praticamente fica “sozinho” para decidir o tamanho e, o pior, com informações incompletas ou de difícil entendimento. O nosso serviço evita que ele se preocupe com esta escolha, envolvendo-o num processo muito didático de escolha e, com isto, tornando a experiência muito mais assertiva.

Qual o vosso cliente tipo?
Qualquer ecommerce que comercialize roupas e/ou calçados. Pode ser ecommerce de fabricantes, retalhistas ou até marketplaces.

De que forma as ferramentas que disponibilizam podem melhorar a experiência de compra do consumidor final?
Escolher o tamanho de um produto considerando as medidas individuais e ainda exibir a forma como a roupa  fica, conforme as medidas do produto escolhido. Por exemplo: um consumidor pode vestir um tamanho M, mas, ao ver o tamanho percebe que muda apenas o comprimento da peça (muda muito pouco a cintura ou a anca).

Como ele gosta de vestir produtos mais longos, decide então escolher o tamanho L ao invés do M. Note que esta ação gera envolvimento na escolha. E sempre que envolve um indivíduo numa escolha gera-se mais envolvimento nesta escolha. Além do consumidor ficar mais satisfeito, reconhecendo que a loja o ajudou na escolha, também se compromete, evitando assim trocas e/ou devoluções.

Como surgiu esta ideia? Já estavam ligados à área da moda?
A ideia surgiu em 2014 com uma experiência muito má de compra que realizei para a minha esposa. A partir desta experiência, pesquisei sobre o assunto. Como tenho formação e experiência em ciência da computação e como na experiência profissional também já conhecia o segmento de ecommerce, iniciámos o planeamento do serviço. O Janderson Araújo (o meu sócio) e, durante um período, também a sua esposa Patrícia, contribuíram com  conhecimento em moda e design de interface. Atualmente, sou o responsável pela área comercial e gestão da empresa e o Janderson é o responsável pela área de pesquisa, desenvolvimento e suporte do produto.

“A partir de 2017 iniciámos oficialmente a comercialização e estamos a crescer 200% ao ano”.

Qual tem sido o percurso no Brasil em termos de clientes, evolução do negócio?
Nos dois primeiros anos, em 2015 e 2016, dedicámo-nos ao desenvolvimento, provas de conceito e formalização do capital anjo necessário para a empresa. A partir de 2017 iniciámos oficialmente a comercialização e estamos a crescer 200% ao ano. Atualmente temos 270 clientes, sendo alguns do mercado externo.

Chegaram a Portugal no final do ano passado. Como está a ser a recetividade do mercado ao vosso projeto?  E porquê Portugal?
Chegámos em outubro de 2019, mas podemos afirmar que operacionalmente iniciámos a operação em novembro. Estamos ainda nos primeiros momentos da nossa operação em Portugal (que tem como objetivo chegar à Europa), mas neste curto espaço de tempo já conquistámos alguns clientes significativos. Estamos em fase de implantação neste momento..

A recetividade está a ser muito boa, porque, de facto, o mercado de ecommerce em Portugal e, de uma forma geral, na Europa, está numa fase importante de amadurecimento, onde os desafios iniciais (meios de pagamento, logística, etc) foram suplantados e agora, cada vez mais, se investe na experiência do consumidor e na melhoria da performance operacional. E nestes dois aspetos, a Sizebay responde muito bem.
E, finalmente, escolhemos Portugal porque verificámos que, ao reduzir a complexidade de abertura e gestão da empresa, poderiamo-nos dedicar mais às vendas e ao atendimento, reduzindo o tempo e o investimento necessários. Além disso, é claro, gostarmos muito da cultura e da hospitalidade de Portugal!

Quais são os vossos clientes em Portugal? O que é que a Sizebay pode trazer-lhes de mais valia ao negócio?
Começámos a trabalhar com a Sahoco e estamos a avançar com três importantes ecommerces agora em fevereiro que, por questões de confidencialidade, só podemos divulgar quando o serviço estiver disponível. Em resumo, o que conseguimos até agora? Primeiro, redução de, no mínimo, 50% nas trocas e devoluções por erro de tamanho, reduzindo despesas de logística inversa, otimização do stock e satisfação do cliente; segundo, aumento em pelo menos duas vezes na taxa de conversão de visitantes que usam o provador devido ao aumento na confiança de escolha do consumidor; e terceiro, o aumento em, pelo menos, 5% na quantidade média de produtos por encomenda/pedido.

“(…) o produto está 100% pronto para funcionar em qualquer mercado, sem limite de idiomas, restrições técnicas (…)”

E quem são os vossos investidores?
A CoreAngels Atlantic é a nossa investidora para a internacionalização da Sizebay. Importante destacar que o produto está 100% pronto para funcionar em qualquer mercado, sem limite de idiomas, restrições técnicas e também pronto para qualquer tipo de plataforma de ecommerce. Ou seja, temos o produto pronto para um mercado bastante amplo.

São a primeira star-tup brasileira investida pela COREangels Atlantic. De que forma este apoio tem contribuído para o desenvolvimento do negócio?
Apesar de já termos o produto pronto para um mercado também já identificado, é muito importante instalarmo-nos em Portugal, respeitando a cultura local e também relacionarmo-nos com o mercado como um todo. Todas as empresas precisas de se relacionar com o trade e a CoreAngels está a contribuir muito neste sentido.

Depois de terem começado por entrar em Portugal, quais as vossas ambições em termos de expansão geográfica?
Já iniciámos contactos no mercado americano, através de um profissional com forte conhecimento no setor e de networking fantástico. Esperamos fechar importantes negócios nos EUA para que justifique uma expansão para este país o mais breve possível. Gostamos muito de dar passos responsáveis e seguros e por isto acreditamos que, ao disponibilizar um excelente serviço na Europa, o crescimento ocorrerá de forma natural.

“Estamos também a finalizar o estudo de um novo serviço para o segundo semestre de 2020, mas isto ainda é segredo!”

Quais os próximos passos no desenvolvimento da plataforma em termos de oferta de serviços?
Ainda no primeiro semestre vamos apresentar uma nova versão do provador, com recursos incríveis e que irá melhorar ainda mais a satisfação do consumidor e os resultados dos clientes. Estamos também a finalizar o estudo de um novo serviço para o segundo semestre de 2020, mas isto ainda é segredo! Estamos a caminhar para oferecer uma novidade muito interessante…

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