Tendo em conta que, atualmente, todo e qualquer negócio que “se mexa” tem uma base tecnológica, uma das principais atividades é a de arquitetar o modelo digital suportará o negócio.

E para um negócio se tornar relevante no futuro, a sua arquitetura digital tem de ser bem pensada e estruturada, de forma a“não ter limites”quer em utilizadores (hoje 10, amanhã 1000), quer em gestão de dados (hoje gigabytes, amanhã terabytes).Temos de garantir que aquilo que fazemos hoje, servirá para amanhã, de forma a não reinventar tudo de novo, daqui a um ano. Queremos garantir que o negócio é escalável, tal qual a minha arquitetura tecnológica.

Se pensarmos que num carro a engenharia do motor conta muito, também no mundo dos negócios, a engenharia e a arquitetura tecnológica contam muito! Estamos perante um desafio de enorme dificuldade para qualquer gestor, principalmente para aqueles que não dispõem das competências próprias de gestão de sistemas de informação. Mas tal como qualquer grande desafio, também este deve ser entendido como um conjunto de pequenos desafios, os quais se podem decompor também eles em desafios ainda mais pequenos.

O primeiro nível deste desafio é dividido em três sub-desafios. O primeiro desafio não está na tecnologia, mas nos recursos humanos. Quem será o responsável por liderar o projeto tecnológico e de gestão de informação?Quem será aquele que pode ser conhecido como o CIO de projeto? Como características fundamentais deste líder do projeto são a reconhecida experiência em projetos de índole similar e competências adequadas de liderança de equipas.

E importa entender que o novo CIO4.0 é muito mais que Chief Information Officer, como hoje o conhecemos, onde o “I” de Informação é também o “I” de Integração com o ecossistema, é o “I” de Infraestrutura tecnológica, é o “I” de Inovação de negócio e o “I” de Inteligência de conhecimento.

O segundo desafio continua a não estar relacionado com tecnologia: é o desafio da arquitetura que alicerça a tecnologia de suporte ao negócio. Aqui importa entender que uma arquitetura é a identificação da estrutura de componentes, a forma como esses componentes se relacionam entre si e as regras como são governados/coordenados. Isto é, estamos perante o desenho de uma orquestra, onde os instrumentos são os componentes lógicos (autenticação, armazenamento de dados, análise e cálculo, interfaces e interação com utilizadores, entre outros) e o maestro, que é quem governa, é na realidade o equivalente aos processos de negócio que implementamos fluxos de informação de projeto!

Hoje arquitetar requer ter uma visão modular e uma predisposição à contínua atualização do mercado, em particular ao conhecimento das potencialidades de serviços disponíveis online, evitando-se “invenções de rodas já inventadas” e tempos de implementação muito mais rápidos.

Por fim, o terceiro desafio é mesmo o da tecnologia. Dos três desafios, muitas vezes dá-se mais importância a este, mas na realidade é talvez dos três desafios o menos importante. A minha experiência indica-me que não importa qual a tecnologia, mas o que se faz com ela. A escolha do fornecedor tecnológico A ou B, embora possa ter relevância, mas assumindo que estamos a escolher tecnologias maduras, estou certo que o desafio da tecnologia não é o essencial. O essencial é saber usar essa tecnologia e tirar o máximo do seu potencial.

Em resumo, independentemente das suas virtudes comerciais, um negócio só poderá ser escalável, se tiver as pessoas certas, se na sua arquitetura digital tiver uma base modular e conseguirmos identificar e usar o potencial máximo da tecnologia de suporte.Parece simples..

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Atualmente é diretor-geral da IPTelecom, tendo sido antes Diretor Comercial da Infraestruturas de Portugal S.A., Diretor de Sistemas de Informação na EP – Estradas de Portugal S.A. e Professional Services Manager da Sybase Inc. em Portugal. Na academia é Diretor... Ler Mais