É do conhecimento comum que as start-ups têm uma taxa de sobrevivência extremamente baixa, e a grande maioria não é capaz de garantir financiamento e geri-lo de forma correta. Mesmo assim, milhares de novos negócios são criados diariamente em todo o mundo, com grande entusiasmo.

Independentemente da realidade, as pessoas que começam uma jornada empreendedora querem acreditar que vai correr bem. Os empreendedores são muitas vezes excessivamente otimistas e confiantes sobre os seus projetos – são essas crenças que mantêm os empreendedores no seu percurso empreendedor?

É um fenómeno simples – da mesma forma que a maioria das pessoas acredita que são melhores do que a média dos motoristas, os empreendedores acreditam que têm melhores chances de ser bem-sucedidos nos negócios do que os outros. Tal fenómeno é chamado de excesso de confiança, que é um “bias” cognitivo. Um “bias” cognitivo é um erro sistemático no julgamento, que surge como resultado de processos inconscientes quando o cérebro tenta gerir, simplificar e dar sentido à informação a que estamos expostos.

Em caso de excesso de confiança empreendedora, a compreensão subjetiva das chances de negócios é muito maior do que a probabilidade objetiva e a precisão dessas crenças. O excesso de confiança é o fenómeno por trás do empreendedorismo – o que se traduz mais frequentemente em erros do que em sucessos empresariais.

Pelo lado positivo, são precisamente os preconceitos empreendedores como excesso de confiança e otimismo excessivo que contribuem para uma excitante diversidade de start-ups nos vários ecossistemas.

Contudo, o excesso de confiança empresarial é apenas a ponta do iceberg, uma vez que parece que apenas os superconfiantes iniciam negócios. O medo do fracasso empresarial é muito mais significativo, o que significa que o problema real no mercado é a falta de confiança empresarial/empreendedora. De acordo com o Global Entrepreneurship Monitor, que mede anualmente diferentes elementos do clima empreendedor internacional, as taxas de medo de falhas nos negócios são tão elevadas quanto 60% em alguns países, na população adulta entre 18 e 64 anos, embora muitos deles confirmassem ter sido expostos a boas oportunidades de negócios.

Consequentemente, a solução para as discrepâncias na confiança empreendedora é dupla. Enquanto o otimismo extremo e a arrogância encontrados em alguns empreendedores precisam de ser recalibrados, a falta de confiança dos potenciais empreendedores também precisa de ser abordada, a fim de reduzir o fosso entre o excesso de confiança e a falta dela. Uma técnica comportamental popular que pode funcionar para ambos os casos é chamada de pre-morten.

A pre-morten é uma estratégia de desframentação que exige que os empreendedores imaginem que seus cenários de negócios foram implantados exatamente como eles queriam e planearam, mas o resultado foi um desastre. A etapa seguinte do exercício é identificar todas as armadilhas escondidas nos seus planos de negócio atuais que podem conduzir a uma falha do negócio. Pre-morten e outros métodos simples podem ajudar a antecipar resultados futuros, mas também a manter uma dose saudável de confiança empreendedora e otimismo.

* E membro da direção da Global Entrepreneurship Network em Portugal

Comentários

Sobre o autor

Avatar

Ana Barjasic trabalha com uma série de entidades dentro do sistema internacional de start-ups e investidores, como a Comissão Europeia e a Global Entrepreneurship Network (como membro da direcção em Portugal). Ana também é coordenadora da Business Angel Week desde... Ler Mais