Opinião

Navegando a incerteza económica: estratégias vitais para as empresas

João Costa, country manager da Expense Reduction Analyst

A economia mundial tem, nos últimos anos, sido alvo de diversos abalos e perturbações que têm redefinido o conceito de normalidade, catapultando a incerteza e volatilidade a patamares excecionalmente elevados, impactando diretamente o crescimento económico.

Em concreto, a economia europeia tem vindo a abrandar desde meados de 2022, com a inflação a continuar a exceder o crescimento dos salários nominais e a atuar como um entrave ao consumo. Gerir uma empresa, independentemente do seu tamanho ou setor de atuação, pode ser intimidante neste contexto, especialmente tendo em conta o duplo impacto da inflação e da subida ininterrupta das taxas de juro pelo Banco Central Europeu.

O aumento dos juros pode representar um desafio substancial para as organizações, principalmente no que diz respeito ao pagamento do serviço da dívida. O encargo financeiro aumentado, sem um correspondente incremento nas receitas, pode deixar as empresas numa situação financeira precária. E priorizar o pagamento de dívidas de alto custo em detrimento de investimentos em inovação e expansão pode limitar o potencial de crescimento.

Além disso, este cenário pode resultar em dificuldades de acesso ao crédito e encarecimento dos empréstimos – que são essenciais para muitas empresas, especialmente aquelas em fase de expansão. Este aumento pode desencorajar investimentos, resultando em taxas de crescimento mais lentas.

A gestão de despesa torna-se ainda mais importante neste contexto. Empresas eficientes na redução de custos enquanto mantêm o foco no crescimento a longo prazo são mais propensas a prosperar. A redução de custos parece simples em teoria, mas é uma tarefa incrivelmente difícil. O KPI da minimização dos custos está frequentemente em conflito com outros KPI, como a maximização das receitas, o desempenho da entrega atempada e completa, a satisfação do cliente e a otimização do inventário. Por isso, a otimização de processos e a procura por especialistas externos podem ser estratégias valiosas.

Em todos os setores, observamos empresas que veem esta conjetura como uma oportunidade. As empresas com fundo de maneio negativo podem encontrar benefícios no aumento das taxas de juro, uma vez que o excedente de liquidez no balanço pode gerar retorno. Isso proporciona recursos adicionais para investimentos internos e outros objetivos operacionais. Em paralelo, empresas que mantêm um fluxo de caixa positivo têm a oportunidade de investir em títulos de maior rendimento em tempos de aumento das taxas de juro, o que pode impulsionar o crescimento e a rentabilidade.

O aumento das taxas de juro traz consigo desafios e oportunidades para as empresas. É imperativo que as organizações compreendam a estrutura de capital da empresa, os impactos financeiros do contexto e adotem estratégias proativas para enfrentar ambientes desafiadores. A gestão eficaz de custos e a procura por inovação e iniciativas transformadoras serão fundamentais para o sucesso e a prosperidade a longo prazo das empresas

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