Não vai dar…
Não se consegue…
Isso não pode ser…
Já se fez assim e não funcionou…
Não há solução…
É o lado lunar de Portugal.

Desbravar mares nunca dantes navegados…
Colocar satélites onde antes não os havia…
Encontrar formas de fazer pagamentos na autoestrada sem ter de parar…
Pôr telemóveis a funcionar sem conta no fim do mês…
Reinventar a oferta para turistas…
É o nosso lado solar.

Estamos claramente na moda em todo o mundo.

Somos cool, um dos países que tem de ser visitado, um dos dez lugares a não perder, o último paraíso na terra, um misto imbatível de natural e sofisticados, a melhor gastronomia do mundo, os mais simpáticos.

Aumenta exponencialmente o número de pessoas que se mudam para Portugal – porque é bom cá viver, acolhemos bem quem nos escolhe e, sim, porque os impostos são mais baixos e há os vistos Gold.

Saímos da zona perigosa de controlo da União Europeia – e não interessa se foi pela política de A, B ou C – porque foi certamente pelo trabalho e sacrifícios de 11 milhões de portugueses.

Os nossos técnicos são respeitados em todo o mundo, os nossos cérebros procurados por todas as instituições, os nossos alunos recebem convites de prestigiadas universidades estrangeiras, os nossos desportistas são idolatrados.

Os produtos portugueses conseguem entrar em todos os mercados que procuram – pela autenticidade, pela fiabilidade, pela tradição, pela história, pela qualidade intrínseca.

Ganhamos o Europeu de Futebol, sim… e mais dezenas de competições internacionais – de desporto, escolares – e até a Eurovisão que há mais de 50 anos nos fugia.

E até nas séries americanas já há sempre alguém que foi, veio, está para vir ou para ir, viveu ou gostaria de ter vivido, tem um amigo ou um namorado… de Portugal.

Então… porque vivemos a encontrar defeitos e a diminuir-nos?

O aumento do turismo é um drama, porque nos invadem os sítios de que gostamos e porque os preços das casas aumentam; porque todo o centro das cidades está a ser ocupado por turistas e descaracterizado; e porque os tuc-tuc são barulhentos.

As pessoas que vêm viver para Portugal fazem-no porque não têm alternativa (???!!!); ou porque fomos espertos (!!!???) e fizemos taxas de imposto especial… para não falar nas aldrabices dos golden visa.

O respeito conquistado na Europa ao longo de todo o processo do resgate por que passámos… nem sabemos bem como o podemos desfazer… mas certamente tem alguma coisa de mau.

Os que na diáspora são procurados, idolatrados, respeitados, disputados … resultará certamente de um conhecimento que tinham algures e nunca do seu mérito… para além de que fazem cá muita falta e nunca deveriam ter ido para fora.

O made in Portugal que é vendido no mundo é conseguido à conta de exploração de valores que não interessam, do trabalho de quem ganha pouco ou, mais uma vez, de sorte ou conhecimentos.

E as vitórias? Essas são de sorte, claro! Ou de uma qualquer manobra de marketing que convenceu todo o mundo de que cantar em português era o que estava a dar… ou ainda porque os outros não prestavam para nada.

E a nossa projeção na ficção que por todo o mundo é produzida? Um conjunto de coincidências que nada tem a ver com a capacidade de Portugal se afirmar no mundo.

Bolas!
Por que raio não conseguimos dar valor a nós próprios e acreditar?
De onde vem esta necessidade doentia de desmerecer do que temos e conseguimos?
Até quando vamos deitar abaixo o sucesso e não acreditar?

Nada tenho a ver com a Sagres, mas não posso deixar de afirmar que devemos todos olhar para a mensagem da última campanha e pensar de que forma podemos fazer acontecer um Portugal maior e melhor.

Se acreditarmos e nos juntarmos… ninguém pára Portugal!

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Sobre o autor

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Maria do Rosário Pinto Correia é regente da disciplina de Marketing in The New Era (licenciatura em Business Management) na CLSBE. Coordena, ainda, 3 programas de Executive Education - PGV - Programa de Gestão de Vendas, EI - Estratégias de... Ler Mais